Alergias em cães e gatos podem aumentar na primavera: veja raças mais predispostas

Médica-veterinária explica os sinais que merecem atenção e os principais cuidados com os pets durante a estação

22 set 2026 - 18h01
Resumo
A primavera favorece alergias em cães e gatos devido à maior proliferação de pólens, ácaros, fungos e pulgas, agravando problemas como a dermatite atópica e a DASP. Sintomas comuns incluem coceira persistente, vermelhidão e lesões. Raças como buldogue francês, shih tzu e gatos siameses são mais suscetíveis. A prevenção exige limpeza regular do ambiente e controle de parasitas, sendo essencial a consulta veterinária para diagnóstico preciso e terapias específicas para cada animal.

A chegada da primavera traz mudanças na temperatura, na umidade e na vegetação, o que afeta diretamente a saúde e o bem-estar de cães e gatos. Para os pets que apresentam predisposição a doenças alérgicas, a estação pode representar maior exposição a agentes ambientais capazes de desencadear ou intensificar crises.

A primavera pode aumentar o contato dos pets com agentes ambientais que desencadeiam ou agravam alergias
A primavera pode aumentar o contato dos pets com agentes ambientais que desencadeiam ou agravam alergias
Foto: Ermolaev Alexander | Shutterstock / Portal EdiCase

Pólens liberados durante a polinização das plantas, ácaros presentes na poeira doméstica e fungos ambientais estão entre os principais alérgenos nesse período. O clima mais quente e úmido também favorece a atividade e a proliferação de pulgas, aumentando o risco de problemas como a dermatite alérgica à saliva da pulga (Dasp).

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Segundo a Dra. Flávia Jávare, médica-veterinária do Hospital Veterinário do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba) e especialista em Dermatologia em Animais e Cia., a mudança de estação pode interferir diretamente na rotina de animais que já apresentam sensibilidade a determinados agentes.

"Na primavera, pode haver uma maior exposição aos alérgenos ambientais, como os pólens pela polinização das plantas. O aumento da umidade também favorece a proliferação de fungos ambientais e ácaros, aumentando a exposição aos alérgenos e causando crises nos indivíduos alérgicos", explica a veterinária.

Doenças de pele que podem se intensificar na primavera

Entre as alergias que podem se manifestar nessa época está a dermatite atópica, também conhecida como atopia, uma doença crônica e inflamatória que provoca coceira e pode sofrer influência de fatores ambientais e sazonais. Outro quadro que merece atenção é a dermatite alérgica à saliva da pulga (DASP). Em períodos com condições favoráveis à atividade e à proliferação desses parasitas, a maior exposição às picadas pode desencadear ou agravar os sintomas em animais alérgicos.

Entre os principais agentes ambientais relacionados às alergias estão os ácaros da poeira doméstica, como dermatophagoides farinae e blomia tropicalis, pólens de gramíneas, como paspalum notatum e cynodon dactylon, e fungos ambientais, como aspergillus fumigatus e alternaria alternata.

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O clima da primavera também pode favorecer outros problemas de pele, como piodermites secundárias, picadas de pulgas e carrapatos, dermatites de dobras, principalmente em cães braquicefálicos, e dermatofitoses, doenças causadas por fungos geofílicos que apresentam maior transmissão em condições ambientais favoráveis.

Coceira persistente nem sempre é alergia

A coceira é um dos sinais mais conhecidos de uma crise alérgica. O pet pode se coçar com as unhas, morder ou lamber excessivamente determinadas regiões do corpo. Mas o sintoma, isoladamente, não é suficiente para indicar uma alergia.

Outras doenças dermatológicas, como a escabiose, também podem provocar coceira intensa. Por isso, os tutores devem observar sinais secundários, como vermelhidão, lesões na pele, queda de pelos, descamação, mau odor e infecções de ouvido ou otites, principalmente quando esses problemas aparecem de forma recorrente. A duração, a frequência e a evolução dos sintomas também são informações importantes para a investigação.

"A coceira excessiva não significa necessariamente que o animal tenha uma alergia. Para diferenciar uma doença alérgica de outras afecções dermatológicas, é importante avaliar a distribuição e a evolução das lesões, a intensidade da coceira e outros sinais clínicos associados. Como a alergia é uma doença crônica, inflamatória e pruriginosa, os sinais podem se intensificar ao longo do tempo e sofrer influência de fatores ambientais e sazonais", destaca a Dra. Flávia Jávare.

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A investigação veterinária ajuda a controlar os sintomas, identificar a causa e definir o tratamento adequado
Foto: Hananeko_Studio | Shutterstock / Portal EdiCase

Como é feita a investigação das alergias em pets?

A investigação veterinária pode incluir exames dermatológicos, como raspados cutâneos e citologias, além de culturas, triagens alérgicas e testes cutâneos. Quando há suspeita de alergia alimentar, pode ser necessária uma dieta de eliminação. Já os testes alérgicos podem auxiliar na identificação dos alérgenos envolvidos e na indicação da imunoterapia.

"A avaliação profissional é importante não apenas para controlar os sintomas, mas para investigar a causa e definir a estratégia de tratamento. Em doenças dermatológicas, identificar corretamente o problema é fundamental para evitar que um sinal aparentemente simples, como uma coceira, se transforme em um quadro persistente", ressalta Dra. Flávia Jávare.

Quais raças são mais predispostas e como agir preventivamente?

Algumas raças de cães também apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de alergias. É o caso de shih tzu, buldogue francês, yorkshire terrier e golden retriever. Em felinos, essa predisposição racial é menos estabelecida, mas já foi observada em gatos siamês, persa e sem raça definida (SRD).

Embora não seja possível eliminar completamente os agentes alergênicos do ambiente, algumas medidas ajudam reduzir a exposição dos animais:

  • Mantenha a casa limpa e ventilada;
  • Aspire regularmente locais em que os pets tenham contato;
  • Higienize camas, mantas, estofados e outros locais;
  • Realize o controle dos ectoparasitas.

Nos animais que já apresentam alergias, o controle ambiental deve estar associado ao tratamento adequado. A abordagem é individualizada e pode incluir controle de alérgenos ambientais e de ectoparasitas, além de banhos terapêuticos, medicamentos imunomoduladores, anti-inflamatórios, antibacterianos e antifúngicos quando há infecções associadas. Em alguns casos, pode haver indicação de imunoterapia imuno-específica, que ajuda a reduzir a sensibilidade aos alérgenos e a promover o controle da doença a longo prazo.

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"O objetivo do controle ambiental é reduzir a carga de exposição aos agentes alergênicos. Nos animais alérgicos, essas medidas devem estar associadas ao tratamento adequado, que precisa ser individualizado de acordo com as características e necessidades de cada paciente", conclui a médica-veterinária Flávia Jávare.

Por Jean Martins 

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