O Dia do Elefante, celebrado em 12 de agosto, é uma oportunidade para conhecer alguns dos hábitos mais curiosos desses animais. Um deles costuma chamar atenção: os elefantes usando a tromba para jogar terra e poeira sobre o próprio corpo.
A cena pode parecer apenas divertida, mas o comportamento tem funções importantes. De acordo com o Santuário de Elefantes Brasil, os animais utilizam diferentes substratos, como terra, lama e grama, em comportamentos naturais que também contribuem, além do banho, para a saúde física.
Por que elefantes jogam terra no corpo?
Um dos principais motivos está relacionado à pele. Embora possa chegar a cerca de 2,5 centímetros de espessura em algumas regiões, ela apresenta áreas mais delicadas e pode sofrer irritações provocadas por picadas de insetos. O San Diego Zoo explica que os elefantes costumam se cobrir de poeira, lama ou feno para criar uma proteção contra o sol e contra insetos que picam.
Além disso, a própria estrutura da pele favorece esse comportamento. Um estudo publicado na Nature Communications identificou que as rugas e fissuras presentes na pele conseguem reter água e lama. Segundo os pesquisadores, essa característica está relacionada à capacidade do animal de lidar com o calor e de se proteger da radiação solar e de parasitas.
E qual é a diferença entre terra e lama?
Os relatos do Santuário de Elefantes Brasil ajudam a mostrar como esses comportamentos aparecem na rotina dos animais. Além de contribuir para os cuidados com a pele, a lama também ajuda os elefantes a se refrescarem, especialmente em ambientes quentes, ao manter a umidade sobre o corpo.
No caso de Kenya, por exemplo, os banhos de lama fazem parte de um cuidado contínuo com a pele. A elefanta apresenta uma camada espessa de pele morta cobrindo o corpo, e a equipe utiliza os banhos de lama, bem como outras técnicas, para ajudar no processo de remoção.
A história de Pocha também mostra uma relação marcante com a lama. Resgatada em maio de 2022 após décadas vivendo em um zoológico/ecoparque de Mendoza, na Argentina, ela chegou ao santuário acompanhada da filha, Guillermina.
No primeiro contato com o novo ambiente, Pocha demorou algumas horas para deixar a caixa de transporte. O espaço representava algo familiar depois de tantos anos. Em meio à adaptação, porém, um comportamento chamou a atenção da equipe: a elefanta quebrou um cano de água e começou a produzir lama para cobrir o próprio corpo.
O episódio se tornou um dos registros marcantes da chegada de Pocha ao santuário. A instituição descreveu aquele momento como uma demonstração de alegria diante de uma nova experiência, depois de décadas vivendo em um ambiente restrito.
Um hábito ligado à vida na natureza
O uso de terra, lama e vegetação também mostra por que um ambiente diversificado é importante para esses animais. O Santuário de Elefantes Brasil destaca que oferecer diferentes substratos permite que os elefantes expressem comportamentos naturais e tenham estímulos físicos e mentais.
Assim, o famoso "banho de terra" não representa apenas uma cena curiosa. Ele faz parte de um repertório de comportamentos que permite aos elefantes interagir com o ambiente e encontrar maneiras próprias de cuidar do corpo.