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Nem sempre o repouso é a melhor escolha durante o tratamento do câncer

Descubra como o exercício físico no tratamento do câncer pode beneficiar pacientes e o que a ciência já comprovou sobre essa prática.

28 jun 2026 - 12h00
(atualizado às 12h01)

Muitas pessoas acreditam que, durante o tratamento do câncer, o repouso deve ser a única prioridade.

No entanto, quando há liberação da equipe médica, a prática de exercícios físicos pode fazer parte do tratamento e trazer benefícios importantes para a saúde.

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Hoje, organizações científicas internacionais, como o American College of Sports Medicine (ACSM), recomendam que pessoas com câncer evitem o sedentarismo e permaneçam fisicamente ativas sempre que possível, sempre respeitando suas condições clínicas e com orientação da equipe de saúde.

As pesquisas mostram que o exercício não elimina células cancerígenas nem substitui tratamentos como cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou outras terapias oncológicas.

O principal efeito demonstrado é melhorar o funcionamento do organismo de maneiras que podem tornar o ambiente menos favorável ao crescimento do tumor e ajudar na resposta ao tratamento.

Exercício físico no tratamento do câncer: como pode ajudar o organismo

Os principais achados das pesquisas incluem:

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  • Melhora da função do sistema imunológico: durante e após o exercício, há um aumento temporário da circulação de células de defesa, como as células NK (natural killer) e os linfócitos T, que participam da vigilância contra células anormais. Em estudos com animais, esse mecanismo ajudou a reduzir o crescimento de alguns tumores. Em pessoas, essa relação ainda está sendo investigada.
  • Redução da inflamação crônica: a prática regular de atividade física ajuda a diminuir marcadores inflamatórios. Como a inflamação persistente pode favorecer o desenvolvimento e a progressão de alguns tipos de câncer, esse é um dos mecanismos mais estudados.
  • Melhora do metabolismo: o exercício aumenta a sensibilidade à insulina e pode reduzir os níveis de insulina e do IGF-1, hormônios que, em alguns tipos de câncer, estão relacionados ao crescimento das células tumorais.
  • Mudanças no ambiente ao redor do tumor: estudos sugerem que o exercício pode melhorar a circulação sanguínea e a oxigenação na região do tumor. Em alguns casos, isso pode favorecer a ação da quimioterapia e da radioterapia. Essa área ainda está em desenvolvimento.
  • Liberação de substâncias produzidas pelos músculos (miocinas): durante a contração muscular, os músculos liberam substâncias que podem influenciar processos relacionados ao crescimento tumoral. Os resultados observados em laboratório são promissores, mas ainda não permitem concluir que isso resulte na destruição direta de tumores em pacientes.

O que os estudos mostram em pessoas?

Há evidências consistentes de que pessoas que mantêm ou iniciam programas de exercícios após o diagnóstico de alguns tipos de câncer, como mama, cólon e próstata, tendem a apresentar diversos benefícios.

Entre eles estão:

  • redução da fadiga relacionada ao câncer;
  • preservação da massa muscular e da força;
  • melhora da capacidade cardiovascular;
  • redução da ansiedade e dos sintomas depressivos;
  • melhora da qualidade do sono;
  • melhora da qualidade de vida;
  • recuperação mais rápida após cirurgias e outros tratamentos.

Além disso, ensaios clínicos recentes reforçam que programas estruturados de exercícios durante e após o tratamento podem trazer benefícios importantes.

Ainda assim, nem todos os tipos de câncer foram estudados da mesma forma. A intensidade desses benefícios também pode variar conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e as características de cada paciente.

Exercício físico no tratamento do câncer.
Exercício físico no tratamento do câncer.
Foto: SaúdeLAB

O que ainda não foi comprovado?

Até o momento, não há evidências de que:

  • o exercício elimine diretamente células cancerígenas em seres humanos;
  • a prática de exercícios substitua cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou qualquer outro tratamento oncológico;
  • treinos muito intensos ofereçam um efeito antitumoral superior ao de programas regulares, individualizados e bem orientados.

O consenso científico atual é que o exercício físico representa uma importante estratégia complementar no tratamento oncológico.

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Ele traz benefícios comprovados para a saúde física e mental, mas deve sempre fazer parte de um plano terapêutico acompanhado pela equipe de saúde.

Como devem ser os exercícios durante o tratamento?

O programa de exercícios deve ser individualizado e sempre aprovado pela equipe que acompanha o tratamento.

O tipo e a intensidade das atividades dependem de fatores como:

  • o tipo e o estágio do câncer;
  • o tratamento em andamento (quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, terapia-alvo, entre outros);
  • como o paciente está se sentindo naquele dia;
  • os resultados dos exames. Alterações como anemia ou baixa contagem de leucócitos e plaquetas, por exemplo, podem exigir adaptações ou até a suspensão temporária dos exercícios.

Quando houver liberação médica, geralmente são indicados:

  • exercícios aeróbicos moderados, como caminhada, bicicleta ergométrica ou natação (quando não houver contraindicação);
  • treinamento de força de duas a três vezes por semana, com cargas leves a moderadas e progressão gradual;
  • exercícios de mobilidade e alongamento.

Quando interromper o exercício?

É importante interromper a atividade física e procurar orientação da equipe de saúde caso ocorram sinais como:

  • febre de 38 °C ou mais;
  • dor no peito;
  • falta de ar intensa;
  • tontura importante;
  • sangramentos ou hematomas incomuns;
  • dor intensa ou persistente;
  • inchaço importante, principalmente em pessoas com risco de linfedema.

Cada paciente precisa de um treino diferente

Quem já praticava exercícios antes do diagnóstico, muitas vezes consegue manter uma rotina adaptada durante o tratamento.

Já quem está começando deve iniciar de forma gradual, sempre respeitando os próprios limites.

Na elaboração do treino, o profissional de Educação Física deve levar em consideração:

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  • o tipo e a localização do câncer;
  • o tratamento realizado ou que será iniciado;
  • a idade do paciente;
  • o nível de condicionamento físico;
  • se a pessoa já pratica musculação ou outro esporte;
  • a presença de outras doenças ou limitações.

No vídeo abaixo, apresento um treino adaptado que pode ser realizado em casa. Ele foi pensado para pessoas em tratamento, em recuperação e também para quem convive com outras comorbidades.

Ainda assim, esse é apenas um exemplo. Antes de iniciar qualquer atividade física, converse com a equipe de saúde responsável pelo seu tratamento.

Nem todas as pessoas em tratamento poderão se exercitar da mesma forma ou se sentirão bem para treinar todos os dias.

Por isso, respeitar a individualidade, adaptar os exercícios às condições de cada paciente e contar com orientação profissional são atitudes fundamentais para que a atividade física seja realizada com segurança e traga os benefícios esperados.

Fonte: SaúdeLAB
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