Alcoolismo em jovens: quando o consumo deixa de ser diversão e vira alerta
O cantor Zé Felipe anunciou que vai passar o mês de janeiro sem consumir bebida alcoólica — uma atitude que chama atenção e pode servir de exemplo positivo para muitos jovens. Em um cenário em que o álcool costuma estar associado ao lazer, festas e socialização, a decisão ajuda a reforçar uma mensagem importante: fazer pausas, refletir sobre hábitos e cuidar da saúde mental também faz parte da vida adulta.
Mas afinal, quando o consumo de álcool deixa de ser algo pontual e passa a representar um risco?
Os primeiros sinais de alerta do alcoolismo em jovens
De acordo com especialistas, o alcoolismo nem sempre começa de forma evidente. No início, os sinais podem ser sutis e facilmente confundidos com comportamentos comuns da juventude. Entre os principais alertas estão:
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Aumento da frequência e da quantidade de consumo
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Uso do álcool como se fosse um ansiolítico, para aliviar tensão, ansiedade ou estresse
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Beber com a intenção de relaxar ou "desligar"
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Associar o álcool como parte essencial do lazer, sentindo dificuldade de se divertir sem beber
Segundo a psiquiatra Vanessa Greghi, diretora médica do Instituto de Psiquiatria Paulista, esses sinais merecem atenção, principalmente quando passam a se repetir.
Beber todo fim de semana é alcoolismo?
Não necessariamente. Beber aos finais de semana, por si só, não caracteriza automaticamente alcoolismo. No entanto, pode sim ser um sinal de alerta, especialmente quando há:
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Perda de controle da quantidade ingerida
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Episódios frequentes de embriaguez
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Alterações de consciência e comportamento
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Sensação de arrependimento ou culpa após beber
A especialista explica que o problema está menos no dia em que se bebe e mais na forma, na motivação e nas consequências desse consumo.
Por que o alcoolismo é difícil de identificar no início?
Um dos maiores desafios é que, nas fases iniciais, o alcoolismo pode não causar perdas graves e imediatas. Além disso, o consumo de álcool é socialmente estimulado, especialmente entre jovens, o que dificulta a percepção de risco.
"Os principais sinais de alerta são o aumento progressivo da frequência e da quantidade, além do uso do álcool como uma forma de lidar com emoções difíceis", explica a psiquiatra.
Álcool como "automedicação" para ansiedade e depressão
Outro ponto de atenção é a relação entre o consumo abusivo de álcool e transtornos mentais. É comum que jovens com quadros de ansiedade e depressão não tratados recorram à bebida pelo seu efeito ansiolítico imediato.
Nesse contexto, o álcool acaba sendo usado como uma espécie de automedicação, oferecendo alívio momentâneo, mas aumentando o risco de dependência e agravando os sintomas a médio e longo prazo.
Falar sobre o tema também é prevenção
Atitudes como a de Zé Felipe ajudam a ampliar o debate e mostram que repensar o consumo de álcool não é sinal de fraqueza, mas de autocuidado. Para jovens, informação, diálogo e atenção aos sinais do próprio corpo e das emoções são passos fundamentais para evitar que um hábito social evolua para um problema de saúde.