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Relações tóxicas podem mudar o cérebro; saiba como recuperar o equilíbrio emocional

Segundo especialistas, o estresse prolongado afeta memória, autoestima e emoções, mas há caminhos para reconstruir o bem-estar

18 jul 2026 - 11h28

Nem toda ferida provocada por relações tóxicas é visível. Em muitos casos, os efeitos atingem diretamente o cérebro e alteram a forma como a pessoa pensa, sente e reage ao mundo. Memória, concentração, autoestima e capacidade de tomar decisões podem ser afetadas quando o organismo permanece por muito tempo em estado de alerta.

Segundo especialistas, o estresse prolongado das relações tóxicas afeta memória, autoestima e emoções a longo prazo
Segundo especialistas, o estresse prolongado das relações tóxicas afeta memória, autoestima e emoções a longo prazo
Foto: Canva Equipes/oleksandranaumenko / Bons Fluidos

Especialistas explicam que esse tipo de vínculo funciona como uma fonte constante de estresse. A boa notícia é que, embora algumas marcas possam persistir, o cérebro também possui capacidade de recuperação quando a pessoa encontra um ambiente seguro e recebe o suporte adequado.

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Como relações tóxicas afetam o cérebro?

Conflitos fazem parte de qualquer relação. Entretanto, o problema surge quando manipulação, controle, críticas constantes, invalidação emocional e imprevisibilidade passam a fazer parte da rotina. Nessas situações, o organismo interpreta o ambiente como uma ameaça permanente e aumenta a produção de cortisol, conhecido como hormônio do estresse. Quando isso acontece por meses ou até anos, algumas regiões cerebrais começam a sofrer alterações.

Segundo o neurologista Alejandro Andersson, diretor do Instituto de Neurologia de Buenos Aires (INBA), essas mudanças são reais e podem ser observadas cientificamente. "Relacionamentos tóxicos produzem alterações estruturais e funcionais mensuráveis no cérebro. O resultado é um cérebro em estado de alerta permanente, com comprometimento da memória, dificuldade de raciocínio claro e uma resposta emocional hiperativada que torna muito difícil avaliar a situação objetivamente", disse em entrevista ao 'La Nación'. 

Entre as áreas afetadas estão o hipocampo, ligado à memória; a amígdala, responsável pelas respostas ao medo; e o córtex pré-frontal, que participa do planejamento, do julgamento e da regulação das emoções.

Como esses efeitos aparecem no dia a dia?

Os impactos, contudo, não ficam restritos ao cérebro. Isso porque acabam interferindo em tarefas simples da rotina e na forma como a pessoa se relaciona consigo mesma. Para o veículo argentina, a psicóloga Mercedes Conti Urabayen explicou que muitas pessoas acabam perdendo a conexão com as próprias emoções como forma de suportar o sofrimento.

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"Pessoas nesse tipo de relacionamento muitas vezes ficam emocionalmente insensíveis ou têm seus sentimentos e percepções invalidados. Em alguns casos, elas podem apresentar formas de dissociação como mecanismo de defesa para tolerar situações emocionalmente inaceitáveis", apontou.

Além disso, a atenção costuma ficar voltada quase exclusivamente para os conflitos. Em vez de conseguir se concentrar no trabalho, nos estudos ou em momentos de lazer, a pessoa passa boa parte do tempo antecipando discussões, tentando interpretar mensagens ou imaginando qual será a próxima reação do parceiro.

Outro mecanismo frequente é a chamada recompensa intermitente: momentos de carinho alternados com críticas, afastamento ou manipulação. Esse padrão fortalece a dependência emocional e dificulta o rompimento da relação, mesmo quando ela causa sofrimento.

Processo de recuperação

Apesar dos impactos, os especialistas ressaltam que o cérebro possui capacidade de adaptação e recuperação. O hipocampo, por exemplo, pode recuperar parte de suas funções quando o estresse deixa de ser constante. Ao La Nación, a psicóloga Carolina Ricciuti afirma que compreender o que aconteceu já representa um passo importante para reconstruir a confiança em si mesmo.

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Ademais, entre as estratégias que podem favorecer esse processo estão:

  • Registrar pensamentos, emoções e sensações em um diário para validar a própria experiência;
  • Buscar acompanhamento psicológico, especialmente com foco em trauma e abuso emocional;
  • Praticar técnicas de regulação emocional, como mindfulness e exercícios de respiração;
  • Priorizar um sono de qualidade e manter uma rotina de atividade física, fatores que também favorecem a recuperação cerebral;
  • Fortalecer vínculos saudáveis com pessoas que ofereçam escuta, acolhimento e respeito;
  • Aprender a reconhecer novamente os próprios sentimentos e limites, sem minimizar o que foi vivido;
  • Recuperar-se também é um processo de reconexão

Mais do que esquecer o passado, a recuperação envolve reconstruir a relação consigo mesmo. Assim, aos poucos, o cérebro deixa de interpretar o mundo como uma ameaça constante e passa a desenvolver novas formas de lidar com as emoções.

Para Ricciuti, esse caminho começa quando a pessoa volta a confiar na própria percepção e aprende, novamente, a escutar seus sinais internos: "Valorizar novamente o que o corpo sente e os sinais emocionais que foram ignorados ou invalidados por tanto tempo."

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