Chefe do Pentágono defende suplementação do hormônio para melhorar desempenho das tropas. Mas noção da testosterona como elixir de força e vitalidade não tem base científica sólida.O secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou nesta quarta-feira (15/07) a realização obrigatória de exames anuais de testosterona para militares a partir dos 30 anos, a fim de mantê-los "fortes, resilientes e capazes".
A iniciativa, segundo ele, "não tem a ver com aprimoramento artificial" e visa "garantir que você [membro das Forças Armadas americanas] tenha os níveis corretos de testosterona para atuar da melhor forma possível".
Nos casos em que for constatada deficiência do hormônio, militares terão a opção de suplementá-lo, mas não serão obrigados a fazê-lo.
A medida vem num momento em que o governo americano tem flexibilizado algumas restrições às terapias de reposição de testosterona, incluindo o anúncio feito em junho de que buscará remover limitações para o uso por homens com baixa testosterona relacionada à idade.
Nos últimos anos, tropas de operações especiais - e, em particular, os Navy SEALs - passaram a ser alvo de escrutínio pelo uso de testosterona e substâncias similares para melhorar o desempenho.
A morte de um recruta dos SEALs durante treinamento, em 2022, levou à descoberta de substâncias em sua posse, incluindo testosterona, e revelou um uso de drogas muito mais disseminado no programa de elite do que se reconhecia anteriormente.
Um ano após a morte do recruta, a Marinha comunicou que iniciaria um programa de testes antidoping para detectar "qualquer substância hormonal, química ou farmacologicamente relacionada à testosterona, que promova o crescimento muscular".
Embora a deficiência de testosterona possa causar prejuízos à saúde, a noção do hormônio como um elixir da força e da vitalidade não tem comprovação científica sólida.
Efeitos da testosterona
Os níveis de testosterona nos homens diminuem naturalmente com a idade e há muito tempo são associados a problemas como disfunção erétil, queda da libido, alterações de humor e ganho de peso. No entanto, especialistas debatem há anos como diagnosticar esses problemas e se eles devem ser tratados com reposição hormonal.
O anúncio de Hegseth ocorre no momento em que o secretário da Saúde, Robert F. Kennedy Jr., e outras autoridades do governo de Donald Trump buscam facilitar a prescrição de testosterona pelos médicos. Em junho, a agência reguladora sanitária FDA propôs flexibilizar as restrições para prescrição de géis, comprimidos, adesivos e injeções de testosterona.
Pelas recomendações atuais, esses medicamentos são destinados apenas a homens com hipogonadismo, condição médica que causa níveis drasticamente baixos de testosterona.
Mas muitos influenciadores e apoiadores de Kennedy promovem a testosterona como uma forma de parecer mais jovem, ganhar massa muscular e manter a agilidade mental, embora esses usos não sejam apoiados pela maioria dos especialistas médicos.
Ainda assim, estudos recentes têm indicado benefícios da testosterona para determinadas condições, ao mesmo tempo em que reduziram preocupações sobre sua segurança, especialmente em relação à saúde cardiovascular.
No ano passado, a FDA retirou da bula dos medicamentos um alerta destacado sobre possíveis riscos de infarto e derrame.
Separadamente, uma série de estudos dos National Institutes of Health (NIH) com homens mais velhos constatou que o uso de testosterona melhorou a disfunção erétil, a libido e outros indicadores de saúde sexual, além de apresentar um pequeno efeito positivo sobre o humor. No entanto, houve pouca ou nenhuma melhora em outros aspectos, como fadiga, memória ou bem-estar geral.
Outros estudos apontaram possíveis ganhos de massa muscular, força e densidade óssea.
Apesar disso, as diretrizes médicas atuais, em geral, não recomendam a realização indiscriminada de exames de testosterona. Normalmente, os médicos são orientados a discutir a terapia de reposição hormonal apenas com homens que apresentem sintomas preocupantes e níveis baixos do hormônio confirmados em dois exames de sangue distintos.
A testagem da testosterona é desafiadora porque os níveis do hormônio variam ao longo do dia. Leituras precisas costumam ser obtidas pela manhã, após jejum.
ra/as (Reuters, AP)
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