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Jovem desempregado devolve Pix milionário e rebate críticas: 'Meus valores não estão à venda'

Mesmo enfrentando dificuldades financeiras, o estudante Leandro Pinheiro decidiu devolver os R$ 200 mil que recebeu por engano via Pix

27 jan 2026 - 22h13

O estudante Leandro Pinheiro, de 25 anos, virou assunto após devolver R$ 200 mil que recebeu por engano via Pix, em Goiânia. Desempregado e cursando um técnico em enfermagem, ele afirma que foi alvo de críticas e chegou a ser chamado de 'trouxa' por não ter ficado com o valor.

Leandro Pinheiro devolve Pix que recebeu por engano
Leandro Pinheiro devolve Pix que recebeu por engano
Foto: Arquivo Pessoal / Bons Fluidos

O dinheiro caiu na conta de Leandro no dia 17 de janeiro. Pouco tempo depois, ele foi procurado pelo empresário responsável pela transferência equivocada. A quantia inesperada provocou uma mistura de emoções. "Na hora veio alegria e medo ao mesmo tempo. Pensei: será que alguém está tentando me usar como laranja para me prejudicar, me envolver em problema e depois dizer que eu me apropriei de algo?", relatou.

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Após conversar com familiares, o estudante decidiu devolver o valor imediatamente. Para ele, manter o dinheiro poderia trazer consequências jurídicas no futuro. "O que não é meu não é meu. Da forma que entrou, ia sair", afirmou. A devolução foi realizada por meio do procedimento oficial de contestação do Pix junto ao banco.

Julgamentos após a devolução do Pix

Com a divulgação do caso, Leandro passou a receber mensagens de todos os tipos. Segundo ele, muitas críticas vieram de pessoas desconhecidas. "Me chamaram de trouxa, disseram que eu tive pena de rico e que deveria ter ficado com o dinheiro", contou.

Apesar disso, ele também relata manifestações positivas. "As pessoas chegam e falam parabéns pela sua honestidade. Isso me enche de orgulho", disse. Para o estudante, o apoio reforçou a convicção de que tomou a decisão correta, mesmo diante das dificuldades financeiras.

Medo de golpe e situação financeira

Desde o primeiro momento, Leandro Pinheiro afirma que teve receio de se envolver em um golpe ou ser acusado de algum crime. Ele considerou a possibilidade de o depósito ter sido feito propositalmente para testar sua reação. "Pensei que poderiam depositar o dinheiro para ver se eu ficaria com ele e depois dizer que eu tentei me aproveitar", relatou.

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Natural de Santa Inês, no Maranhão, o rapaz cresceu na zona rural, ao lado de dois irmãos, em uma família de lavradores. Antes de se mudar para Goiânia há cerca de um ano, viveu oito anos em Nova Mutum, no Mato Grosso. Atualmente, mora na capital goiana, onde também reside um irmão.

Sem emprego formal, ele depende do seguro-desemprego para se manter. A renda mensal é de R$ 1.750, sendo que R$ 850 são destinados apenas ao aluguel. O restante precisa cobrir gastos com curso, energia elétrica e água. A limitação financeira impacta diretamente a rotina. "Tem mês que eu tenho de escolher o que pagar e o que deixar para depois. Às vezes, não dá para pagar academia, às vezes não dá para pagar internet, aí fico só com os dados do celular", explicou.

Os R$ 200 mil possibilitariam quitar o aluguel e finalizar os estudos, além de viabilizar a entrada em um imóvel próprio. Leandro reconhece o peso que o valor teria em sua vida, mas afirma que a hipótese de ficar com o dinheiro nunca foi considerada. "Meus valores não estão à venda. Jamais me corrompo por dinheiro. Se amanhã cair R$ 2 milhões, eu faço a mesma coisa. Meu caráter e meus valores eu levo para o resto da vida", garante ele, que recebeu do empresário R$ 1 mil como recompensa.

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