Caso Alice Ribeiro: entenda como funciona o processo doação de órgãos

Após a perda da jornalista, debate sobre transplantes ganha força; especialista explica critérios da fila única e como se tornar um doador

17 abr 2026 - 19h35

A morte da jornalista Alice Ribeiro, repórter da Band Minas, comoveu o país nesta sexta-feira (17). Aos 35 anos, ela teve a morte encefálica confirmada após um acidente de trânsito.

Saiba mais sobre a doação de órgãos
Saiba mais sobre a doação de órgãos
Foto: Freepik / Saúde em Dia

Em um gesto de profunda solidariedade, a família autorizou a doação de rins, pâncreas, fígado e córneas.

Publicidade

A decisão pode salvar até dez vidas e traz à tona um debate urgente: o Brasil possui hoje cerca de 66 mil pessoas na fila de transplantes, um dos maiores índices dos últimos 25 anos.

Para o Dr. Lucas Nacif, cirurgião do aparelho digestivo e membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), a informação é a principal ferramenta para desmistificar o tema e reduzir o receio das famílias.

Como funciona a fila única no Brasil?

Uma das maiores dúvidas da população é sobre a transparência do processo. O Dr. Nacif esclarece que a lista é centralizada, auditada e segue critérios rígidos de compatibilidade e urgência.

"A lista da fila do transplante é única, séria e sobretudo criteriosa. Ela relaciona todas as pessoas que precisam de um órgão, sejam oriundas de hospitais públicos ou privados", afirma o cirurgião.

Publicidade

"A ordem de prioridade é definida pela gravidade da doença e pelo histórico do paciente. Por isso, quem está em um quadro mais crítico acaba sendo priorizado", acrescenta.

Doação em vida e doação pós-morte

Existem duas formas de ser um doador, cada uma com suas especificidades:

  1. Doador falecido: Como no caso de Alice Ribeiro, ocorre após a confirmação da morte encefálica. É essencial que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora, pois a palavra final no Brasil é da família.

  2. Doador vivo: Pode-se doar um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão ou medula óssea. Para isso, o doador precisa gozar de excelente saúde para não comprometer suas próprias funções vitais.

Critérios de avaliação e saúde dos órgãos

O procedimento de transplante é complexo. Antes da retirada, as equipes médicas realizam uma pré-avaliação criteriosa do doador.

"Geralmente, consideramos que o paciente internado por até 7 dias é ideal para a captação. Casos que vão além desse prazo não são necessariamente descartados, mas avaliados caso a caso", explica o Dr. Lucas Nacif.

A cultura da doação

Embora os números de transplantes tenham crescido, o Brasil ainda precisa avançar na educação contínua.

Um único doador falecido tem o potencial de salvar ou melhorar a qualidade de vida de até dez pessoas que aguardam por uma nova chance.

Publicidade
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se