Relacionamentos abusivos na adolescência: 6 sinais de alerta

Identificar os padrões precocemente é essencial para evitar impactos duradouros na saúde mental e na autoestima

26 mar 2026 - 18h30

Os relacionamentos na adolescência costumam ser marcados por descobertas, intensidade emocional e construção da identidade. No entanto, é justamente nesse período que muitos jovens podem vivenciar dinâmicas abusivas sem perceber, já que ainda estão aprendendo a reconhecer limites, respeito e autonomia dentro de uma relação.

Relações na adolescência podem esconder sinais silenciosos de abuso emocional
Relações na adolescência podem esconder sinais silenciosos de abuso emocional
Foto: Collagery | Shutterstock / Portal EdiCase

A falta de informação e a romantização de comportamentos tóxicos contribuem para que sinais de abuso psicológico passem despercebidos. Especialistas alertam que identificar esses padrões precocemente é essencial para evitar impactos duradouros na autoestima, na saúde mental e na forma como esses jovens se relacionarão no futuro.

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Abaixo, confira sinais de alerta para relacionamentos abusivos na adolescência!

1. Controle excessivo não é cuidado

No início, atitudes de controle podem ser interpretadas como demonstração de carinho ou preocupação. No entanto, quando o parceiro tenta interferir constantemente nas escolhas, amizades ou rotina, isso pode indicar um comportamento abusivo. Esse tipo de controle tende a aumentar com o tempo e limitar a liberdade do adolescente.

A dificuldade em reconhecer esse padrão está no fato de que ele muitas vezes vem disfarçado de atenção ou zelo. Com o passar do tempo, a pessoa pode começar a se afastar de amigos e atividades para evitar conflitos dentro da relação.

"O abuso psicológico envolve atitudes que desestabilizam, controlam e diminuem a outra pessoa. Isso pode acontecer de forma repetitiva e, muitas vezes, de maneira sutil, o que dificulta a identificação no início. Na adolescência, isso pode ser ainda mais confuso, porque muitos jovens ainda estão aprendendo o que é um relacionamento saudável", afirma a psiquiatra Jessica Martani.

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2. Críticas constantes afetam a autoestima

Comentários negativos frequentes sobre aparência, comportamento ou decisões podem parecer "brincadeiras", mas têm impacto direto na autoestima. Com o tempo, a vítima pode internalizar essas críticas e passar a duvidar de si mesma, acreditando que precisa mudar para ser aceita. Isso cria um ciclo de dependência emocional dentro da relação.

"É quando uma pessoa usa palavras, atitudes e comportamentos para controlar, diminuir ou confundir a outra. Não deixa marcas físicas, mas afeta profundamente a autoestima e a forma como a pessoa se percebe. Em adolescentes, isso pode impactar diretamente na construção da identidade", afirma a psicóloga Anastacia Cristina Macuco Brum Barbosa.

3. Sensação constante de culpa é um alerta

Um dos sinais mais comuns em relações abusivas é o sentimento constante de culpa. A pessoa passa a acreditar que é responsável pelos conflitos e tenta, a todo custo, evitar desentendimentos, mesmo que isso signifique abrir mão de si mesma.

Esse padrão faz com que o adolescente permaneça na relação, acreditando que precisa "fazer melhor" ou "se esforçar mais", sem perceber que está sendo manipulado emocionalmente. "É comum a pessoa passar a duvidar de si mesma, sentir culpa constante e perder a confiança nas próprias decisões. Também pode surgir um estado de alerta permanente dentro da relação, o que gera ansiedade e desgaste emocional significativo", explica Jessica Martani.

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4. Viver "pisando em ovos" não é normal

O medo constante da reação do outro é um sinal claro de que algo não vai bem. Quando o adolescente começa a medir palavras, atitudes e até sentimentos para evitar conflitos, a relação deixa de ser saudável e passa a ser um espaço de tensão.

Esse comportamento pode levar à perda de espontaneidade e à dificuldade de se expressar, comprometendo o desenvolvimento emocional e social do jovem.

"Críticas constantes, desvalorização, manipulação e a sensação de estar sempre 'pisando em ovos' são indícios importantes. Muitas vezes, a pessoa deixa de ser quem é para evitar conflitos, o que gera um impacto profundo na saúde emocional", afirma Anastacia Cristina Macuco Brum Barbosa.

Relações abusivas podem fazer o jovem se desconectar de si mesmo
Foto: Blueastro | Shutterstock / Portal EdiCase

5. Confusão emocional e perda de identidade

Relacionamentos abusivos podem gerar confusão mental, fazendo com que o adolescente questione suas próprias percepções. Isso acontece porque o agressor frequentemente invalida sentimentos e distorce situações.

"Abuso psicológico é uma forma de violência não física, mas profundamente destrutiva. Ele acontece de forma gradual, minando a autoestima e a sensação de segurança interna. A pessoa começa a se perder de si, entrando em um estado de confusão emocional e insegurança constante", explica a terapeuta Gláucia Santana.

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6. Isolamento social é um sinal importante

Afastar-se de amigos e familiares é um comportamento comum em relações abusivas. Muitas vezes, o parceiro incentiva esse distanciamento de forma direta ou indireta, dificultando que a vítima perceba a situação ou busque ajuda.

Na adolescência, esse isolamento pode ser ainda mais prejudicial, já que as relações sociais são fundamentais para o desenvolvimento emocional. "Muitas pessoas passam a viver com medo da reação do outro, perdem a espontaneidade e entram em isolamento. Pode haver controle sobre a rotina e uma sensação constante de não ser suficiente. Isso enfraquece a rede de apoio e aumenta a dependência emocional", diz Gláucia Santana.

Buscar ajuda é essencial para romper o ciclo

Reconhecer que está em uma relação abusiva pode ser difícil, especialmente na adolescência. Por isso, o apoio de amigos, familiares e profissionais é fundamental para interromper o ciclo e reconstruir a autoestima.

Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de consciência e cuidado com a própria saúde mental. Quanto antes isso acontecer, menores serão os impactos emocionais a longo prazo. "Reconhecer que isso não é normal é o primeiro passo. Depois, é importante buscar apoio de pessoas de confiança, procurar acompanhamento psicológico e se informar. A responsabilidade nunca é da vítima, e existe saída quando há suporte adequado", orienta Anastacia Cristina Macuco Brum Barbosa.

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Diálogo e apoio fazem a diferença

Discutir relacionamentos abusivos na adolescência é fundamental para prevenir ciclos de violência emocional que podem se repetir na vida adulta. Informação, acolhimento e diálogo são ferramentas essenciais para que jovens aprendam a construir relações mais saudáveis, baseadas em respeito e autonomia.

Por Sarah Carvalho

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