Estudo da Universidade de Glasgow com 500 mil pessoas indicou que níveis de hemoglobina 1 a 3 g/dL acima dos limites de anemia da OMS estão associados ao menor risco de mortalidade, destacando a importância de interpretar cuidadosamente esses índices.
Níveis de hemoglobina que hoje são classificados como normais podem esconder riscos à saúde. Um estudo com mais de 500 mil pessoas revelou que o menor índice de mortalidade ocorre apenas quando a concentração da proteína está de 1 a 3 g/dL acima dos limites atuais de anemia da Organização Mundial da Saúde (OMS). A descoberta, publicada no Annals of Internal Medicine nesta semana, acende um alerta para a interpretação médica de exames de sangue.
A investigação prospectiva foi conduzida por pesquisadores da Universidade de Glasgow, no Reino Unido. O grupo avaliou a relação entre as taxas da proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue e os registros de óbitos ao longo do tempo.
Os dados analisados vieram de participantes cadastrados na base do UK Biobank. Os pesquisadores compararam as concentrações sanguíneas de cada indivíduo com os parâmetros diagnósticos de anemia estabelecidos pela OMS para cada sexo.
A pesquisa avaliou a mortalidade entre 502.188 adultos, acompanhados por um período mediano de 13,6 anos.
O que aponta a análise sobre as taxas de mortalidade?
A análise identificou uma relação em formato de curva em U entre os índices de hemoglobina e o índice de mortalidade geral, por câncer e por doenças cardiovasculares. O menor risco de morte foi registrado entre adultos com valores de 1 a 3 g/dL acima dos limites de anemia da OMS, enquanto taxas inferiores e superiores apresentaram maior mortalidade.
Durante o acompanhamento, os pesquisadores monitoraram óbitos decorrentes de causas gerais, problemas cardiovasculares e tumores malignos. Os resultados indicam que valores próximos à linha de corte de anemia estão correlacionados a um risco ampliado de morte.
Quais são os impactos para a prática médica?
Os autores apontam que os dados auxiliam médicos a interpretar índices limítrofes de hemoglobina em exames laboratoriais e a identificar indivíduos sob maior vulnerabilidade clínica. O estudo não propõe a alteração formal dos parâmetros da OMS, mas indica a necessidade de aprofundar investigações sobre a chamada anemia limítrofe.
O autor correspondente do trabalho científico é o médico Pierpaolo Pellicori, da Universidade de Glasgow. A equipe médica reforça que a avaliação detalhada dos exames laboratoriais pode contribuir para intervenções clínicas precoces.