Oferecimento

Hemorroidas: quando é preciso fazer uma cirurgia?

Cirurgião explica os diferentes graus da doença, opções de tratamento e quando o procedimento é necessário

21 set 2026 - 08h01
Resumo
A doença hemorroidária afeta cerca de 26% da população mundial, mas o medo da cirurgia e a desinformação atrasam a busca por ajuda médica. O tratamento varia conforme o grau do problema: quadros leves demandam mudanças de hábitos, enquanto intervenções intermediárias utilizam técnicas como ligadura elástica. O procedimento cirúrgico só é indicado para casos avançados ou sem melhora clínica, contando com opções modernas e menos invasivas para garantir uma recuperação mais confortável.

Entenda quando a cirurgia é realmente indicada e quais tratamentos podem ser feitos sem o procedimento tradicional

Sangra, dói, incomoda, limita a rotina, não deixa sentar direito e pode até sujar a roupa íntima. Mesmo assim, muita gente prefere conviver com os sintomas das hemorroidas a procurar um médico por medo de ouvir uma única palavra: cirurgia.

Foto: Revista Malu

A doença hemorroidária é bastante comum, mas ainda cercada de vergonha, desinformação e, principalmente, medo. Muitos pacientes passam anos usando pomadas por conta própria, evitando falar sobre o assunto ou simplesmente aprendendo a conviver com o desconforto.

Publicidade

Uma revisão científica publicada em 2025, que reuniu dados de mais de 8,9 milhões de pessoas em 45 países, estimou que cerca de 26% da população mundial apresenta doença hemorroidária.

"Existe uma ideia de que, se a pessoa tem hemorroidas, em algum momento obrigatoriamente terá que passar por uma cirurgia. Mas o que muitos não sabem é que existem diferentes graus da doença e várias possibilidades de tratamento", explica Andre Augusto Pinto, cirurgião geral e do aparelho digestivo da Clínica Gastro ABC.

Quando as hemorroidas precisam de tratamento?

As hemorroidas são estruturas normais do corpo e ajudam no controle da evacuação. O problema acontece quando esses vasos e tecidos aumentam, inflamam ou descem em direção à saída do ânus, provocando sintomas.

Entre os sinais mais comuns estão sangramento, coceira, dor, inchaço e a presença de um caroço ou tecido que pode sair pelo ânus, principalmente durante a evacuação.

Publicidade

As hemorroidas podem ser internas, externas ou mistas. As internas são divididas em quatro graus, que vão desde aquelas que permanecem dentro do ânus até as que saem pelo ânus e não conseguem mais voltar sozinhas.

A escolha do tratamento depende da intensidade dos sintomas e das características do quadro. Em casos mais leves, mudanças de hábitos podem ajudar, como aumentar o consumo de fibras e água, evitar fazer força para evacuar e reduzir o tempo no vaso sanitário. Permanecer sentado por longos períodos, algo que pode acontecer quando a pessoa fica mexendo no celular durante a evacuação, também deve ser evitado.

Quando essas medidas não são suficientes, existem procedimentos que podem ser realizados sem uma cirurgia tradicional. Um exemplo é a ligadura elástica, em que um pequeno anel é colocado na hemorroida para interromper o fluxo de sangue e fazer com que ela diminua.

A cirurgia costuma ser considerada principalmente nos casos mais avançados ou quando outros tratamentos não apresentam o resultado esperado.

Quando a cirurgia é indicada?

Quando o procedimento é necessário, existem diferentes técnicas. A escolha leva em conta o grau da doença, os sintomas e as características de cada paciente.

Publicidade

Hemorroidectomia

É uma das técnicas mais conhecidas e consiste na retirada das hemorroidas. Pode ser indicada principalmente para casos mais avançados. É um procedimento eficaz, mas a recuperação pode ser mais desconfortável.

Hemorroidopexia com grampeador

Nesse procedimento, o objetivo é reposicionar o tecido que sofreu prolapso, ou seja, que saiu da posição normal. Em pacientes selecionados, pode proporcionar uma recuperação mais confortável do que a retirada convencional.

Técnicas minimamente invasivas

Também existem procedimentos que procuram reduzir o tamanho das hemorroidas ou controlar o sangramento com menor agressão aos tecidos. A indicação varia conforme o quadro e deve ser feita pelo especialista.

"Hoje temos diferentes opções e conseguimos escolher a técnica de acordo com o problema de cada paciente. Por isso, o mais importante é não decidir pelo tratamento com base no medo ou em relatos de outras pessoas. O que funcionou para um paciente pode não ser a melhor opção para outro", explica Andre.

Publicidade

O medo da cirurgia pode fazer o problema persistir

Adiar a consulta por vergonha ou medo pode fazer com que o paciente permaneça por muito tempo convivendo com sintomas que poderiam ser tratados.

Hemorroida tem tratamento. O primeiro passo é procurar um especialista para entender o que está causando os sintomas e qual é a melhor alternativa.

Afinal, conviver com sangramento, dor e desconforto não precisa fazer parte da rotina.

Revista Malu
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações