É muito provável que você preste atenção no açúcar, no sal e na gordura quando pensa em uma alimentação saudável. Mas existe outro grupo de substâncias que passa despercebido pela maioria das pessoas e vem despertando o interesse da ciência.
São os chamados produtos finais da glicação avançada, conhecidos pela sigla AGEs.
Eles costumam estar presentes em maior quantidade em alimentos ultraprocessados, carnes processadas e preparações feitas em altas temperaturas, como frituras e grelhados.
Agora, uma nova análise com mais de 40 mil mulheres sugere que uma alimentação com menos gordura e mais alimentos de origem vegetal pode reduzir de forma duradoura a ingestão desses compostos.
O que são os AGEs?
Apesar do nome complicado, a ideia é simples. Os AGEs são moléculas que podem ser produzidas naturalmente pelo organismo, mas também podem ser ingeridas por meio da alimentação.
Eles vêm sendo estudados porque, em diferentes pesquisas, uma maior exposição a esses compostos foi associada à inflamação crônica e a alterações metabólicas.
O que a pesquisa mostrou?
O estudo analisou dados de mais de 40 mil mulheres entre 50 e 79 anos que participaram do Women's Health Initiative, um dos maiores acompanhamentos sobre saúde feminina já realizados nos Estados Unidos.
Parte das participantes recebeu orientação para reduzir o consumo de gordura e aumentar a ingestão de frutas, verduras, legumes e grãos. As demais continuaram com a alimentação habitual.
Depois de cerca de sete anos, as mulheres que seguiram essa estratégia apresentavam uma ingestão estimada de AGEs significativamente menor, diferença que apareceu logo no primeiro ano e se manteve ao longo do acompanhamento.
O benefício veio sem regras complicadas
Um detalhe chamou a atenção dos pesquisadores.
As participantes não foram orientadas a mudar a forma de cozinhar os alimentos nem receberam recomendações específicas para evitar os AGEs.
A redução aconteceu porque passaram a consumir menos carnes processadas, gorduras e alimentos ultraprocessados, enquanto deram mais espaço aos alimentos de origem vegetal.
Ou seja, a melhora foi consequência da mudança no padrão alimentar como um todo.
O que isso muda na prática?
O estudo não mostra que reduzir os AGEs previne câncer, doenças cardiovasculares ou qualquer outro problema de saúde.
O que ele indica é que uma alimentação baseada em alimentos mais naturais também diminui a exposição a compostos que vêm sendo investigados por sua possível participação em processos inflamatórios e metabólicos.
Na prática, a recomendação continua sendo a mesma defendida pelas diretrizes de saúde. O ideal é aumentar o consumo de frutas, verduras, legumes, feijões e grãos integrais.
Já carnes processadas, frituras e alimentos ultraprocessados devem aparecer com menos frequência na rotina.
Publicado no British Journal of Cancer, o estudo acrescenta uma nova peça a esse quebra-cabeça.
Em vez de olhar apenas para calorias ou quantidade de gordura, o estudo reforça que a qualidade dos alimentos escolhidos também importa quando pensamos nos compostos aos quais o organismo é exposto.
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