Acordar com aquela sensação de "arranhado" ou dificuldade para engolir é o primeiro sinal de que algo não vai bem.
No entanto, o maior erro cometido nessas horas é correr para a caixa de antibióticos guardada no armário.
Segundo uma pesquisa do Instituto Qualisa de Gestão (IQG), em quase 88% dos hospitais brasileiros, o uso desses remédios ainda ocorre por "tentativa e erro".
Dor de garganta: viral ou bacteriana?
O uso desnecessário de antibióticos não cura infecções virais e ainda fortalece bactérias resistentes.
Para te ajudar a agir de forma segura, o otorrinolaringologista Dr. Fabrizio Romano explica como decifrar os sinais do seu corpo.
1. A intensidade da dor é "localizada" e aguda?
Nas infecções bacterianas, a dor tende a ser muito mais forte e concentrada em um ponto específico da garganta.
Se você sente que a dor é insuportável e dificulta até a ingestão de líquidos, o alerta liga para uma possível bactéria. Nas virais, a dor costuma ser mais difusa e leve.
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2. Há presença de febre alta?
Este é um divisor de águas.
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Vírus: A febre, quando aparece, costuma ser baixa.
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Bactérias: São frequentemente acompanhadas por febre alta (acima de 38,5°C) e um forte mal-estar generalizado, incluindo dores nas articulações.
3. Existem outros sintomas de resfriado?
Observe o "conjunto da obra". Se além da dor de garganta você apresenta coriza, congestão nasal e tosse, as chances de ser uma infecção viral são altíssimas.
Antibióticos não matam vírus; nesses casos, o corpo precisa de repouso e hidratação para se recuperar.
4. Como está o aspecto da garganta?
Embora o diagnóstico final seja médico, a ausência de sintomas respiratórios (como tosse) associada a gânglios inchados no pescoço e pontos de pus nas amígdalas são sinais clássicos de que o antibiótico pode ser necessário.
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5. Qual é a duração dos sintomas?
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Aguda: Dura alguns dias e geralmente resolve-se com suporte (hidratação e anti-inflamatórios).
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Crônica: Se a dor persiste por semanas ou meses, o problema pode ser outro (como refluxo ou irritação por poluição) e o uso de antibiótico seria inútil e prejudicial.
Como tratar sem exageros?
Para a maioria dos casos (virais), a estratégia deve ser o alívio do desconforto enquanto o sistema imune trabalha. Dr. Fabrizio recomenda:
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Hidratação constante: Protege as mucosas.
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Repouso e silêncio: Evitar o esforço vocal ajuda na recuperação.
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Cuidado Proporcional: Muitas pastilhas são apenas anestésicas e o efeito passa rápido. O ideal é buscar soluções que contenham anti-inflamatórios (como o Flurbiprofeno), que tratam a inflamação diretamente e oferecem alívio prolongado.
Veredito: Se a dor for intensa, a febre for alta e não houver sinais de resfriado, procure um médico. Nunca se automedique com antibióticos.