A formação de cálculos renais é favorecida pela desidratação e pelo consumo excessivo de sal e ultraprocessados. A prevenção exige ingerir de 2,5 a 3 litros diários de líquidos para manter a urina clara. Crises geram dor lombar súbita e intensa com irradiação para a virilha, náuseas e sangue na urina. Casos com febre, dores intratáveis, vômitos persistentes ou falta de urina exigem socorro médico imediato, pois podem indicar infecção associada e risco à função renal.
Em dias muito quentes, o corpo perde mais água pelo suor. Se essa perda não é compensada, a urina fica mais concentrada e favorece a cristalização de substâncias como cálcio, oxalato e ácido úrico, que formam os cálculos renais.
O urologista Pedro Bastos explica que o cálculo não surge de um dia para o outro. Ele pode estar se formando há algum tempo e só depois migrar para o ureter, provocando a dor intensa da cólica renal.
Quanto beber de água para prevenir cálculos renais?
A principal medida para reduzir novas crises é manter um volume urinário adequado. Para quem tem predisposição a cálculos renais, a meta é produzir cerca de 2,5 litros de urina por dia.
Para alcançar esse volume, muitas pessoas precisam ingerir entre 2,5 e 3 litros de líquidos diariamente. Em períodos de calor intenso ou durante exercícios, essa quantidade pode precisar ser ainda maior para compensar as perdas pelo suor.
Uma dica prática é observar a cor da urina. Quando estamos bem hidratados, ela costuma ser mais clara e produzida em bom volume ao longo do dia. Urina muito amarela, em pequeno volume e com longos intervalos entre as idas ao banheiro pode indicar ingestão insuficiente de líquidos.
Vale lembrar que a cor da urina também pode ser alterada por medicamentos, vitaminas e alguns alimentos. Por isso, ela não deve ser analisada isoladamente como único indicador de hidratação.
Alimentação e hábitos que ajudam a prevenir cálculos renais
Além da hidratação, alguns ajustes na alimentação fazem diferença. O consumo excessivo de sal aumenta a eliminação de cálcio pela urina e favorece a formação de alguns dos cálculos mais comuns.
Alimentos ultraprocessados costumam ter muito sódio e devem ser evitados. Refrigerantes açucarados também não devem substituir a água como principal fonte de hidratação.
O álcool, por si só, não "causa pedra nos rins". O problema é que, em determinadas situações, ele favorece a desidratação e faz com que a pessoa deixe de beber água em quantidade suficiente. Durante períodos de calor, a melhor estratégia continua sendo manter a água como principal fonte de hidratação.
Como reconhecer uma crise de cólica renal?
Quando o cálculo se desloca, a cólica renal costuma provocar dor muito intensa e de início súbito. A dor geralmente surge na região lombar ou lateral do abdômen e pode irradiar para a parte inferior do abdômen, virilha ou região genital.
Náuseas e vômitos são frequentes, assim como a possibilidade de sangue na urina. Uma característica típica é que o paciente fica inquieto, mudando constantemente de posição porque não encontra uma posição confortável.
Isso ajuda a diferenciar a cólica renal de uma dor muscular nas costas, que geralmente tem relação com movimento, esforço ou posição. Mesmo assim, nem toda cólica renal apresenta o quadro clássico e o diagnóstico pode exigir exames de imagem.
Quando procurar atendimento médico com urgência?
Alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica imediata. Febre ou calafrios associados à cólica renal são especialmente importantes, pois um cálculo obstruindo o rim junto com uma infecção urinária pode representar uma emergência urológica.
Outros sinais de alerta incluem dor muito intensa que não melhora com analgésicos, vômitos persistentes que impedem a hidratação, diminuição importante ou ausência de urina.
Pacientes que possuem apenas um rim ou já apresentam comprometimento da função renal também devem procurar avaliação. Em uma primeira crise, é recomendável uma avaliação médica para confirmar o diagnóstico e estabelecer a melhor conduta.