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Jão fala sobre morte repentina do pai e enfrentamento do luto: 'Era só um dia comum'

Após perder o pai durante um período de hiato, cantor transforma a experiência do luto em álbum e compartilha reflexões sobre ausência, amor e recomeços

28 jul 2026 - 15h13

Depois de um período longe dos holofotes, o cantor Jão está de volta com um trabalho marcado por emoções profundas. O álbum Memórias Póstumas, lançado após mais de um ano de hiato, nasceu em um dos momentos mais delicados de sua vida: a perda do pai, Carlos Alberto Balbino, em junho de 2025.

Jão fala sobre a perda do pai, o processo de luto e o novo álbum; cantor revela como a dor inspirou seu novo trabalho 
Jão fala sobre a perda do pai, o processo de luto e o novo álbum; cantor revela como a dor inspirou seu novo trabalho
Foto: Reprodução/YouTube / Bons Fluidos

Conhecido por arrastar multidões em turnês e festivais, o artista decidiu interromper a carreira temporariamente em abril daquele ano para descansar e se afastar das redes sociais. O que ele não imaginava era que a pausa seria atravessada por um luto que mudaria completamente sua relação com a música e com o processo criativo.

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Um luto vivido sem respostas prontas

Em entrevista ao g1, Jão contou que sempre imaginou que perder alguém seria acompanhado por acontecimentos grandiosos, mas a realidade foi bem diferente. "Eu acho que eu sempre imaginei as coisas de uma maneira muito épica. Achava que, no dia que eu perdesse alguém ia ser uma coisa, uma chuva torrencial e eu ia, sei lá, receber vários sinais divinos. Mas era só um dia comum."

O relato traduz uma experiência comum entre pessoas enlutadas. A morte nem sempre chega cercada de momentos cinematográficos. Muitas vezes, ela invade a rotina de forma silenciosa, obrigando quem fica a aprender, aos poucos, a conviver com a ausência.

Quando a música deixou de fazer sentido

Nos primeiros meses após a morte do pai, o cantor revelou que não conseguia sequer ouvir músicas. Para ele, a arte representava algo prazeroso demais para aquele momento de sofrimento.

Segundo Jão, havia uma sensação de culpa em buscar qualquer forma de conforto enquanto lidava com a perda. Até que, durante uma corrida noturna, decidiu colocar uma canção da cantora Lorde para tocar. A experiência foi transformadora. "Ok, eu preciso disso", pensou.

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A partir dali, a escrita voltou a fazer parte da rotina. Sem pensar em lançar um disco, ele passou a colocar no papel tudo o que sentia. O resultado foi uma produção intensa: mais de 50 músicas surgiram nesse período.

Um álbum construído por diferentes perspectivas

Embora tenha nascido da dor, Memórias Póstumas não fala apenas sobre tristeza. O trabalho reúne diferentes vozes e olhares, como se cada faixa representasse uma maneira distinta de lidar com a ausência.

Jão explicou que algumas canções são narradas a partir de perspectivas inspiradas em pessoas importantes de sua vida. É o caso de "Jabuticabeira", relacionada ao pai; "Eu Sempre Volto", inspirada na avó; e "João", construída a partir da relação com o namorado, Pedro Tófani

O cantor afirma que perdeu parte das referências sobre o futuro durante aquele período, mas encontrou justamente nessa multiplicidade de narrativas uma forma de seguir criando.

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"Não existe um objetivo com o luto"

A reflexão também aparece na capa do álbum, que mostra o artista ao lado da figura da Senhora Morte, olhando para o horizonte. Para ele, a imagem representa a presença constante da finitude na vida e a impossibilidade de controlar ou compreender completamente esse processo. "Não existe um objetivo com o luto."

Segundo o músico, a convivência com a perda não acontece porque alguém encontra uma explicação definitiva, mas porque, aos poucos, aprende a seguir vivendo apesar dela. Essa visão dialoga com o que especialistas em saúde mental costumam destacar: o luto não segue etapas rígidas nem possui prazo para terminar. Cada pessoa constrói sua própria forma de integrar a ausência à própria história.

Uma homenagem ao pai por meio da arte

Escrever sobre uma experiência tão íntima diante de milhões de fãs não foi uma decisão simples. Ainda assim, Jão afirma que sempre fez um compromisso consigo mesmo de criar músicas honestas, independentemente do tema. Ao recordar o pai, o cantor contou que encontrou uma maneira muito particular de manter viva essa ligação.

"Meu pai era uma pessoa extremamente direta e extremamente viva. E eu acho que a minha maneira mais legal de honrar a vida dele era viver a minha vida de forma mais foda possível."

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Ele também revelou que o pai sempre foi seu maior admirador e que ainda sente vontade de compartilhar cada conquista profissional com ele. Transformar essa saudade em música tornou-se, para o artista, uma forma de preservar esse vínculo.

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