Alguns pacientes dependem de um sangue muito mais difícil de encontrar

Descubra por que encontrar sangue compatível pode ser mais difícil para alguns pacientes e o que isso tem a ver com a doação de sangue.

3 jun 2026 - 11h30
(atualizado às 11h30)

Quando alguém precisa de uma transfusão de sangue, a maioria das pessoas imagina que basta encontrar uma bolsa compatível com o tipo sanguíneo do paciente e pronto. Mas nem sempre é assim.

Em alguns casos, a busca pode ser muito mais complicada.

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Há pacientes que desenvolvem anticorpos ao longo da vida e passam a depender de bolsas com características bastante específicas, nem sempre fáceis de encontrar nos bancos de sangue.

Essa realidade pouco conhecida ajuda a explicar por que a doação de sangue continua sendo tão importante.

Mais do que manter os estoques abastecidos para emergências, ela também garante que pessoas com necessidades complexas tenham acesso ao tratamento de que precisam.

Em meio às ações do Junho Vermelho, campanha nacional de incentivo à doação de sangue, o SaúdeLab conversou com a hematologista, hemoterapeuta e oncologista pediátrica Dra. Renata Sarkis sobre os desafios que envolvem a compatibilidade sanguínea.

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Na entrevista, a especialista explica por que alguns pacientes precisam de transfusões mais complexas, qual é o papel estratégico do sangue O negativo e por que a participação contínua dos doadores continua sendo essencial para os hemocentros.

A necessidade de sangue não acontece apenas em emergências

Embora acidentes e situações de urgência costumem chamar mais atenção, a demanda por sangue é permanente.

Todos os dias, hospitais utilizam bolsas de sangue em cirurgias, tratamentos oncológicos, transplantes, partos de risco e no acompanhamento de pacientes com diversas doenças.

A Dra. Renata destaca que os hemocentros precisam manter estoques seguros durante todo o ano.

"Sempre há vários pacientes precisando. Um dia pode ser alguém da sua família", lembra.

Essa dependência contínua existe porque, apesar dos avanços da medicina, ainda não há uma alternativa capaz de reproduzir todas as funções do sangue humano.

Por isso, os bancos de sangue dependem exclusivamente da solidariedade dos doadores.

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"Não há nada que substitua o sangue. Então, precisamos de doadores regulares", reforça a especialista.

Além disso, uma única doação pode beneficiar mais de uma pessoa. Após a coleta, os componentes sanguíneos são separados e utilizados de acordo com a necessidade de cada paciente.

Existe um tipo de sangue mais importante para os hemocentros?

A resposta não é tão simples quanto parece.

"Todos os tipos sanguíneos são importantes, mas alguns têm um papel mais estratégico, e é importante manter o estoque sempre em dia", afirma a hematologista Dra. Renata Sarkis.

Por isso, os hemocentros precisam manter não apenas a quantidade de bolsas necessária para atender a demanda diária, mas também uma grande diversidade de perfis sanguíneos.

Esse cuidado ajuda a garantir atendimento tanto em situações de emergência quanto para pacientes que dependem de compatibilizações mais complexas.

Sangue compatível
Sangue compatível
Foto: SaúdeLAB

Sangue compatível / Canva

Por que o O negativo recebe atenção especial

Entre os diferentes grupos sanguíneos, o O negativo merece atenção especial dos serviços de hemoterapia.

Em atendimentos de emergência, quando não há tempo para identificar rapidamente o tipo sanguíneo do paciente, esse sangue pode ser utilizado para transfusões de hemácias.

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"Pessoas com tipo sanguíneo O são consideradas doadores universais, e o O negativo, especificamente, pode ser usado em qualquer indivíduo, sendo muito utilizado em situações de emergência", explica a Dra. Renata Sarkis.

Por causa desse papel nas situações de urgência, os hemocentros acompanham seus estoques com atenção redobrada.

"Quando seu estoque está baixo, liga-se o sinal de alerta", destaca a médica.

Ainda assim, a especialista reforça que a preocupação com o O negativo não diminui a importância dos demais grupos sanguíneos.

Afinal, manter estoques diversificados é essencial para que cada paciente receba o sangue mais adequado às suas necessidades.

Quando encontrar sangue compatível se torna mais difícil

Nem sempre encontrar sangue compatível depende apenas de saber se o paciente é dos tipos A, B, AB ou O e se o sangue é positivo ou negativo (característica conhecida como fator Rh).

"Alguns pacientes com doenças que exigem várias transfusões podem desenvolver anticorpos", explica a hematologista Dra. Renata Sarkis.

Quando isso acontece, a compatibilização se torna mais complexa e pode exigir avaliações adicionais para identificar o sangue mais adequado para aquele paciente.

O que é sangue fenotipado

É justamente nesse momento que entra o chamado sangue fenotipado.

A especialista explica que, além das classificações mais conhecidas, como os tipos A, B, AB e O e os fatores positivo e negativo, existem outras características presentes nas hemácias que também podem ser levadas em consideração durante a compatibilização.

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"Precisamos, por vezes, convocar determinados doadores com fenótipos específicos para poder atender esses pacientes", afirma.

Nesses casos, são realizados testes adicionais para identificar características que ajudam a encontrar a bolsa mais adequada para cada paciente.

"São necessários testes ainda mais específicos para realizar a compatibilização e a transfusão", acrescenta a médica.

Essa é uma das razões pelas quais a diversidade de doadores é tão importante.

Em determinadas situações, não basta apenas ter sangue disponível. É preciso encontrar exatamente o perfil sanguíneo de que aquele paciente necessita.

Quem pode doar sangue

A maior parte das pessoas saudáveis pode se tornar doadora.

De acordo com a especialista, podem doar pessoas entre 16 e 69 anos, 11 meses e 29 dias, desde que a primeira doação tenha ocorrido antes dos 60 anos.

Menores de idade precisam apresentar autorização do responsável.

Também é necessário pesar mais de 50 quilos, estar em boas condições de saúde, alimentado e hidratado no momento da coleta.

Antes da doação, todos passam por uma avaliação que inclui pressão arterial, frequência cardíaca, níveis de hemoglobina e histórico recente de saúde.

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Dúvidas sobre tatuagens, piercings e medicamentos são frequentes entre quem pretende doar sangue.

"Tudo isso é avaliado na triagem, caso a caso", explica a hematologista Dra. Renata Sarkis.

Segundo a especialista, tatuagens e piercings costumam exigir um período de espera entre seis e doze meses. Já a maioria dos medicamentos não impede a doação.

A pressão muito baixa também pode levar ao adiamento temporário da coleta para preservar a segurança do próprio doador.

Uma necessidade que existe o ano inteiro

O Junho Vermelho ajuda a lembrar a população sobre a importância da doação de sangue, mas a necessidade dos pacientes não termina quando a campanha acaba.

Todos os dias, hospitais dependem de bolsas de sangue para salvar vidas.

Em alguns casos, encontrar compatibilidade é relativamente simples. Em outros, a busca pode ser muito mais complexa e exigir doadores com características bastante específicas.

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Por isso, manter uma rede ativa de doadores é tão importante.

"Precisamos muito dos doadores", resume a Dra. Renata.

Para quem recebe uma transfusão, uma bolsa de sangue pode representar muito mais do que um tratamento. Pode significar a chance de continuar uma terapia, enfrentar uma cirurgia com segurança ou simplesmente ter mais tempo para viver.

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Fonte: SaúdeLAB
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