Oferecimento

Passear ao ar livre alivia o sentimento de solidão, apontam especialistas

Mais do que estar entre pessoas, a sensação de pertencimento também pode nascer na conexão com o ambiente ao redor - e a natureza tem um papel essencial nisso

26 abr 2026 - 18h09

Em um mundo cada vez mais acelerado, a solidão deixou de ser uma experiência pontual para se tornar uma questão de saúde pública. E, embora a convivência social ainda seja um dos caminhos mais conhecidos para combatê-la, a ciência começa a olhar para outra direção: o vínculo com a natureza.

Estudos mostram que o contato consciente com a natureza pode reduzir a solidão, melhorar o bem
Estudos mostram que o contato consciente com a natureza pode reduzir a solidão, melhorar o bem
Foto: estar e fortalecer o senso de pertencimento - Reprodução: Canva/AleksandarNakic / Bons Fluidos

Uma pesquisa da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) revelou que estar em ambientes naturais pode ajudar a reduzir a sensação de isolamento - mas não de qualquer jeito. Existe uma diferença importante entre simplesmente estar ao ar livre e realmente se conectar com o que está ao redor.

Publicidade

O pertencimento vai além das relações humanas

A solidão, em essência, está ligada à sensação de não pertencer. E esse pertencimento nem sempre precisa vir de outras pessoas. "Fortalecer o senso de pertencimento, não apenas a outras pessoas, mas aos ambientes naturais e ao entorno, parece ter um efeito protetor contra a solidão", afirma o pesquisador Sindre Hoff, responsável pelo estudo.

Quando alguém se percebe como parte do ambiente - seja observando uma paisagem, sentindo o vento ou ouvindo sons naturais - surge um tipo de conexão mais silenciosa, mas igualmente significativa.

Estar na natureza não é o mesmo que se conectar com ela

Um dos pontos mais interessantes da pesquisa é que não basta sair de casa. O impacto positivo depende da forma como você vivencia esse momento. Atividades feitas no "piloto automático", como correr com foco em desempenho, podem não trazer o mesmo efeito emocional. Isso porque a atenção está voltada para metas pessoais, e não para o ambiente.

Por outro lado, quando há presença - reparar na luz, nos sons, no movimento das folhas ou no horizonte - a experiência se transforma. E, curiosamente, isso costuma ser mais fácil quando se está sozinho.

Publicidade

Natureza: um espaço sem julgamentos

Uma das explicações para esse efeito está na forma como a natureza é percebida. Diferente dos ambientes sociais, ela não exige adaptação, desempenho ou máscaras. Nesse contexto, muitas pessoas relatam a sensação de simplesmente poder existir, sem precisar corresponder a expectativas externas.

Além disso, o contato com o ambiente natural pode influenciar diretamente os pensamentos. Padrões mais negativos, comuns em quem se sente sozinho - como a ideia de não ser compreendido ou aceito - tendem a perder força quando há essa conexão.

Pequenos hábitos que fazem diferença

O estudo, que ouviu cerca de 2.500 pessoas, mostrou que práticas simples já fazem efeito. Caminhar, sentar-se à beira de um lago ou apenas observar a paisagem foram algumas das atividades mais relatadas.

Outras pesquisas reforçam essa ideia e sugerem um exercício acessível: ao sair ao ar livre, anotar mentalmente (ou no papel) três coisas positivas percebidas naquele momento. Pode ser o canto de um pássaro, o cheiro do ar ou a textura de uma árvore. Esse tipo de atenção ativa ajuda a treinar o olhar e aprofundar a conexão com o ambiente.

Publicidade

A importância dos espaços verdes no dia a dia

O acesso à natureza também entra como um ponto central nessa discussão. Ambientes urbanos com pouca vegetação tendem a favorecer o isolamento, enquanto bairros com áreas verdes estimulam encontros, pausas e bem-estar.

Dados recentes indicam que passar pelo menos uma a duas horas por semana em espaços naturais pode aumentar significativamente a sensação de conexão - consigo mesmo e com os outros.

Menos pressa, mais presença

O que esse conjunto de pesquisas sugere é simples, mas nem sempre óbvio: desacelerar pode ser um caminho para se reconectar. Não se trata de fazer mais, mas de estar de forma diferente. De trocar a pressa pela presença. De sair do automático e, por alguns minutos, apenas observar.

Porque, às vezes, o que falta não é companhia, é conexão. E ela pode estar mais perto do que parece, no som do vento, na luz do fim da tarde ou no silêncio de um caminho arborizado.

Publicidade
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações