Aprenda a ler sua ferritina: quando o resultado acende alerta

Entenda o que os níveis de ferritina dizem sobre sua saúde, desde a falta de energia até o risco de doenças inflamatórias graves

1 abr 2026 - 17h12

Você recebeu o resultado do seu exame de sangue e a ferritina está fora do padrão? Esse é um dos indicadores mais importantes do hemograma.

Veja como analisar o exame de sangue
Veja como analisar o exame de sangue
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

A ferritina é uma proteína produzida pelo fígado e sua principal função é armazenar o ferro no organismo.

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O ferro é o combustível para a produção de hemoglobina, que leva oxigênio para todo o corpo. Sem ferro, o organismo não produz energia.

Porém, o contrário também é perigoso: o excesso pode ser tóxico. Entender esse equilíbrio é vital para prevenir doenças que vão da anemia à cirrose.

Ferritina baixa: Por que o estoque esvaziou?

Quando a ferritina está baixa, o corpo está usando suas reservas de ferro. Isso geralmente indica uma deficiência nutricional ou perda de sangue.

Em entrevista ao portal Drauzio Varella, a hematologista Dra. Fabiola Pabst Bremer fala sobre as causas mais comuns:

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  • Alimentação inadequada: Dieta pobre em fontes de ferro (carnes, leguminosas e vegetais escuros).

  • Problemas de absorção: Doenças como a celíaca impedem que o intestino absorva o mineral.

  • Sangramentos crônicos: Fluxo menstrual intenso em mulheres jovens ou sangramentos gastrointestinais silenciosos em idosos.

Se não tratada, a ferritina baixa evolui para a anemia, causando cansaço extremo, palidez e queda de cabelo.

Ferritina alta: Nem sempre é excesso de ferro

Muitas pessoas se assustam com a ferritina alta achando que têm ferro demais, mas nem sempre é o caso. A ferritina é um "marcador de fase aguda".

Isso significa que ela sobe quando o corpo está enfrentando uma inflamação ou infecção.

Doenças como a Covid-19, lúpus e síndrome metabólica (ligada à obesidade e diabetes) costumam elevar os níveis.

Existe também a hemocromatose, uma condição genética onde o corpo realmente absorve ferro demais.

"O excesso de ferro livre pode ser tóxico e se depositar no fígado e coração, levando à cirrose ou insuficiência cardíaca", alerta a hematologista Dra. Cristiane de Oliveira Henriques.

Quais são os valores normais?

Os números de referência podem variar conforme o laboratório, mas a média geral utilizada pelos médicos é:

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  • Mulheres: de 30 ng/mL a 300 ng/mL.

  • Homens: de 30 ng/mL a 350 ng/mL.

Atenção: A Dra. Cristiane ressalta que a ferritina sozinha não fecha diagnóstico. É preciso avaliar outros exames, como o ferro sérico e a saturação de transferrina.

Como tratar as alterações?

Para ferritina baixa:

O foco é a reposição. Pode ser feita via oral, com suplementos, ou por infusão na veia em casos mais graves. Além disso, é essencial tratar a causa (como ajustar a dieta ou controlar o fluxo menstrual).

Para ferritina alta:

O tratamento depende da causa. Se for inflamação, trata-se a doença base.

Se for excesso real de ferro (hemocromatose), o médico pode indicar a sangria terapêutica (retirada de sangue semelhante a uma doação) ou o uso de medicamentos quelantes, que ajudam o corpo a expelir o excesso do mineral.

Dicas para manter o ferro em dia:

  1. Combine ferro com vitamina C: Comer uma laranja após o feijão ajuda na absorção.

  2. Evite cafeína após as refeições: Café e chá preto atrapalham a absorção do ferro.

  3. Check-up anual: Monitore sua ferritina pelo menos uma vez ao ano.

  4. Não se automedique: Suplemento de ferro sem necessidade pode sobrecarregar o fígado.

O equilíbrio é a chave

A ferritina é o termômetro da sua saúde interna. Seja pelo cansaço da falta ou pelo risco inflamatório do excesso, ignorar esse resultado é um erro.

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Consulte sempre um hematologista para interpretar seus exames e garantir que seu "estoque" esteja no nível perfeito.

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