Você já sentiu um "frio na barriga" antes de uma apresentação importante? Ou talvez tenha ficado com o intestino preso após passar por uma situação de grande estresse?
Estudos colocam um novo protagonista no centro do palco do bem-estar emocional: o intestino.
Conhecido cientificamente como o nosso "segundo cérebro", esse órgão faz muito mais do que apenas processar o almoço de domingo.
Ele abriga uma comunidade complexa de microrganismos e é uma verdadeira fábrica de neurotransmissores.
Intestino e Saúde Mental
A analogia não é exagero. O intestino possui seu próprio sistema nervoso, chamado de Sistema Nervoso Entérico (SNE).
São milhões de neurônios que revestem o trato gastrointestinal. Essa rede neural é capaz de operar de forma independente, mas mantém uma linha direta com o sistema nervoso central.
Essa comunicação ocorre através do nervo vago, uma espécie de "rodovia" de mão dupla onde informações sobem e descem constantemente.
Quando o intestino está inflamado ou em desequilíbrio (disbiose), ele envia sinais de alerta para o cérebro. O resultado? Alterações de humor, irritabilidade e até quadros depressivos.
A fábrica de felicidade
Um dado surpreendente costuma mudar a forma como as pessoas enxergam a digestão.
De acordo com especialistas, cerca de 90% da serotonina do corpo humano é sintetizada no intestino, e não no cérebro.
A serotonina é o neurotransmissor "celebridade" quando o assunto é bem-estar. Ela regula:
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O humor;
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O apetite;
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O sono;
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A cognição e a memória;
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A temperatura corporal.
Portanto, se a fábrica (o intestino) não vai bem, a produção desse "hormônio da felicidade" cai drasticamente.
Segundo a Dra. Jennifer Emerick, nutróloga e gastroenterologista, manter a integridade do sistema digestivo é, portanto, uma estratégia de saúde mental.
Sinais de que a conexão está falhando
Como saber se o seu desânimo tem origem intestinal? O corpo costuma dar pistas.
A queda nos níveis de serotonina, provocada por um intestino doente, gera sintomas que vão além da dor de barriga.
Fique atento aos seguintes sinais
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Fome emocional: Um desejo incontrolável por doces e carboidratos refinados (pães, massas). O corpo pede açúcar na tentativa desesperada de obter energia rápida e elevar a serotonina momentaneamente.
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Alterações de sono: Insônia ou sono não reparador são comuns, já que a serotonina é precursora da melatonina (o hormônio do sono).
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Fadiga crônica: Aquele cansaço que não passa mesmo após descansar.
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Irritabilidade e ansiedade: Pavio curto e sensação de alerta constante.
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Distúrbios digestivos óbvios: Constipação, diarreia, gases e inchaço abdominal frequente.
5 Pilares para cuidar do seu segundo cérebro
A boa notícia é que, ao contrário de fatores genéticos imutáveis, a saúde intestinal é altamente responsiva ao estilo de vida.
Segundo a Dra. Jennifer Emerick, a abordagem deve ser multifatorial. Não existe pílula mágica, mas existe construção de hábitos.
Confira abaixo as 5 estratégias essenciais para blindar seu intestino e, por tabela, sua mente.
1. Hidratação inteligente
Parece básico, mas a água é o veículo de transporte de tudo o que acontece no corpo.
Sem água suficiente, o intestino grosso "rouba" líquido das fezes para manter o corpo hidratado, resultando em constipação.
Fezes paradas no intestino fermentam e produzem toxinas que podem passar para a corrente sanguínea, aumentando a inflamação sistêmica.
2. A vez das fibras
As fibras são o alimento das bactérias boas que vivem em você. Elas atuam como uma "vassoura", limpando o trato digestivo e garantindo volume ao bolo fecal.
Aposte em aveia, linhaça, chia, legumes crus e frutas com casca.
3. Probióticos e fermentados
Se as fibras são o alimento, os probióticos são os "soldados". Incluir alimentos fermentados na dieta ajuda a repovoar a flora intestinal com microrganismos benéficos.
Boas opções incluem:
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Iogurte natural;
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Kefir;
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Kombucha;
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Chucrute (repolho fermentado).
4. Gerenciamento do estresse
O estresse crônico é veneno para o intestino. Ele libera cortisol, um hormônio que, em excesso, aumenta a permeabilidade intestinal (Leaky Gut).
Isso permite que pedaços de comida mal digerida e toxinas "vazem" para o sangue. Práticas como mindfulness, meditação ou apenas pausas estratégicas no dia são vitais para a digestão.
5. Atividade física regular
O intestino precisa de movimento mecânico. Caminhar, correr ou nadar estimula o peristaltismo (os movimentos involuntários que empurram a comida).
Além disso, o exercício por si só já estimula a liberação de endorfinas e serotonina, criando um ciclo virtuoso.
Como aumentar a serotonina naturalmente?
Além de cuidar da "casa" da serotonina (o intestino), você pode fornecer a matéria-prima para sua produção.
A serotonina é feita a partir de um aminoácido chamado triptofano. O corpo não produz triptofano; ele precisa vir da dieta.
Alimentos ricos em triptofano:
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Ovos;
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Banana (especialmente com aveia);
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Chocolate amargo (acima de 70% cacau);
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Peixes e carnes magras;
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Grão-de-bico;
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Nozes e castanhas.
Importância do sol e suplementação
A exposição à luz solar também é um catalisador natural. A luz ajuda a regular o ciclo circadiano e estimula a produção de neurotransmissores.
Em casos mais severos, onde a alimentação não basta, a suplementação pode ser necessária.
Sob orientação médica, o uso de 5-HTP (um precursor direto da serotonina), Magnésio e Vitamina B6 pode ser indicado para "destravar" essa produção química.
Cuidar do intestino deixou de ser apenas uma questão estética ou de conforto digestivo. Hoje, é uma das frentes mais promissoras da psiquiatria nutricional e da medicina preventiva.
Portanto, se você quer curar sua mente, comece olhando para o seu prato!