Celebrando 23 anos no Recife e 35 no Brasil, os Doutores da Alegria já beneficiaram mais de 1,2 milhão de pessoas na capital pernambucana. Com elenco de dez artistas profissionais, a associação realiza visitas semanais gratuitas a cinco hospitais públicos, humanizando o ambiente pediátrico por meio do lúdico. Mantido por doações, o projeto também atua fora dos leitos com livros, espetáculos teatrais e cursos de formação em palhaçaria para jovens em situação de vulnerabilidade social.
A presença dos palhaços nas alas pediátricas de cinco hospitais do Recife marca os 23 anos de atuação dos Doutores da Alegria na capital pernambucana. Nesta segunda-feira, 28 de setembro, Pernambuco celebra o Dia Estadual da associação, que também completa 35 anos de existência no Brasil.
Desde a chegada ao Recife, em 2003, mais de 1,2 milhão de pessoas foram beneficiadas pelo Programa de Palhaços em Hospitais, segundo o balanço da organização. Somente em 2025, o trabalho alcançou mais de 100 mil pessoas.
A data comemorativa integra o calendário estadual desde 2012 e coincide com o aniversário de fundação da instituição, criada em 1991 por Wellington Nogueira. Além de Pernambuco, a associação atua em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Visitas acontecem durante todo o ano
No Recife, os artistas visitam as alas pediátricas duas vezes por semana, ao longo de todo o ano. O trabalho é oferecido gratuitamente aos hospitais parceiros:
- Hospital da Restauração;
- Hospital Barão de Lucena;
- Hospital Universitário Oswaldo Cruz;
- Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco (Procape);
- Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip).
As intervenções utilizam a palhaçaria para criar momentos de brincadeira e encontro em meio à rotina hospitalar, envolvendo crianças, acompanhantes e profissionais de saúde.
"Recife é a casa dos Doutores da Alegria no Nordeste", afirma Arilson Lopes, coordenador artístico da unidade pernambucana. Para ele, a trajetória demonstra a importância da arte e da humanização nesse ambiente.
"Nosso trabalho consolida a importância da humanização e da arte no ambiente hospitalar, atestando a potência de resgatar o lado saudável da criança, a brincadeira e o universo lúdico", destaca.
Elenco reúne dez artistas profissionais
A unidade do Recife conta atualmente com dez palhaços. O trabalho é realizado por artistas profissionais, com experiência na linguagem da palhaçaria, e não por voluntários.
O elenco passa por treinamentos e acompanhamento artístico contínuo, voltados ao aprimoramento das intervenções nos hospitais.
Para Marcos Barretto, cirurgião plástico do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital da Restauração, a presença dos artistas contribui para o acolhimento das crianças durante o tratamento.
"A gente sabe que o lado emocional conta muito e os palhaços contribuem com isso de forma palpável", afirma o médico.
Atuação também chega aos palcos e à formação de jovens
A trajetória pernambucana inclui iniciativas fora dos hospitais. Entre elas estão o livro "Coletânea Conta Causos - Volume 1", com 13 contos inspirados em experiências hospitalares, e espetáculos como "O médico é o monstro?", apresentado em teatros da cidade.
A associação também promove formação artística. Em 2024, o Curso Livre de Palhaçarias para Jovens atendeu 25 participantes em situação de vulnerabilidade social. A formação aconteceu entre maio e novembro, com aulas de 14 disciplinas.
Como apoiar
As atividades são mantidas por doações de pessoas físicas e empresas, incluindo contribuições por leis de incentivo fiscal. Os recursos financiam as visitas, a estrutura da associação, oficinas e a formação dos artistas.
Quem deseja contribuir pode acessar o site de doações dos Doutores da Alegria: www.doar.doutoresdaalegria.org.br