Celebrado em 14 de setembro, o frevo surgiu no Recife na virada do século 20, derivado do termo "ferver". Nascido da mistura de bandas de rua e movimentos de capoeira — origem de seus passos acrobáticos e do uso da icônica sombrinha colorida —, o ritmo se divide em frevo de rua, de bloco e canção. Reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, o gênero transcende o Carnaval e mantém sua memória preservada em locais como o Paço do Frevo, na capital pernambucana.
Som de metais, passos acelerados, roupas coloridas e uma pequena sombrinha girando no ar. Basta reunir esses elementos para reconhecer uma das manifestações culturais mais características do Brasil: o frevo.
Celebrado nacionalmente em 14 de setembro, o ritmo está profundamente ligado à história de Pernambuco e, principalmente, aos carnavais de Recife e Olinda. Mas reduzir o frevo à folia seria deixar de fora boa parte de sua importância.
A manifestação nasceu da mistura de música, dança e movimentos populares que tomavam as ruas pernambucanas entre o final do século 19 e o começo do século 20. Com o passar das décadas, atravessou gerações e conquistou reconhecimento dentro e fora do país.
Para celebrar o Dia Nacional do Frevo, conheça algumas curiosidades sobre essa expressão tão importante da cultura brasileira.
1. O nome tem relação com a palavra "ferver"
A energia do frevo está presente até em seu nome. A explicação mais conhecida relaciona a palavra a uma maneira popular de pronunciar "ferver". A associação faz sentido quando pensamos na imagem das ruas tomadas por multidões durante o Carnaval. O movimento intenso dos foliões dava a impressão de que o chão estava "fervendo".
A primeira referência conhecida ao termo na imprensa pernambucana aconteceu no início do século 20. É justamente por essa razão que o frevo também possui outra data comemorativa: 9 de fevereiro.
2. O frevo nasceu nas ruas do Recife
Antes de ganhar palcos e se tornar patrimônio cultural, o frevo era uma manifestação essencialmente urbana e popular.
Suas origens estão relacionadas aos desfiles de bandas que percorriam as ruas do Recife e às disputas que aconteciam durante os festejos carnavalescos. As músicas executadas pelas bandas foram ganhando velocidade e características próprias, enquanto a movimentação das pessoas que acompanhavam os cortejos ajudava a construir uma nova forma de dançar.
Foi desse ambiente agitado que o frevo começou a adquirir a identidade pela qual seria conhecido posteriormente.
3. A capoeira ajudou a construir os passos
Saltos, agachamentos, movimentos próximos ao chão e acrobacias não apareceram por acaso. A história do frevo está diretamente ligada aos capoeiristas que acompanhavam os cortejos carnavalescos. Muitos seguiam à frente das bandas e utilizavam movimentos corporais característicos da capoeira.
Com o tempo, esses gestos foram sendo transformados e incorporados à dança. O resultado é a impressionante variedade de movimentos que os passistas executam atualmente.
Existem mais de uma centena de passos catalogados, embora ninguém precise dominar as acrobacias para cair no frevo. Durante o Carnaval, movimentos muito mais simples também permitem acompanhar o ritmo e participar da festa.
4. A sombrinha não nasceu apenas como enfeite
Hoje é praticamente impossível imaginar um passista sem a famosa sombrinha colorida nas mãos. Ela se tornou um dos maiores símbolos visuais do frevo, mas sua história é anterior ao aspecto decorativo que conhecemos atualmente.
O acessório também está relacionado à presença dos capoeiristas nos antigos cortejos. Com a transformação da manifestação ao longo dos anos, os objetos utilizados por eles foram diminuindo de tamanho e ganharam novas cores e funções.
A pequena sombrinha passou, então, a integrar a coreografia. Além de deixar a dança ainda mais vibrante, ela pode auxiliar no equilíbrio durante determinados movimentos.
5. Nem todo frevo é igual
Embora compartilhem a mesma origem cultural, existem diferentes maneiras de executar o frevo. Tradicionalmente, ele é dividido em três modalidades principais. O frevo de rua é essencialmente instrumental e está fortemente ligado à dança. É aquele em que os metais e a percussão ganham protagonismo.
Já o frevo-canção acrescenta versos à música e se aproxima das canções carnavalescas. O frevo de bloco, por sua vez, apresenta características mais líricas e melódicas, tradicionalmente associado aos blocos carnavalescos. Essa diversidade mostra como o gênero conseguiu se transformar sem perder sua identidade.
6. O frevo é patrimônio da humanidade
A importância do frevo ultrapassou as fronteiras de Pernambuco. Em 2007, a manifestação foi registrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil. Cinco anos depois, em 2012, recebeu reconhecimento internacional ao ser incluída pela Unesco na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
O reconhecimento considera muito mais do que a música. A dança, os conhecimentos transmitidos entre gerações, os blocos, os músicos, os passistas e toda a comunidade envolvida fazem parte desse patrimônio. Preservar o frevo, portanto, significa manter viva uma memória coletiva.
7. Existe um espaço inteiro dedicado a preservar essa história
Quem visita Recife pode conhecer mais de perto essa tradição no Paço do Frevo, espaço cultural dedicado à memória, à formação e à divulgação desta manifestação pernambucana. Inaugurado em 2014, o local reúne atividades relacionadas à música e à dança e ajuda a manter vivos conhecimentos construídos ao longo de mais de um século.
Neste ano, inclusive, o espaço promove entre os dias 11 e 14 de setembro uma programação especial em comemoração ao Dia Nacional do Frevo, com atividades que incluem feira, oficina, dança e uma edição especial do Arrastão do Frevo.
Muito além do Carnaval
É durante o Carnaval que o frevo ganha sua expressão mais conhecida, quando multidões ocupam as ruas de Recife e Olinda ao som das orquestras. Mas sua existência não começa nem termina na folia. Escolas, músicos, passistas, agremiações e projetos culturais trabalham durante todo o ano para transmitir os conhecimentos ligados à manifestação às novas gerações.
Talvez seja justamente essa capacidade de permanecer vivo e continuar se reinventando que explique sua força. O frevo nasceu da rua, da mistura e da criatividade popular - e transformou toda essa efervescência em um dos maiores símbolos da cultura brasileira.