No Dia do Canhoto, celebrado em 13 de agosto, uma questão que costuma surgir entre pais e educadores é: afinal, é possível ajudar uma criança que prefere a mão esquerda sem interferir no seu desenvolvimento? Segundo especialistas, o mais importante é permitir que ela descubra naturalmente qual lado utiliza com maior habilidade.
A preferência por uma das mãos pode começar a dar sinais ainda nos primeiros anos de vida, mas nem sempre é possível determinar tão cedo se uma criança será destra ou canhota. Durante essa fase, é comum que ela utilize as duas mãos até que uma predominância fique mais evidente.
Por que o pequeno é canhoto?
A escolha da mão dominante não depende de um único fator. Estudos apontam a participação de componentes genéticos e familiares. No entanto, eles não explicam sozinhos por que uma pessoa se torna canhota.
Isso significa que uma criança pode ser canhota mesmo quando seus pais utilizam predominantemente a mão direita. Da mesma forma, ter familiares canhotos pode aumentar a possibilidade, mas não determina o resultado.
Além disso, outros fatores também podem participar desse processo. Portanto, não existe um momento único em que todas as crianças passam a apresentar uma preferência definida.
Forçar a troca de mão pode atrapalhar
Durante a alfabetização, a tendência de utilizar uma mão com mais frequência fica ainda mais evidente. Nesse período, entretanto, é importante que adultos não tentem corrigir a criança simplesmente porque ela escreve com a esquerda.
A neuropediatria explica que interferir na lateralidade pode trazer dificuldades para determinadas tarefas. Por isso, a orientação é oferecer materiais e atividades e deixar que a própria criança desenvolva sua preferência.
A experiência de quem passou por isso também mostra como essa adaptação pode fazer diferença. Crianças canhotas podem encontrar obstáculos em atividades aparentemente simples quando os objetos são pensados apenas para destros.
Escola pode facilitar a rotina da criança
Um dos principais desafios, então, aparece justamente na sala de aula. Carteiras com apoio apenas de um lado, cadernos com espiral e determinados modelos de tesoura podem dificultar a realização das tarefas. Para tornar o ambiente mais confortável, algumas adaptações podem ajudar:
- Disponibilizar carteiras adequadas para crianças canhotas;
- Oferecer tesouras específicas para quem utiliza a mão esquerda;
- Preferir cadernos que não dificultem o apoio da mão;
- Utilizar lápis que favoreçam uma pegada confortável;
- Permitir que a criança encontre a posição mais natural para escrever;
- Respeitar o ritmo individual durante a alfabetização.
Nesse sentido, a questão não é exigir que a criança tenha uma letra perfeita desde o início, mas garantir condições para que ela consiga aprender sem desconforto desnecessário. Um dos motivos é a própria posição da mão durante a escrita. Como o canhoto movimenta a mão no sentido contrário ao de quem escreve com a direita, pode acabar passando a mão sobre aquilo que acabou de escrever.
Isso pode causar borrões e fazer com que algumas crianças adotem posições pouco confortáveis para conseguir enxergar o que colocaram no papel. A consequência pode ser uma escrita mais lenta ou até o surgimento de incômodos durante a atividade. Portanto, especialistas reforçam que o conforto deve vir antes da cobrança pela caligrafia. Com o tempo e a prática, a escrita tende a ser aperfeiçoada.
E se a criança ainda usar as duas mãos?
Nos primeiros anos, não é necessário escolher um lado pela criança. Uma criança pequena pode desenhar, brincar ou realizar determinadas atividades utilizando as duas mãos antes de estabelecer uma preferência mais clara.
O mesmo vale para aquelas que apresentam habilidades diferentes em cada lado do corpo. Algumas pessoas, por exemplo, escrevem com uma mão, mas preferem a outra para chutar uma bola ou realizar determinada atividade. Por isso, observar sem interferir pode ser mais importante do que tentar antecipar uma definição.