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Qualidade dos espermatozoides varia de acordo com a época do ano, diz estudo

Pesquisa mostra que a qualidade do esperma varia ao longo do ano, com melhores resultados no verão e queda no inverno

15 abr 2026 - 23h11

A saúde reprodutiva masculina pode ser mais dinâmica do que se imagina. Um novo estudo internacional indica que a qualidade dos espermatozoides não se mantém constante ao longo do ano. Ela segue um ritmo sazonal, com picos e quedas bem definidos.

Estudo internacional revela que a motilidade dos espermatozoides muda conforme as estações, podendo influenciar a fertilidade masculina
Estudo internacional revela que a motilidade dos espermatozoides muda conforme as estações, podendo influenciar a fertilidade masculina
Foto: Reprodução: Canva/Olivia Grigorita's Images / Bons Fluidos

Publicada na revista Reproductive Biology and Endocrinology, a pesquisa analisou milhares de amostras e trouxe um dado curioso: os espermatozoides tendem a apresentar melhor desempenho no verão e resultados mais baixos no inverno.

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O que muda ao longo do ano

Os cientistas observaram que a principal variação está na chamada motilidade espermática, ou seja, na capacidade dos espermatozoides se movimentarem de forma eficiente até o óvulo - um fator essencial para a fertilização.

Os dados mostraram um padrão consistente: os melhores índices foram registrados nos meses de junho e julho, enquanto dezembro e janeiro concentraram os piores resultados.

Esse tipo de motilidade, chamada progressiva, descreve células que conseguem nadar em linha reta ou em trajetórias amplas, aumentando as chances de uma gravidez.

Como o estudo foi conduzido

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram mais de 15 mil amostras de sêmen coletadas entre 2018 e 2024. Os participantes tinham entre 18 e 45 anos e estavam inscritos em programas de doação de esperma na Dinamarca e em Orlando, nos Estados Unidos.

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As amostras foram avaliadas por sistemas computadorizados, que mediram aspectos como concentração, volume e movimentação dos espermatozoides.

Um ponto importante: como a formação dessas células leva cerca de 74 dias, os cientistas também investigaram se a temperatura ambiente nas semanas anteriores poderia interferir nos resultados. Ainda assim, a relação direta com o clima não foi comprovada.

Temperatura não explica tudo

Mesmo com diferenças climáticas significativas entre a Dinamarca e a Flórida, o padrão sazonal foi semelhante nos dois locais. Isso levou os pesquisadores a considerarem outros fatores além da temperatura - como mudanças no estilo de vida, alimentação, prática de exercícios ou exposição à luz solar. Apesar dessa hipótese, o estudo não mediu diretamente esses hábitos, o que abre espaço para novas investigações.

Além das variações ao longo das estações, a pesquisa identificou diferenças relacionadas à idade. Homens na faixa dos 30 anos apresentaram melhor motilidade espermática, enquanto índices mais baixos observaram-se entre os mais jovens (abaixo de 25) e os acima dos 40.

Um possível traço evolutivo?

Outra explicação levantada pelos cientistas envolve a própria biologia evolutiva. Em diversas espécies, a reprodução segue padrões sazonais para favorecer o nascimento em períodos mais propícios, como a primavera.

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Se esse mecanismo também estiver presente em humanos, ainda que de forma sutil, o aumento da qualidade do esperma no verão poderia contribuir para gestações com melhores condições ambientais meses depois.

O que isso significa na prática

Entender essas oscilações pode ter impacto direto nos tratamentos de fertilidade. Clínicas e especialistas podem, no futuro, considerar esses padrões ao planejar exames e intervenções. Ainda que não exista uma "estação ideal" garantida para engravidar, o estudo reforça um ponto importante: o corpo humano responde a múltiplos fatores - e muitos deles vão além do que conseguimos perceber no dia a dia.

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