Queijo artesanal de SC é eleito ‘melhor do mundo’ em concurso; conheça

Produzido por família do Alto Vale do Itajaí, queijo Reserva do Vale venceu Mundial do Queijo do Brasil 2026

29 abr 2026 - 04h59
O resultado é um queijo de longa maturação, rico em cristais de tirosina, que dão sensação de "explosão" na boca e crocância
O resultado é um queijo de longa maturação, rico em cristais de tirosina, que dão sensação de "explosão" na boca e crocância
Foto: Divulgação

Logo nas primeiras horas da manhã o leite é ordenhado das vacas em uma fazenda de Pouso Redondo, no Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina, etapa fundamental para a produção do queijo que foi eleito o melhor do mundo em 2026. O processo artesanal leva mais de um ano até chegar ao ponto ideal de maturação, detalhe que faz toda a diferença para que o produto “exploda na boca”.

Foi a partir dessa rotina, marcada por décadas de tradição familiar, que nasceu o Reserva do Vale, queijo da Queijos Possamai que venceu o Concurso de Melhor Queijo e Produtos Lácteos do 4º Mundial do Queijo do Brasil, realizado em São Paulo.

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Para a família Possamai, a conquista teve sabor de recompensa após anos de testes, investimentos e insistência. “Emociona, né? Porque a gente já vem há 42 anos fazendo queijo”, contou o produtor Marlon Possamai, proprietário da queijaria. Segundo ele, o prêmio é resultado de um projeto iniciado há cerca de cinco anos, quando a família decidiu modernizar a produção e investir em queijos autorais.

“Hoje vem colhendo os frutos. A gente sempre se preocupa na qualidade da matéria-prima pra depois ir pra queijaria”, disse ao Terra.

Como é o ‘melhor queijo do mundo’?

Produzido por família do Alto Vale do Itajaí (SC), Reserva do Vale venceu Mundial do Queijo do Brasil 2026
Foto: Divulgação

O Reserva do Vale foi criado justamente a partir dessa busca por um queijo mais sofisticado. A receita passou por diferentes testes até chegar à versão premiada. Segundo Joelma Possamai, esposa de Marlon e também responsável pela produção, a escolha dos fermentos foi decisiva.

“A gente fez uma seleção de fermentos. Um queijo dava olhadura (furinhos), outro não dava, um trincava”, relembrou comentando o processo até chegar no queijo ideal.

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O resultado é um queijo de longa maturação, que permanece entre 12 e 18 meses curando. Nesse período, surgem os chamados cristais de tirosina, que são pequenos pontos brancos formados pela quebra natural das proteínas do leite. “Ele explode na boca. Quando vai morder, ele estrala”, explicou Joelma.

Além da textura crocante, o queijo chama atenção pelas notas sensoriais de caramelo e amêndoas, características que ajudaram a conquistar os jurados internacionais.

A produção também começa de forma diferente. Embora a fazenda trabalhe com três ordenhas diárias, os queijos especiais são feitos exclusivamente com o leite da primeira ordenha do dia.

“Quando a gente faz os queijos diferenciados, a gente trabalha com a ordenha da manhã”, explicou Marlon.

Tradição familiar

Família Possamai tem tradição na produção de queijos artesanais
Foto: Divulgação

A empresa familiar produz queijo desde 1984, mas a tradição começou ainda antes, com os avós de Marlon, que chegaram à região catarinense em 1943. Hoje, oito integrantes da família trabalham diretamente na fazenda e na queijaria, além dos funcionários. A mãe do produtor, aos 76 anos, ainda ajuda no negócio e cuida da loja da família.

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O crescimento foi gradual, segundo Marlon, ele conta que os pais começaram fabricando queijo com apenas 30 litros de leite. Atualmente, a fazenda já chegou a produzir cerca de 11 mil litros por dia.

Apesar da repercussão internacional, encontrar o queijo premiado não é tarefa simples. O primeiro lote comercial do Reserva do Vale praticamente esgotou após o prêmio, e a família já trabalha em uma nova remessa. “No momento, a gente já está com lista de espera pra quem quer revender”, contou Joelma.

Só no último ano, a queijaria conquistou 19 medalhas em concursos de queijos
Foto: Divulgação

O produto pode ser encontrado principalmente nas lojas da marca em Santa Catarina, nas cidades de Ilhota e Pouso Redondo. Algumas casas especializadas de São Paulo e Rio de Janeiro também trabalham com os queijos da família.

A vitória no Mundial do Queijo não foi a primeira premiação dos catarinenses. Só no último ano, a queijaria conquistou 19 medalhas em concursos especializados, incluindo uma medalha de ouro na Suíça com outro produto da marca, o Queijo da Nona.

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Ainda assim, o título de melhor queijo do mundo teve um significado especial para a família. “Levar o nome da nossa família e do Alto Vale do Itajaí para o topo do mundo é algo que nos emociona profundamente”, escreveu a empresa nas redes sociais após o anúncio do prêmio.

Fonte: Portal Terra
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