O Janeiro Branco chama atenção para a saúde mental logo no início do ano, período marcado por expectativas, metas e cobranças. O que nem sempre é lembrado é que cuidar da mente também é uma forma direta de proteger o coração.
A ciência mostra que emoções como estresse crônico, ansiedade e depressão geram impactos físicos reais. Esses estados aumentam o risco de doenças cardiovasculares e não devem ser ignorados.
Segundo a cardiologista Rafaela Penalva, emoções intensas mantêm o corpo em estado constante de alerta.
"Isso eleva a pressão arterial e a frequência cardíaca. Com o tempo, o músculo do coração fica sobrecarregado", explica.
A conexão entre mente e coração
A relação acontece por meio do eixo cérebro-coração, regulado pelo sistema nervoso autônomo. Em situações de estresse prolongado, o organismo libera adrenalina e cortisol em excesso.
"A adrenalina, quando permanece elevada, pode causar arritmias. Já o cortisol alto aumenta a glicose no sangue e o acúmulo de gordura abdominal", afirma a médica. Ambos os fatores elevam o risco cardiovascular.
Inflamação silenciosa aumenta o risco
Ansiedade e depressão crônicas também favorecem processos inflamatórios no corpo. Esse quadro torna as placas de gordura nas artérias mais instáveis.
"Quando essas placas se rompem, o risco de infarto cresce", alerta a especialista. O estresse contínuo ainda pode interferir no ritmo cardíaco, levando a palpitações e arritmias mais graves.
Ansiedade ou problema cardíaco?
Saber diferenciar os sinais é essencial. O infarto costuma causar dor em aperto no peito, que pode irradiar para o braço ou mandíbula, além de suor frio e náuseas.
Já a crise de ansiedade provoca sensação de sufocamento, formigamento nas extremidades, taquicardia e medo intenso. Em caso de dúvida, a orientação é buscar atendimento médico imediato.
Cuidar da mente também protege o coração
O tratamento ideal é multidisciplinar. "Cardiologistas cuidam do coração, enquanto psicólogos e psiquiatras tratam o cérebro", explica a especialista. Estudos mostram que tratar a saúde mental após um infarto aumenta as chances de sobrevida.
Pequenas atitudes diárias fazem diferença:
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Meditação e mindfulness, que ajudam a reduzir a pressão arterial;
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Desconexão digital, principalmente à noite;
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Gestão de limites, evitando sobrecarga constante e burnout.
"O coração sente o que a mente vive. Cuidar da saúde mental é uma forma essencial de prevenção cardiovascular", conclui a Dra. Rafaela Penalva.