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Maratona abaixo de 2 horas: o que está por trás do recorde histórico de Sebastian Sawe

Treino intenso, estratégia nutricional, tecnologia e mente preparada explicam como o atleta queniano quebrou uma das maiores barreiras do esporte

27 abr 2026 - 15h09

Correr uma maratona já é, por si só, um desafio que exige preparo físico, disciplina e resistência mental. Agora, completar os 42,195 quilômetros em menos de duas horas parecia, até pouco tempo atrás, um limite quase inatingível. Mas isso mudou.

Entenda como treino intenso, nutrição estratégica, tecnologia e preparo mental levaram Sebastian Sawe a quebrar barreiras na maratona
Entenda como treino intenso, nutrição estratégica, tecnologia e preparo mental levaram Sebastian Sawe a quebrar barreiras na maratona
Foto: Reprodução/YouTube / Bons Fluidos

O queniano Sebastian Sawe entrou para a história ao vencer a Maratona de Londres com o tempo de 1h59min30s - tornando-se o primeiro atleta a atingir essa marca em uma prova oficial. Mais do que um recorde, o feito simboliza uma nova fase do esporte, em que ciência, estratégia e tecnologia caminham lado a lado. Mas afinal, o que existe por trás de um desempenho tão extraordinário?

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Muito além do talento: o peso do treino consistente

Antes de qualquer tecnologia ou estratégia avançada, existe um fator que continua sendo indispensável: o treino. Nas semanas que antecederam a prova, Sawe manteve um volume impressionante de corrida, chegando a ultrapassar os 200 quilômetros semanais. Esse tipo de rotina exige não apenas condicionamento físico, mas também constância - algo que, no esporte e na vida, costuma ser mais decisivo do que a intensidade isolada.

"Nas últimas seis semanas, ele tem feito uma média de 200 quilómetros ou mais por semana, tendo atingido um pico de 241 quilômetros", afirmou o treinador Claudio Berardelli, em entrevista ao The Guardian. Esse dado revela um ponto importante: resultados expressivos raramente vêm de soluções rápidas. Eles são construídos no longo prazo.

O simples que funciona: nutrição como estratégia

Se existe um pilar silencioso na alta performance, ele é a alimentação. Antes da largada, o café da manhã do atleta foi surpreendentemente simples: pão com mel. A escolha, no entanto, está longe de ser aleatória. Esses alimentos são ricos em carboidratos de rápida absorção, fundamentais para abastecer o corpo em provas longas.

Durante a corrida, a estratégia continuou: consumo de géis de carboidrato para manter os níveis de energia estáveis e evitar a fadiga precoce. Esse cuidado revela um conceito cada vez mais valorizado no esporte: não é sobre complexidade, mas sobre precisão. Comer bem, no momento certo, pode ser o diferencial entre manter o ritmo ou quebrar no meio do caminho.

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Treinar o corpo… e também o intestino

Um detalhe pouco conhecido fora do universo esportivo é que até o sistema digestivo precisa ser treinado. Atletas de endurance costumam praticar o chamado "training the gut", que consiste em adaptar o organismo a ingerir grandes quantidades de carboidrato durante o exercício. 

Isso melhora a absorção e reduz o risco de desconfortos gastrointestinais - algo que pode comprometer totalmente a performance. Ou seja, correr bem não depende apenas das pernas. O corpo inteiro precisa estar preparado.

Tecnologia que impulsiona

Outro elemento que tem transformado o cenário das maratonas é o avanço dos equipamentos. Sawe utilizou o modelo Adidas Pro Evo 3, uma das chamadas "supersapatilhas". Com placa de carbono e estrutura ultraleve, esse tipo de calçado melhora a eficiência da corrida e potencializa cada passada. Na prática, pequenas melhorias mecânicas podem representar segundos - e, em alto nível, segundos fazem toda a diferença.

Mente preparada, corpo alinhado

Além da preparação física e estratégica, há um aspecto que não pode ser ignorado: o mental. "Tive coragem para continuar a dar o meu melhor, mesmo com um ritmo tão acelerado", disse Sawe. "Não me senti incomodado porque estava preparado para isso. O público ajudou-me imenso, pois estava a torcer, a gritar o meu nome e a transmitir-me força. O recorde mundial de hoje também se deve a eles."

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A fala do atleta reforça algo essencial: performance não é apenas sobre capacidade física, mas também sobre como lidamos com o desconforto, a pressão e os próprios limites.

Uma nova era para o corpo humano

O recorde de Sawe não pode explicar-se por um único fator. Ele é resultado de um sistema mais inteligente, que integra treino, nutrição, tecnologia e ciência. Curiosamente, o corpo humano não mudou tanto nas últimas décadas. O que evoluiu foi tudo ao redor: a forma de treinar, de se alimentar, de se recuperar e até de correr.

"Não há dúvida de que estamos numa nova era da maratona, graças ao calçado e à alimentação adequada", salientou Berardelli. E talvez essa seja a grande reflexão por trás desse feito histórico: não se trata apenas de ir mais rápido, mas de entender melhor como o corpo funciona - e como pequenas decisões, quando somadas, podem levar a resultados extraordinários.

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