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Quaresma de São Miguel Arcanjo: entenda a origem da tradição dos 40 dias de fé

Prática ligada à espiritualidade franciscana reúne oração, jejum e penitência como preparação para a festa dos Santos Arcanjos, celebrada em 29 de setembro

16 ago 2026 - 10h05
(atualizado às 10h16)

Milhares de católicos iniciaram, neste sábado (15), uma jornada de oração, jejum e penitência dedicada a São Miguel Arcanjo. A prática se estende até 29 de setembro, data em que a Igreja Católica celebra os Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael.

Quaresma de São Miguel Arcanjo: entenda a origem da tradição dos 40 dias de fé
Quaresma de São Miguel Arcanjo: entenda a origem da tradição dos 40 dias de fé
Foto: Gemini / Bons Fluidos

Conhecida como Quaresma de São Miguel Arcanjo, a devoção está tradicionalmente ligada à espiritualidade franciscana. Durante os 40 dias, os fiéis costumam intensificar as orações e assumir algum tipo de sacrifício como forma de preparação espiritual.

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A tradição, antes mais concentrada em igrejas e comunidades católicas, também ganhou espaço nas redes sociais. Atualmente, transmissões de orações alcançam milhares de pessoas em diferentes horários. Entre elas estão celebrações conduzidas pelo Frei Gilson e pela comunidade Canção Nova.

Para o padre Adriano Zandoná, da Canção Nova, a origem da prática está diretamente relacionada à tradição franciscana.

"A Quaresma de São Miguel Arcanjo é uma antiga prática da espiritualidade da tradição franciscana, que é marcada pela oração, pela penitência, pelo jejum, pela conversão e pelo combate espiritual. São quarenta dias vividos em preparação para a solenidade, a festa dos arcanjos, São Miguel, Gabriel e Rafael, que é 29 de setembro", explicou.

A ligação com São Francisco de Assis

A tradição ganhou força a partir da devoção de São Francisco de Assis aos anjos e, especialmente, a São Miguel. O religioso tinha o hábito de realizar períodos prolongados de oração, jejum e penitência.

Em 1224, Francisco se retirou para o Monte Alverne, na Itália. Segundo a tradição católica, foi durante esse período de recolhimento espiritual que ele recebeu os estigmas de Cristo.

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"São Francisco de Assis tinha uma grande devoção aos anjos e, particularmente, a São Miguel Arcanjo. Francisco costumava realizar períodos prolongados de retiro, de oração, de jejum, de penitência, e um deles era precisamente em honra de São Miguel."

A experiência no Monte Alverne se tornou um dos episódios mais marcantes da vida do santo e passou a integrar a tradição franciscana relacionada à devoção a São Miguel.

"Foi justamente durante a Quaresma de São Miguel de 1224 que São Francisco viveu aquela experiência extraordinária, mística, lá no Monte Alverne, onde ele recebeu os estigmas de Cristo."

Por que São Miguel é associado ao combate espiritual?

Na tradição católica, São Miguel Arcanjo é associado à proteção e ao combate contra o mal. Sua figura aparece no livro do Apocalipse, em um episódio no qual Miguel e seus anjos enfrentam o dragão.

Por isso, a ideia de combate espiritual ocupa um lugar central na devoção. Para os fiéis, o período representa uma oportunidade de fortalecer a fé e refletir sobre comportamentos e hábitos que podem afastar a pessoa de Deus.

O padre Adriano explica que São Miguel é visto como um protetor nessa dimensão da espiritualidade.

"São Miguel é muito importante porque ele é o patrono do combate, ele que nos defende no combate espiritual contra as forças do mal. Nós vivemos uma batalha espiritual, nós acreditamos na existência do bem, mas acreditamos também na existência do mal."

A devoção também está relacionada à busca por transformação pessoal. Nesse sentido, a oração e a penitência são compreendidas pelos católicos como práticas que ajudam no processo de conversão.

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"Deus nos enviou os anjos para nos ajudar a combater o mal e a combater o pecado, aquilo que desagrada a Deus."

Devoção a São Miguel é centrada em Cristo

Apesar da importância atribuída ao arcanjo, a tradição católica estabelece que São Miguel não ocupa o lugar de Jesus. A devoção aos anjos, segundo o padre Adriano, deve conduzir o fiel para uma relação mais profunda com Cristo.

"Ele não ocupa o lugar de Cristo, ele é uma criatura de Deus, um servo de Deus. Então, a autêntica devoção a São Miguel é centrada em Cristo e nos leva à intimidade com Cristo, sobretudo Cristo crucificado."

Assim, a Quaresma de São Miguel Arcanjo representa, para os católicos que seguem a prática, um período de recolhimento e preparação espiritual. A proposta reúne oração, jejum, penitência e conversão em uma jornada que termina na celebração dos Santos Arcanjos, em 29 de setembro.

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