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Depressão em idosos: sintomas comuns que podem passar despercebidos

Especialista explica quais sintomas os familiares devem prestar atenção

23 jun 2026 - 16h05
Resumo
A depressão em idosos nem sempre se manifesta como tristeza, podendo causar irritabilidade, desânimo, isolamento social, dores físicas e alterações cognitivas. Especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce, destacando que esses sintomas não devem ser vistos como normais no envelhecimento. Informação e atenção familiar são essenciais para oferecer tratamento e melhorar a qualidade de vida. 💡

Desinteresse por atividades, isolamento e alterações de memória não devem ser encarados como consequências naturais da idade

A tristeza nem sempre é o principal sinal de depressão em idosos. Em muitos casos, a doença se manifesta por meio de sintomas que familiares costumam associar ao envelhecimento, como desânimo, irritabilidade, isolamento social, queixas físicas e até dificuldades de memória. O resultado é que muitos idosos passam meses ou anos sem diagnóstico e tratamento adequados.

Foto: Revista Malu

Segundo a psiquiatra Jéssica Müller de Faria, da Palliative Care, esse é um dos principais obstáculos para o cuidado da saúde mental na população idosa. "Muitas pessoas acreditam que é normal o idoso perder o interesse pelas atividades que antes gostava, ficar mais isolado ou apresentar desânimo constante. Esse é um equívoco que atrasa o diagnóstico. Envelhecer traz mudanças, mas sofrimento persistente e perda de prazer pela vida não fazem parte do processo natural da idade", enfatiza.

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A situação merece atenção, segundo a psiquiatra, porque a depressão é mais comum do que se imagina. Estima-se que cerca de 11,8% dos idosos brasileiros convivam com a doença. Em muitos casos, porém, os sintomas aparecem de forma diferente daqueles observados em pessoas mais jovens.

"Nem sempre a pessoa idosa se apresenta triste ou chorosa. É comum observarmos irritabilidade, ansiedade, cansaço, perda de interesse pelas atividades do dia a dia e até dores físicas sem uma causa aparente. Por isso, a família não deve esperar uma demonstração clara de tristeza para buscar ajuda", explica a médica.

Memória e demência

Outro aspecto que costuma gerar dúvidas, de acordo com a Dra. Jéssica, é a relação entre depressão e alterações cognitivas. Falhas de memória, dificuldade de concentração e problemas de atenção podem fazer parte do quadro depressivo e, por isso, acabam sendo confundidos com doenças neurodegenerativas.

"Existe uma sobreposição de sintomas que pode levar à confusão com quadros de demência, inclusive Alzheimer. A avaliação médica é fundamental para identificar a origem dessas alterações e definir o tratamento adequado", destaca a médica.

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Estudos também apontam que a depressão aumenta significativamente o risco de desenvolvimento de demências ao longo da vida, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado.

Entre os fatores que contribuem para o surgimento da doença estão o luto, a aposentadoria, a redução da convivência social, a perda de autonomia, as doenças crônicas e a dor persistente. O isolamento social merece atenção especial, pois pode funcionar tanto como causa quanto como consequência da depressão.

Atenção à saúde mental

Para Daniele Chaves, diretora da Palliative Care, ampliar a informação sobre saúde mental na terceira idade é uma forma de estimular famílias e cuidadores a observarem sinais que muitas vezes passam despercebidos. "Quando falamos sobre depressão em idosos, estamos falando de uma condição que afeta a qualidade de vida, a autonomia e até a saúde física dessas pessoas. Informação é uma ferramenta importante para que famílias reconheçam os sinais e procurem ajuda mais cedo".

Segundo Daniele, ainda existe receio de abordar o tema, o que contribui para o atraso na busca por atendimento. "Muitos idosos sofrem em silêncio porque acreditam que aquilo faz parte da idade. Quanto mais falarmos sobre o assunto, maiores são as chances de quebrar esse estigma e facilitar o acesso ao tratamento."

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Os especialistas alertam que sinais persistentes por mais de duas semanas, especialmente quando acompanhados de isolamento crescente, abandono de atividades habituais, alterações do sono ou do apetite e perda de interesse pela vida, devem motivar uma avaliação profissional.

"A boa notícia é que a depressão tem tratamento e que a recuperação é possível em qualquer fase da vida", salienta Jéssica.

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