Segundo cérebro: a relação entre intestino e saúde mental

Descubra a poderosa conexão entre o sistema digestivo e suas emoções. Entenda como a serotonina produzida no intestino define seu humor e bem-estar

24 jan 2026 - 13h40

Você já sentiu um "frio na barriga" antes de uma apresentação importante? Ou talvez tenha ficado com o intestino preso após passar por uma situação de grande estresse? 

Entenda como o intestino afeta a saúde mental
Entenda como o intestino afeta a saúde mental
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Estudos colocam um novo protagonista no centro do palco do bem-estar emocional: o intestino.

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Conhecido cientificamente como o nosso "segundo cérebro", esse órgão faz muito mais do que apenas processar o almoço de domingo. 

Ele abriga uma comunidade complexa de microrganismos e é uma verdadeira fábrica de neurotransmissores.

Intestino e Saúde Mental

A analogia não é exagero. O intestino possui seu próprio sistema nervoso, chamado de Sistema Nervoso Entérico (SNE).

São milhões de neurônios que revestem o trato gastrointestinal. Essa rede neural é capaz de operar de forma independente, mas mantém uma linha direta com o sistema nervoso central.

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Essa comunicação ocorre através do nervo vago, uma espécie de "rodovia" de mão dupla onde informações sobem e descem constantemente.

Quando o intestino está inflamado ou em desequilíbrio (disbiose), ele envia sinais de alerta para o cérebro. O resultado? Alterações de humor, irritabilidade e até quadros depressivos.

A fábrica de felicidade

Um dado surpreendente costuma mudar a forma como as pessoas enxergam a digestão.

De acordo com especialistas, cerca de 90% da serotonina do corpo humano é sintetizada no intestino, e não no cérebro.

A serotonina é o neurotransmissor "celebridade" quando o assunto é bem-estar. Ela regula:

  • O humor;

  • O apetite;

  • O sono;

  • A cognição e a memória;

  • A temperatura corporal.

Portanto, se a fábrica (o intestino) não vai bem, a produção desse "hormônio da felicidade" cai drasticamente.

Segundo a Dra. Jennifer Emerick, nutróloga e gastroenterologista, manter a integridade do sistema digestivo é, portanto, uma estratégia de saúde mental.

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Sinais de que a conexão está falhando

Como saber se o seu desânimo tem origem intestinal? O corpo costuma dar pistas.

A queda nos níveis de serotonina, provocada por um intestino doente, gera sintomas que vão além da dor de barriga.

Fique atento aos seguintes sinais

  1. Fome emocional: Um desejo incontrolável por doces e carboidratos refinados (pães, massas). O corpo pede açúcar na tentativa desesperada de obter energia rápida e elevar a serotonina momentaneamente.

  2. Alterações de sono: Insônia ou sono não reparador são comuns, já que a serotonina é precursora da melatonina (o hormônio do sono).

  3. Fadiga crônica: Aquele cansaço que não passa mesmo após descansar.

  4. Irritabilidade e ansiedade: Pavio curto e sensação de alerta constante.

  5. Distúrbios digestivos óbvios: Constipação, diarreia, gases e inchaço abdominal frequente.

5 Pilares para cuidar do seu segundo cérebro

A boa notícia é que, ao contrário de fatores genéticos imutáveis, a saúde intestinal é altamente responsiva ao estilo de vida.

Segundo a Dra. Jennifer Emerick, a abordagem deve ser multifatorial. Não existe pílula mágica, mas existe construção de hábitos.

Confira abaixo as 5 estratégias essenciais para blindar seu intestino e, por tabela, sua mente.

1. Hidratação inteligente

Parece básico, mas a água é o veículo de transporte de tudo o que acontece no corpo.

Sem água suficiente, o intestino grosso "rouba" líquido das fezes para manter o corpo hidratado, resultando em constipação.

Fezes paradas no intestino fermentam e produzem toxinas que podem passar para a corrente sanguínea, aumentando a inflamação sistêmica.

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2. A vez das fibras

As fibras são o alimento das bactérias boas que vivem em você. Elas atuam como uma "vassoura", limpando o trato digestivo e garantindo volume ao bolo fecal.

Aposte em aveia, linhaça, chia, legumes crus e frutas com casca.

3. Probióticos e fermentados

Se as fibras são o alimento, os probióticos são os "soldados". Incluir alimentos fermentados na dieta ajuda a repovoar a flora intestinal com microrganismos benéficos.

Boas opções incluem:

  • Iogurte natural;

  • Kefir;

  • Kombucha;

  • Chucrute (repolho fermentado).

4. Gerenciamento do estresse

O estresse crônico é veneno para o intestino. Ele libera cortisol, um hormônio que, em excesso, aumenta a permeabilidade intestinal (Leaky Gut).

Isso permite que pedaços de comida mal digerida e toxinas "vazem" para o sangue. Práticas como mindfulness, meditação ou apenas pausas estratégicas no dia são vitais para a digestão.

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5. Atividade física regular

O intestino precisa de movimento mecânico. Caminhar, correr ou nadar estimula o peristaltismo (os movimentos involuntários que empurram a comida).

Além disso, o exercício por si só já estimula a liberação de endorfinas e serotonina, criando um ciclo virtuoso.

Como aumentar a serotonina naturalmente?

Além de cuidar da "casa" da serotonina (o intestino), você pode fornecer a matéria-prima para sua produção.

A serotonina é feita a partir de um aminoácido chamado triptofano. O corpo não produz triptofano; ele precisa vir da dieta.

Alimentos ricos em triptofano:

  • Ovos;

  • Banana (especialmente com aveia);

  • Chocolate amargo (acima de 70% cacau);

  • Peixes e carnes magras;

  • Grão-de-bico;

  • Nozes e castanhas.

Importância do sol e suplementação

A exposição à luz solar também é um catalisador natural. A luz ajuda a regular o ciclo circadiano e estimula a produção de neurotransmissores.

Em casos mais severos, onde a alimentação não basta, a suplementação pode ser necessária.

Sob orientação médica, o uso de 5-HTP (um precursor direto da serotonina), Magnésio e Vitamina B6 pode ser indicado para "destravar" essa produção química.

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Cuidar do intestino deixou de ser apenas uma questão estética ou de conforto digestivo. Hoje, é uma das frentes mais promissoras da psiquiatria nutricional e da medicina preventiva.

Portanto, se você quer curar sua mente, comece olhando para o seu prato!

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