A ideia de que certos alimentos seriam capazes de “acelerar o metabolismo” e promover emagrecimento rápido é popular, mas pode não ser tão simples quanto parece. Segundo o médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, não existem soluções milagrosas quando o assunto é gasto energético.
“Não existem alimentos com efeito metabólico relevante isoladamente”, afirma o especialista. Ele explica que substâncias como cafeína, pimenta e outros compostos termogênicos até possuem ação no organismo, mas com impacto limitado. “Os efeitos são quantitativamente modestos”, ressalta.
De acordo com o nutrólogo, o principal mecanismo relacionado ao gasto energético está no chamado efeito térmico dos alimentos, conhecido como TEF. Trata-se da energia que o corpo utiliza para digerir, absorver e metabolizar os nutrientes consumidos.
Nesse cenário, as proteínas se destacam. "Dietas ricas em proteínas aumentam o gasto energético, elevam a saciedade e favorecem perda de gordura", diz o médico.
Para quem busca melhores resultados, o caminho passa por estratégia alimentar e não por soluções isoladas. A recomendação, segundo o especialista, é priorizar a ingestão adequada de proteínas ao longo do dia.
" Priorizar proteína adequada, com a ingesta de 1,5 a 2,0 g/kg/dia para recomposição corporal, distribuindo ao longo do dia. Estudos demonstram melhor estímulo de síntese muscular com ingestão fracionada", explica.
Já os chamados termogênicos devem ser vistos como aliados secundários. “Os termogênicos entram como coadjuvantes”, explica. Entre os exemplos mais comuns, estão:
- Café antes do treino: melhora desempenho e gasto
- Chá verde e pimenta: uso regular, sem expectativa exagerada