O efeito pós-Carnaval: procura por atendimento em saúde mental cresce 38%

O fim da festa trouxe um aumento expressivo nas queixas de ansiedade e desânimo. Especialista explica os impactos do álcool e da privação de sono no cérebro

11 mar 2026 - 11h48

O Carnaval passou, mas para muitos brasileiros a folia deixou um rastro que vai além do cansaço físico.

Entenda a relação entre Carnaval e aumento da ansiedade
Entenda a relação entre Carnaval e aumento da ansiedade
Foto: Canva / Saúde em Dia

De acordo com dados recentes revelam que a procura por atendimento em saúde mental deu um salto de 38% na semana seguinte ao feriado.

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O fenômeno, que mistura desgaste orgânico e pressão emocional, acende um alerta para o bem-estar da população.

Durante os dias de festa, o cérebro vive uma espécie de suspensão da realidade. Segundo a Dra. Adele Furlaneto Ramos (CRM RJ 130110-1), o Carnaval funciona como uma pausa emocional.

Problemas financeiros, profissionais e pessoais ficam em segundo plano diante de tantos estímulos visuais e sonoros.

O problema surge na Quarta-feira de Cinzas. O retorno brusco às obrigações cria um contraste intenso. O que estava "abafado" pela euforia reaparece com força total, gerando irritabilidade e angústia.

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Impacto do excesso no organismo

Não é apenas uma questão psicológica; o corpo também sofre. A combinação de privação de sono, consumo de álcool e alimentação irregular deixa o sistema nervoso vulnerável.

O sono de má qualidade reduz a capacidade do cérebro de regular as emoções.

O álcool é outro vilão silencioso. Embora pareça relaxante no início, ele provoca um efeito rebote que piora a ansiedade quando sai do organismo.

O resultado é um cérebro mais reativo ao estresse e com menor tolerância emocional.

Confira também: Crises de ansiedade não surgem do nada: 5 sinais que aparecem antes.

A queda brusca de estímulos

Após dias de picos de dopamina e adrenalina, o cotidiano pode parecer "sem graça". Esse vazio emocional é comum após períodos de grande excitação.

Muitas pessoas sentem que ficaram mal "do nada", mas é apenas o impacto do fim da estimulação constante somado ao cansaço acumulado.

Sinais de alerta: Quando buscar ajuda?

Sentir cansaço após o feriado é normal, mas fique atento aos sintomas que persistem. Busque auxílio médico se notar:

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  • Ansiedade constante por várias semanas.

  • Crises de pânico ou palpitações frequentes.

  • Insônia significativa ou falta de apetite.

  • Dificuldade extrema de retomar o trabalho ou estudos.

  • Choro fácil e irritabilidade intensa.

Veja sobre: Ansiedade ou depressão? 5 diferenças cruciais que você precisa saber agora.

A facilidade da telemedicina

Para quem sente dificuldade em se organizar sozinho, a consulta online tem sido uma grande aliada.

A telemedicina permite uma avaliação inicial rápida e sem a necessidade de deslocamento, facilitando o acesso ao cuidado logo nos primeiros sinais de sofrimento.

A Dra. Adele reforça que o sofrimento emocional não deve ser banalizado. Buscar ajuda precocemente evita que quadros de ansiedade se agravem e ajuda a restabelecer o equilíbrio para o restante do ano.

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