A sensação de frio varia entre as pessoas e depende de fatores como genética, idade, composição corporal e hábitos de vida. O frio em si não causa gripes ou resfriados, mas ambientes fechados e o ar seco no inverno favorecem a transmissão de vírus. Especialistas destacam a importância de hábitos saudáveis para manter a saúde nas baixas temperaturas.
Especialista explica como alguns fatores influenciam a percepção do frio e o que fazer para enfrentar as baixas temperaturas com mais saúde
Com a nova onda de frio que atinge diversas regiões do Brasil, aumentam também os cuidados com a saúde. Além das baixas temperaturas, o inverno favorece a circulação de vírus respiratórios, como os que causam gripes e resfriados. Segundo o mais recente boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a circulação desses vírus continua elevada no país. Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, o rinovírus — principal causador do resfriado comum — respondeu por 23,3% dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com confirmação laboratorial, enquanto a Influenza A representou 12,7%.
Em meio ao frio intenso, uma dúvida costuma surgir: por que algumas pessoas parecem sentir muito mais frio do que outras? A resposta vai além da preferência pelo inverno e envolve fatores como idade, composição corporal, hábitos de vida e até a genética.
"A sensação de frio é resultado da interação entre fatores ambientais e biológicos. A genética pode influenciar a forma como o organismo produz e conserva calor, mas ela não atua sozinha. Massa muscular, percentual de gordura, alimentação, condicionamento físico e adaptação ao frio também fazem diferença", explica Ricardo Di Lazzaro, médico doutor em genética e fundador de genera, marca da Dasa
O frio causa gripe ou resfriado?
Apesar da crença popular, o frio, por si só, não provoca gripe ou resfriado. Essas doenças são causadas por vírus. No entanto, durante o inverno, as pessoas costumam permanecer mais tempo em ambientes fechados e com pouca ventilação, o que facilita a transmissão dos vírus respiratórios. Além disso, o ar mais seco pode ressecar as vias respiratórias, reduzindo parte das barreiras naturais de proteção do organismo. Por isso, sentir muito frio não significa, necessariamente, que uma pessoa ficará doente com mais facilidade.
Por que sentimos frio?
O corpo humano trabalha constantemente para manter sua temperatura interna em torno de 36,5°C. Quando a temperatura ambiente diminui, o organismo ativa uma série de mecanismos para conservar calor e garantir o funcionamento adequado dos órgãos.
Entre as principais respostas estão:
- Diminuição do fluxo sanguíneo para mãos e pés;
- Tremores involuntários, que ajudam a produzir calor;
- Arrepios na pele;
- Aumento da sensação de fome para gerar mais energia;
- Maior vontade de urinar.
"Essas reações fazem parte do sistema natural de regulação térmica do organismo e ajudam a evitar a perda excessiva de calor".
A genética pode influenciar a tolerância ao frio?
Sim. Embora não exista um único "gene do frio", alguns genes já foram associados à forma como o organismo responde às baixas temperaturas.
Um dos mais estudados é o ACTN3, conhecido por sua atuação na musculatura. Ele participa da produção de uma proteína presente principalmente nas fibras musculares responsáveis por movimentos rápidos e explosivos.
"Essas diferenças genéticas ajudam a explicar por que algumas pessoas parecem suportar melhor o frio. Mas é importante destacar que a genética representa apenas uma parte dessa resposta. Outros fatores, como idade, composição corporal, prática de atividade física e até o hábito de viver em regiões mais frias, também influenciam bastante", afirma Ricardo Di Lazzaro.
O que mais interfere na sensação de frio?
Além da genética, diversos fatores podem alterar a percepção das baixas temperaturas, entre eles:
- Idade;
- Quantidade de massa muscular;
- Percentual de gordura corporal;
- Alimentação;
- Prática regular de atividade física;
- Alterações hormonais;
- Doenças que comprometem a circulação sanguínea;
- Adaptação ao clima.
"Por isso, é perfeitamente normal que duas pessoas no mesmo ambiente tenham percepções completamente diferentes da temperatura."
Como enfrentar a onda de frio de forma mais saudável?
Independentemente da predisposição genética, alguns hábitos ajudam a enfrentar o inverno com mais conforto e ainda reduzem o risco de doenças respiratórias.
- Vista-se em camadas
Utilizar várias peças de roupa ajuda a reter melhor o calor corporal do que usar apenas um agasalho pesado.
- Mantenha a hidratação
Mesmo com menos sensação de sede, beber água continua sendo fundamental para manter a saúde da pele e das vias respiratórias.
- Continue praticando atividade física
Os exercícios melhoram a circulação sanguínea e estimulam a produção de calor pelo organismo.
- Deixe os ambientes ventilados
Sempre que possível, abra portas e janelas para reduzir a concentração de vírus respiratórios em locais fechados.
- Não deixe a vacinação de lado
A vacinação contra a gripe continua sendo uma das principais formas de prevenir casos graves de influenza, especialmente entre idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
Embora a genética possa influenciar a forma como cada pessoa percebe o frio, especialistas reforçam que ela não determina, sozinha, quem sofrerá mais durante o inverno. Manter hábitos saudáveis, cuidar da imunidade e adotar medidas simples de prevenção continuam sendo as melhores estratégias para atravessar os dias mais frios com saúde e bem-estar.