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Do provedor ao cuidador: psiquiatra explica como o pai presente muda a família

Paternidade ativa: entenda como a presença do pai na rotina dos filhos pode transformar os vínculos e contribuir para a saúde mental da família.

9 ago 2026 - 16h00
(atualizado às 16h01)

Durante muito tempo, o papel do pai esteve associado quase exclusivamente à figura do provedor. Cabia a ele garantir o sustento da família, enquanto os cuidados cotidianos com os filhos eram vistos como uma responsabilidade predominantemente materna.

Paternidade ativa / Canva
Paternidade ativa / Canva
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

Ao longo dos últimos anos, no entanto, tenho observado na prática clínica uma mudança importante nessa dinâmica.

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Cada vez mais pais participam das consultas, acompanham o desenvolvimento dos filhos, compartilham decisões e assumem um papel ativo no cuidado diário.

Essa transformação representa um avanço importante não apenas para a organização familiar, mas também para a saúde mental de crianças e adultos.

Os números ajudam a explicar esse cenário.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, entre 2000 e 2022, a proporção de domicílios em que o homem era apontado como o responsável pela família caiu de 75,1% para 51,1%.

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Ao mesmo tempo, a crescente participação das mulheres no mercado de trabalho impulsionou uma reorganização dos papéis dentro de casa, tornando mais frequente o compartilhamento das responsabilidades financeiras, dos cuidados e da educação dos filhos.

Paternidade ativa e desenvolvimento infantil

Do ponto de vista da psiquiatria, essa mudança tem um significado profundo.

Hoje, sabemos que o desenvolvimento emocional infantil depende da qualidade dos vínculos estabelecidos com seus principais cuidadores.

A presença afetiva do pai favorece a construção de um ambiente de segurança, previsibilidade e confiança, elementos fundamentais para o desenvolvimento da autoestima, da autonomia, da capacidade de regular emoções e da forma como a criança aprenderá a lidar com desafios ao longo da vida.

Participar da criação de um filho vai muito além de dividir tarefas domésticas.

Significa estar presente nas conversas, acompanhar a rotina escolar, brincar, estabelecer limites, acolher frustrações e celebrar conquistas.

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São essas experiências do dia a dia que fortalecem o vínculo familiar e constroem relações de confiança que acompanham a criança por toda a vida.

Quando a presença do pai faz ainda mais diferença

Esse envolvimento torna-se ainda mais relevante quando falamos de crianças com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno do Espectro Autista (TEA), Altas Habilidades/Superdotação ou outros perfis do neurodesenvolvimento.

Nesses casos, a participação ativa do pai contribui para a organização da rotina, fortalece a adesão às intervenções propostas, favorece a regulação emocional e amplia a consistência das estratégias utilizadas pela família.

Quanto mais alinhados estiverem os cuidadores, maiores tendem a ser os benefícios para o desenvolvimento da criança.

A ciência também mostra que essa transformação beneficia os próprios pais.

Homens que vivenciam uma paternidade ativa costumam desenvolver vínculos afetivos mais sólidos com os filhos, ampliar seu repertório emocional e experimentar relações familiares mais saudáveis.

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Essa participação pode, inclusive, funcionar como um importante fator de proteção para a própria saúde mental, ao fortalecer o sentimento de pertencimento, propósito e conexão familiar.

Neste Dia dos Pais, mais do que celebrar uma data, vale reconhecer a evolução da paternidade e o impacto que ela produz dentro de casa.

O maior legado de um pai não está apenas na segurança financeira que oferece, mas na presença constante, na disponibilidade emocional e na construção de vínculos que ajudam crianças a crescer com mais segurança, autonomia e equilíbrio.

Cuidar deixou de ser apenas uma demonstração de afeto. Hoje, sabemos que também é uma das formas mais importantes de promover saúde mental dentro da família.

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Fonte: SaúdeLAB
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