Uma revisão de estudos avaliou a relação entre a apneia obstrutiva do sono (AOS) e o câncer de pulmão. Embora os dados epidemiológicos sejam inconsistentes, a hipóxia intermitente e a fragmentação do sono são apontadas como mecanismos biológicos que elevam o estresse oxidativo e a inflamação, podendo favorecer a proliferação tumoral e a evasão imune. Pesquisas sugerem que o CPAP pode mitigar riscos, mas ainda não há evidências suficientes de que o aparelho previna a doença ou aumente a sobrevida.
30 de outubro de 2026 (Bibliomed). A apneia obstrutiva do sono (AOS) afeta milhões de pessoas em todo o mundo e está associada a doenças cardiovasculares, metabólicas e neoplásicas. A variação na taxa de oxigenação, chamada de hipóxia intermitente, e a fragmentação do sono são as principais alterações patológicas. O câncer de pulmão continua sendo uma das principais causas de morte por câncer, e evidências recentes sugerem que a AOS pode influenciar o início e a progressão do câncer de pulmão, mas os achados epidemiológicos são inconsistentes.
Pesquisadores chineses realizaram uma revisão de estudos que incluíram estudos que avaliara se pessoas com apneia presentam maior incidência ou mortalidade por câncer de pulmão; estudos experimentais em células e animais, usados para investigar os possíveis mecanismos biológicos; evidências sobre hipóxia intermitente, inflamação, estresse oxidativo e alterações do sistema imune; e possíveis efeitos do tratamento da apneia, especialmente o uso do CPAP.
Os resultados foram considerados inconsistentes, com algumas pesquisas indicando maior risco de câncer de pulmão em pessoas com apneia obstrutiva do sono, especialmente com existe hipoxemia noturna intensa, enquanto outras não encontraram associação significativa entre os fatos.
Para os pesquisadores, a hipóxia intermitente é o principal mecanismo suspeito da relação entre apneia obstrutiva do sono e risco de câncer de pulmão. A teoria é de que durante os episódios de apneia, ocorre repetidamente queda e recuperação dos níveis de oxigênio. Essa hipóxia intermitente pode estimular mecanismos que favorecem o crescimento tumoral.
Os pesquisadores também acreditam que a hipóxia intermitente e a fragmentação do sono aumentam estresse oxidativo e inflamação, alterações que podem modificar o microambiente ao redor do tumor e favorecer proliferação e invasão das células cancerosas. Eles também trabalham com a possibilidade de que a apneia obstrutiva do sono possa alterar a resposta imunológica e facilitar a evasão das células tumorais pelo sistema imune e aumentar características relacionadas à agressividade tumoral, estimulando a metástase, especialmente em casos graves de apneia.
Por fim, sobre o uso do CPAP, alguns estudos sugerem que o uso do aparelho pode reduzir a incidência ou melhorar o prognóstico do câncer de pulmão. Entretanto, os dados ainda não são suficientes para concluir que o CPAP previna câncer ou melhore diretamente a sobrevida desses pacientes.
Fonte: Exploratory Research and Hypothesis in Medicine. DOI: 10.14218/ERHM.2025.00040.