Câmara de crioterapia ou gelo? Comparando temperatura, tempo e benefícios

O uso do frio no corpo, seja por meio de uma câmara de crioterapia ou de uma banheira com água gelada e gelo, tornou-se comum entre atletas e pessoas em reabilitação física. Compare métodos e benefícios.

27 fev 2026 - 10h03

O uso do frio no corpo, seja por meio de uma câmara de crioterapia ou de uma banheira com água gelada e gelo, tornou-se comum entre atletas e pessoas em reabilitação física. Ambos os métodos têm o mesmo princípio básico. Ou seja, expor o organismo a baixas temperaturas por um período curto, com o objetivo de reduzir processos inflamatórios e acelerar a recuperação. No entanto, a forma como cada técnica atua, a intensidade do estímulo e a experiência sensorial são bem diferentes.

Com o aumento da popularidade desses recursos, surgem dúvidas sobre qual opção se adequa para cada situação. As diferenças envolvem não apenas a tecnologia utilizada, mas também o tempo de exposição, o impacto na pele, nos músculos e na circulação, além de questões práticas como segurança, custo e acessibilidade.

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Nesse tipo de crioterapia, o frio atinge principalmente a superfície corporal de forma muito rápida – depositphotos.com / rossandhelen
Nesse tipo de crioterapia, o frio atinge principalmente a superfície corporal de forma muito rápida – depositphotos.com / rossandhelen
Foto: Giro 10

O que é crioterapia de corpo inteiro?

A criotrapia de corpo inteiro, geralmente realizada em uma câmara de crioterapia, consiste na exposição do corpo a temperaturas extremamente baixas, que podem chegar a valores abaixo de -100 °C, por poucos minutos. A pessoa entra em uma cabine ou câmara, normalmente usando proteção para mãos, pés, orelhas e boca, permanecendo em posição ereta enquanto o equipamento libera ar resfriado ou vapor de nitrogênio.

Nesse tipo de crioterapia, o frio atinge principalmente a superfície corporal de forma muito rápida. O organismo responde com vasoconstrição intensa, isto é, os vasos sanguíneos se estreitam para preservar a temperatura interna. Após sair da câmara, ocorre vasodilatação reativa, aumentando o fluxo sanguíneo para a pele e tecidos mais superficiais. Esse ciclo de constrição e dilatação está associado a alívio de dor, sensação de relaxamento muscular e redução de edema em algumas situações clínicas e esportivas.

A câmara de crioterapia também costuma ser usada em protocolos padronizados em clínicas, centros esportivos e espaços de reabilitação, com tempo controlado e monitoramento profissional. Isso permite ajustar a duração da sessão, a temperatura e a frequência de uso de acordo com o objetivo terapêutico ou de recuperação física.

Qual é a diferença entre crioterapia e banho de gelo no corpo?

Apesar de ambos utilizarem o frio como agente principal, a diferença entre crioterapia e banho de gelo está no tipo de contato com o corpo, na profundidade de ação e na resposta fisiológica. Na câmara de crioterapia, o corpo é exposto ao frio seco e extremo por um período bem curto. Já no banho de gelo, a imersão em água gelada proporciona um resfriamento mais gradual e prolongado, com ação direta sobre a pele, músculos e articulações submersas.

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No gelo com água, a condução térmica é mais intensa, porque a água retira calor do corpo de forma muito eficiente. Isso faz com que a temperatura dos tecidos mude de maneira mais profunda ao longo dos minutos de imersão. Em contrapartida, a crioterapia de corpo inteiro, embora trabalhe com temperaturas mais baixas no ambiente, atua principalmente na camada externa e na resposta circulatória sistêmica, com tempo de exposição bem menor.

Outra diferença importante está na experiência sensorial. O banho de gelo costuma gerar desconforto mais intenso e prolongado, especialmente nos primeiros minutos, enquanto muitas pessoas relatam tolerar melhor a sessão em câmara de crioterapia, justamente pela menor duração e pelo fato de não estarem molhadas. Essas características têm impacto direto na adesão ao tratamento ou ao protocolo de recuperação.

A banheira com água gelada e gelo é um recurso clássico em clubes, academias e ambientes de fisioterapia esportiva – depositphotos.com / micheleursi.hotmail.com
Foto: Giro 10

Banheira de gelo: como o corpo reage à imersão?

A banheira com água gelada e gelo é um recurso clássico em clubes, academias e ambientes de fisioterapia esportiva. Nela, a pessoa permanece sentada ou em pé com parte do corpo ou o corpo inteiro submerso em água fria, geralmente entre 8 °C e 15 °C, por períodos que podem variar de 5 a 15 minutos, dependendo da orientação profissional e da tolerância individual.

Durante a imersão, a água exerce dois efeitos principais: o frio intenso e a pressão hidrostática. O frio reduz a velocidade das reações metabólicas locais, o que pode colaborar para diminuir inflamação e dor em músculos sobrecarregados após treinos ou competições. Já a pressão da água sobre os tecidos auxilia no retorno venoso e linfático, contribuindo para menor retenção de líquidos e sensação de inchaço nas pernas, por exemplo.

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A resposta fisiológica ao banho de gelo inclui:

  • Vasoconstrição local, com redução do fluxo sanguíneo temporária;
  • Diminuição da condução nervosa, o que pode diminuir a percepção de dor;
  • Possível redução de microlesões musculares associadas a exercícios intensos;
  • Sensação de rigidez temporária logo após sair da água, com recuperação gradual do movimento.

Quais são as principais diferenças práticas entre câmara de crioterapia e gelo?

Ao comparar os dois métodos, surgem diferenças práticas que influenciam a escolha de cada um. No dia a dia, fatores como facilidade de uso, custo, espaço disponível e necessidade de supervisão profissional pesam bastante.

  1. Intensidade e tipo de frio
    • Câmara de crioterapia: frio seco, temperaturas muito baixas, tempo curto (geralmente 2 a 4 minutos).
    • Banheira de gelo: frio úmido, água gelada em contato direto com a pele, tempo maior (cerca de 5 a 15 minutos).
  2. Profundidade de ação
    • Câmara: ação mais sistêmica e superficial, com foco na resposta circulatória geral.
    • Gelo na água: resfriamento mais profundo dos tecidos submersos, com efeito marcado em músculos e articulações.
  3. Estrutura e custo
    • Câmara de crioterapia: exige equipamento especializado, investimento maior e, em geral, uso em clínicas ou centros esportivos.
    • Banheira com gelo: pode ser improvisada com recursos simples, tendo custo menor e maior acessibilidade.
  4. Monitoramento e segurança
    • Ambos os métodos exigem atenção a tempo de exposição, histórico de saúde e sensibilidade ao frio.
    • Pessoas com problemas circulatórios, cardíacos ou neurológicos precisam de avaliação profissional antes de utilizar qualquer uma das técnicas.

Como escolher entre crioterapia e banho de gelo de forma responsável?

A escolha entre uma câmara de crioterapia e uma banheira de água com gelo depende do objetivo, das condições físicas da pessoa e do contexto em que o frio será aplicado. Em ambientes com equipe de saúde ou de preparação física, a decisão costuma levar em conta o tipo de esporte, o calendário de treinos, o histórico de lesões e possíveis limitações clínicas.

De modo geral, alguns pontos costumam ser considerados:

  • Para recuperação rápida após esforços intensos, ambas as técnicas são utilizadas em diferentes protocolos de alto rendimento.
  • Para regiões específicas do corpo, como tornozelo ou joelho, muitas vezes a imersão parcial em gelo ou o uso de bolsas frias é priorizado.
  • Para experiências pontuais ou em locais sem grande infraestrutura, a banheira com água gelada é mais viável.

Independentemente da escolha, a recomendação geral em 2026 segue no sentido de que a crioterapia, em qualquer formato, seja aplicada com orientação adequada, respeitando limites individuais, tempo de uso e possíveis contraindicações. Dessa forma, o frio passa a ser um recurso complementar dentro de um conjunto mais amplo de estratégias de recuperação e cuidado com o corpo.

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