Isabel Fillardis compartilhou um dos relatos mais marcantes de sua trajetória como mãe. Durante entrevista ao JP Entretê, a atriz e cantora contou que viveu uma experiência espiritual enquanto buscava diferentes formas de cuidado para o filho Jamal, hoje com 23 anos, diagnosticado ainda bebê com a síndrome de West, uma condição neurológica rara.
Segundo Isabel, ela participou de algumas sessões espirituais dentro da doutrina espírita kardecista ao lado do filho. Em uma delas, afirma ter presenciado uma cena que a impressionou profundamente e que permanece viva em sua memória até hoje.
"Eu vi um espírito se materializar"
Ao recordar o episódio, a atriz descreveu o ambiente onde aconteciam os atendimentos espirituais. "Eu fiz algumas sessões espirituais com o Jamal dentro [das doutrinas] de Kardec. E numa dessas, eu fui 'pro alto da colina', que a gente chama, e eu vi um espírito se materializar. Eu vi um espírito vir através da cortina na minha direção."
Ela explicou que a sala era iluminada por uma luz azul e lembrava um hospital, com várias macas distribuídas pelo ambiente. Foi então que, segundo Isabel, surgiu uma figura que parecia se deslocar sem tocar o chão. "De repente, eu vejo um ser passar pela cortina. Ele não andava, ele flutuava. Ele vinha de maca em maca. Eu lembro dessa figura. Ele tinha um manto comprido, algo na cabeça como se fosse um turbante, e tinha uma barba bem cheia."
A artista afirma que não conseguia enxergar as mãos da entidade, mas percebia uma intensa luminosidade. "Eu via como se fosse um quimono e, dentro dele, tinha uma luz nas duas mãos. E ali ele manipulava onde a pessoa precisava". Após a sessão, ela contou que levou dias tentando compreender o que havia presenciado. "Voltei para casa e fiquei dias assim: 'Eu vi isso mesmo?'".
A maternidade transformada pelo nascimento de Jamal
Na entrevista, Isabel também falou sobre como o nascimento do segundo filho mudou completamente sua vida. Hoje com 52 anos, ela é mãe de Analuz, de 25 anos, Jamal, de 23, e Kalel, de 12. Embora tenha se tornado mãe pela primeira vez com o nascimento de Analuz, a atriz afirma que foi a chegada de Jamal que a apresentou à realidade da maternidade atípica.
"Minha filha mais velha tem 25 anos, mas eu me tornei mãe atípica com o nascimento do Jamal". Ela descreveu o filho como alguém capaz de estabelecer conexões profundas, mesmo sem utilizar a fala. "Meu filho é um ser de luz. Aquele menino não fala, mas fala. É impressionante a capacidade que ele tem de tocar as pessoas."
O diagnóstico da síndrome de West
Isabel explicou que, durante toda a gravidez, os exames não indicaram qualquer alteração. Os primeiros sinais da síndrome de West surgiram apenas alguns meses após o nascimento. "A síndrome de West só aparece nos primeiros meses de vida, por volta do quarto ou quinto mês, quando começam as crises convulsivas ou pequenos espasmos."
Segundo ela, o diagnóstico precoce faz toda a diferença para reduzir os impactos da doença. "Ela é bem severa, porque, se você não entende, não consegue descobrir, não consegue minimizar ou até mesmo cessar essas crises, as crianças… algumas vão a óbito, outras não conseguem ter uma qualidade de vida tão bacana. Enfim, são muitas as possibilidades, positivas e não positivas."
Além de Jamal, Isabel contou que os outros dois filhos também fazem acompanhamento médico. Kalel recebeu diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e ainda passa por investigação de uma possível comorbidade com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Já Analuz realiza tratamento para ansiedade.
Ao compartilhar sua história, a atriz mostrou como espiritualidade, ciência e cuidado caminharam juntos ao longo da jornada com o filho. Independentemente das crenças de cada pessoa, seu relato revela a busca de muitas famílias por acolhimento, esperança e força para enfrentar os desafios impostos por um diagnóstico raro.