A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo decisivo no combate à epidemia de HIV ao aprovar, nesta segunda-feira (12), o uso do lenacapavir no Brasil. Comercializado sob o nome Sunlenca pelo laboratório Gilead Sciences, o fármaco se destaca por ser o primeiro injetável de ação prolongada administrado apenas duas vezes ao ano. A inovação já possuía aval de órgãos reguladores nos Estados Unidos e na Europa e agora chega ao mercado brasileiro com duas frentes de atuação fundamentais para a saúde pública.
A primeira indicação aprovada é para a Profilaxia Pré-Exposição, a PrEP, voltada a indivíduos com mais de 12 anos e peso superior a 35 kg que testarem negativo para o vírus. Diferente dos comprimidos diários que exigem disciplina rigorosa de ingestão, o esquema semestral elimina barreiras de adesão, garantindo uma proteção quase total contra a infecção. A segunda indicação foca em pacientes que já vivem com o vírus, mas enfrentam quadros de resistência a outras classes de antivirais, oferecendo uma nova perspectiva terapêutica para casos complexos.
Aprovação do medicamento contra HIV
O chefe do departamento de Infectologia da Universidade Estadual de São Paulo, Alexandre Naime Barbosa, destaca o impacto da medida ao afirmar que "A aprovação do lenacapavir pela Anvisa hoje é, sem dúvida, um marco muito especial na resposta ao HIV no Brasil. Ele está no centro das discussões mais avançadas sobre prevenção no mundo. É um medicamento inovador, com mecanismo de ação totalmente novo, o que amplia de forma concreta as opções de prevenção e tratamento disponíveis. Agora, o próximo passo é discutir acesso, incorporação e sustentabilidade, especialmente no SUS".
O processo de análise pela agência brasileira ocorreu de forma prioritária devido à relevância epidemiológica da doença. A fabricante reforça que o medicamento é uma esperança para quem possui opções terapêuticas restritas. Em comunicado oficial, André Abrahão, Diretor Médico da Gilead Sciences Brasil, pontuou ao site O Globo que "Trata-se de uma inovação de longo prazo que amplia opções de prevenção e oferece esperança para pessoas com resistência extensa e opções terapêuticas restritas. A Gilead está comprometida com a colaboração contínua com autoridades, especialistas e a comunidade para ampliar o impacto positivo dessas duas novas indicações".
Embora a aplicação semestral traga grande praticidade, especialistas e a Organização Mundial da Saúde reforçam que o lenacapavir deve integrar a chamada prevenção combinada. Essa estratégia une o uso de medicamentos modernos ao uso de preservativos e à testagem regular. A expectativa agora se volta para os órgãos de incorporação de tecnologias em saúde, que devem avaliar a viabilidade de oferecer o tratamento na rede pública de forma sustentável para o sistema.