Como o Hyrox se tornou o Everest do atleta do dia a dia

Evento fitness que mistura corrida e força atrai atletas amadores que buscam desafio e senso de pertencimento

12 abr 2026 - 08h11

A corrida fitness teve um crescimento enorme nos últimos anos. O que está impulsionando sua popularidade?

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Quando Jessica Thompson entrou no Hyrox Atlanta, em outubro passado, sentiu-se intimidada pelo mar de corpos sarados. Ela havia passado meses treinando para a corrida fitness, mas agora, vendo homens e mulheres musculosos correndo e agachando, questionou se deveria se inscrever. "Eu estava apavorada", diz. "Quase dei meia-volta e fui embora".

Mas, ao passar pelo túnel de largada característico do Hyrox, ela se sentiu calma e confiante.

Naquele dia, ela estava competindo como uma paratleta. Depois de sobreviver a um acidente de carro quase 20 anos antes, ela tinha movimentos limitados no braço esquerdo e lutava com o equilíbrio. Mas ela adorava um desafio. E, à medida que avançava na corrida, era impulsionada pelos torcedores entusiasmados.

"Eu estava acostumada a ouvir que não podia fazer nada", conta Jessica, de 39 anos. Provar para si mesma que conseguia participar de uma prova de Hyrox, segundo ela, foi "uma experiência transformadora".

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Desde que o Hyrox começou na Alemanha, em 2017, os eventos explodiram em popularidade. As inscrições se esgotam em minutos e, em algumas cidades, há listas de espera com milhares de pessoas.

Mais de 1,5 milhão de pessoas com idades entre 16 e 85 anos, em 30 países, já competiram em pelo menos uma prova de Hyrox. Desde o ano passado, o evento na cidade de Nova York triplicou de tamanho, passando de 15 mil para cerca de 50 mil inscritos.

Em uma prova de Hyrox, os participantes se revezam entre correr um quilômetro e realizar oito exercícios, incluindo puxar e empurrar trenó, saltos em distância com burpees e o transporte de peso. Eles podem se inscrever individualmente, em duplas ou em revezamentos.

Nos seus primeiros anos, o Hyrox tendia a atrair os mais sarados. Mas, agora, pessoas com níveis de condicionamento físico e habilidades mais variados estão se inscrevendo. Mais de 15 mil academias ao redor do mundo se tornaram centros de treinamento oficiais.

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Dan Trink, preparador físico, é dono da academia The Fort, uma afiliada oficial do Hyrox. Sobre o primeiro ano em que competiu em uma prova, em 2022, ele relembra: "Entrei e, tipo, tinha mais tanquinho do que nariz. Todo mundo lá era sarado". No evento do ano passado em Nova York, "tinha um pouco de tudo", compara.

Transformando o treino em esporte

De muitas maneiras, o Hyrox está seguindo a tradição de corridas de obstáculos, como Tough Mudder e Spartan, triatlos Ironman, competições de crossfit e maratonas.

No entanto, os entusiastas do Hyrox dizem que a barreira de entrada é menor do que para muitos outros eventos, em parte porque os exercícios principais — todos movimentos funcionais — podem ser praticados com equipamentos básicos de academia e não exigem muito tempo.

"Quando as corridas Spartan estavam na moda, você saía de lá todo enlameado e às vezes ensanguentado", lembra Shay Kostabi, instrutora de fitness de longa data e cofundadora da empresa de consultoria do setor, Fitcarma. Em comparação, o Hyrox "é organizado, limpo e seguro", mas ainda desafiador o suficiente para dar aos participantes uma sensação de orgulho.

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Embora as corridas Hyrox sejam testes de resistência, sua popularidade provavelmente também foi impulsionada por um crescente interesse em treinamento de força. "Atende a essa necessidade", diz Shay, além de tornar a experiência menos cansativa.

Isso foi intencional, explica Moritz Furste, cofundador do Hyrox e tricampeão olímpico de hóquei em campo.

Em 2017, quando Furste e o cofundador Christian Toetzke tiveram a ideia inicial para o Hyrox, eles viram uma oportunidade de criar uma competição para pessoas que se exercitam no dia a dia e que não tinham interesse em treinar para um evento como uma maratona, mas que também desejavam um objetivo desafiador, porém alcançável.

Eles perceberam que os treinos de muitas pessoas envolviam uma mistura de exercícios aeróbicos e de força, em vez de se concentrarem em uma única atividade, então projetaram o Hyrox como um híbrido de ambos.

Eles queriam criar "um campo de jogo para quem frequenta a academia", diz Furste.

Por décadas, treinadores e empreendedores experientes têm buscado maneiras de transformar a ida à academia em um esporte, entrega Mark Dyreson, professor de cinesiologia e codiretor do Centro de Estudos do Esporte na Sociedade da Penn State.

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No final do século XIX, a equipe da YMCA inventou o basquete para motivar os membros a se manterem ativos em ambientes fechados durante os meses de inverno. Competições de fisiculturismo, levantamento de peso e powerlifting oferecem uma alternativa.

"Algumas pessoas adoram ir à academia e treinar em circuito, mas para a maioria, historicamente, isso é bastante entediante, não é?", questiona Dyreson. "Se você consegue transformar algo em uma competição, em um jogo, o interesse aumenta muito".

Helen Ogunjimi, de 41 anos, personal trainer em Chicago, conta que se inscrever no Hyrox a desafiou de uma forma que sentia falta. Ela jogou basquete na faculdade e em times profissionais no exterior, mas, com a idade, seus treinos se tornaram menos variados.

A princípio, quando uma amiga a incentivou a se inscrever, ela hesitou. "Eu pensei: 'Nossa, isso parece muito, muito difícil'", assume Helen, em parte porque evitava correr desde os tempos do basquete. "Eu estava um pouco assustada, sabe, porque fazia muito tempo que eu não movimentava meu corpo dessa forma". Ao mesmo tempo, pensou consigo mesma que, com um pouco de treino, conseguiria.

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Ela competiu no Hyrox Chicago em novembro passado e planeja competir no Japão. Helen espera se tornar uma das primeiras mulheres negras a se classificar para o Campeonato Mundial de Hyrox, uma corrida apenas para convidados, destinada aos 15 melhores competidores masculinos e femininos de cada categoria.

Além disso, ela se surpreendeu com o quanto tem gostado de voltar a correr — em pequenas doses. "Estou construindo meu motor", declara.

Competição e camaradagem

A ascensão meteórica do Hyrox pode ser atribuída, pelo menos em parte, aos participantes que publicam seus triunfos nas redes sociais, tornando-o uma aspiração para as massas.

O fato de todos parecerem competidores ferozes nas fotos oficiais divulgadas pelo Hyrox também contribui para isso, explica Trink, preparador físico em Nova York.

"Isso dá às pessoas uma identidade", diz Shay, consultora da indústria fitness. "Existe uma tribo, uma categoria à qual pertencer, e as pessoas simplesmente adoram isso".

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Também pode oferecer aos atletas amadores a chance de provar a si mesmos que são fisicamente capazes, avalia Kelly McGonigal, psicóloga da saúde e professora da Universidade Stanford.

Muitos frequentadores de academia são atraídos pelo fato de que os exercícios principais do Hyrox — empurrar, puxar, carregar, correr e outros — são movimentos que você usa no dia a dia. E, ao contrário das corridas de rua, as corridas de Hyrox não têm um "pelotão de trás", já que novas ondas de participantes estão sempre largando.

A camaradagem do Hyrox também pode ser um antídoto para nossa era de isolamento social, observa Kelly.

Quando Jessica, a paratleta, estava se aquecendo antes do início da corrida, outra participante chamou sua atenção e se aproximou. Ela a viu com dificuldade para amarrar o cadarço do tênis por causa das mãos trêmulas e se ofereceu para apertá-lo. "Mesmo em um ambiente competitivo, as pessoas ainda se preocupam umas com as outras", diz Jessica.

O apoio dos espectadores e dos outros participantes "tornou impossível desistir", afirma. "Isso muda sua mentalidade. Passa a ser menos sobre o que você não tem e mais sobre o que você é capaz de fazer".

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Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

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