Fome, gula ou compulsão alimentar? Entenda as diferenças

Saiba diferenciar fome, gula e compulsão alimentar e entenda como reconhecer os sinais e cuidar do corpo e da mente em 2026.

20 jan 2026 - 20h25

No começo do ano, é comum pensar em cuidar melhor da saúde e da alimentação.

Foto: Reprodução/Shutterstock
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Foto: Saúde em Dia

Mas, antes de começar uma dieta, é importante entender por que e como você come.

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De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, cerca de 31% dos brasileiros adultos vivem com obesidade e 68% estão acima do peso.

Esses dados mostram que o problema vai além das calorias. Está ligado à forma como as pessoas se relacionam com a comida.

Especialistas do Instituto Sallet, referência em obesidade e nutrição, afirmam que aprender a diferenciar fome real, gula e compulsão alimentar é o primeiro passo para mudar hábitos e cuidar melhor do corpo.

Fome, hábito ou necessidade?

A fome fisiológica é natural e aparece quando o corpo precisa de energia e nutrientes.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela pode causar fraqueza, dor no estômago, irritação e dificuldade de concentração.

Mas nem toda fome vem do estômago. A nutricionista Ana Beatriz Guiesser, do Instituto Sallet, explica que muitas vezes comemos por emoção.

"A fome emocional nos leva a buscar alimentos mais calóricos, como doces e frituras.

Em momentos de tristeza, ansiedade ou estresse, é comum comer para compensar", afirma.

Outro tipo é a fome social, quando o ambiente influencia o ato de comer.

"Em festas, encontros e reuniões, muitas vezes comemos sem fome, apenas por impulso.

O primeiro passo é reconhecer esses momentos e observar o próprio comportamento", explica Ana Beatriz.

Comer é mais do que se alimentar

O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, lembra que comer é mais do que ingerir nutrientes.

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Envolve o modo de preparo, as combinações, o contexto e até o afeto nas refeições.

Por isso, uma boa alimentação é aquela que une saúde, prazer e equilíbrio.

Quando comer vira um ato automático ou emocional, é sinal de que algo precisa ser revisto.

Gula ou compulsão alimentar?

A diferença entre gula e compulsão alimentar está na intensidade e na frequência.

A gula é algo pontual. Acontece quando alguém come um doce extra ou repete a refeição mesmo satisfeito. É um impulso momentâneo, geralmente ligado ao prazer, e não causa grandes danos.

Já a compulsão alimentar é um transtorno que exige atenção médica.

Ela ocorre quando a pessoa come grandes quantidades de comida em pouco tempo, com perda de controle e sensação de culpa depois.

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O Dr. José Afonso Sallet, especialista em obesidade e doenças metabólicas do Instituto Sallet, explica que cerca de 30% dos pacientes com obesidade grave apresentam o transtorno.

"Nesses casos, o acompanhamento psicológico e psiquiátrico é essencial.

O tratamento inclui psicoterapia e, se necessário, medicamentos", diz o médico.

Ele reforça que o trabalho em equipe faz toda a diferença.

"Médicos, nutricionistas e psicólogos precisam atuar juntos para garantir resultados duradouros e qualidade de vida."

Quando o comer vira um problema

A compulsão alimentar não tem relação com falta de força de vontade.

É um transtorno reconhecido e pode ter causas emocionais, hormonais ou genéticas.

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Os sinais mais comuns incluem:

• Comer muito, mesmo sem fome

• Sensação de descontrole durante as refeições

• Culpa ou vergonha após comer

• Evitar comer na frente de outras pessoas

• Mudanças rápidas de peso

Quando esses sintomas se tornam frequentes, é hora de buscar ajuda profissional.

O tratamento é eficaz e devolve o equilíbrio ao corpo e à mente.

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Como virar a chave em 2026

Pequenas mudanças diárias ajudam a evitar a compulsão alimentar.

1. Identifique a fome real

Antes de comer, pergunte a si mesmo: "Estou com fome ou só quero aliviar uma emoção?"

Esse simples questionamento ajuda o cérebro a entender o que realmente está acontecendo.

2. Faça refeições regulares

Evite longos períodos em jejum.

Comer a cada três ou quatro horas mantém o metabolismo ativo e previne exageros.

3. Pratique o comer consciente

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Coma devagar, mastigue bem e evite distrações como o celular ou a TV.

Essa prática reduz o consumo e melhora a digestão.

4. Durma bem e controle o estresse

A falta de sono e o estresse aumentam a vontade de comer.

Criar uma rotina de descanso é parte importante do tratamento.

5. Procure ajuda especializada

Nutricionistas e psicólogos podem identificar gatilhos e traçar estratégias personalizadas.

Em casos mais graves, o médico orienta o uso de medicamentos de apoio.

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Compulsão alimentar tem cura?

Sim, o tratamento é eficaz e devolve o equilíbrio ao corpo.

Com ajuda profissional, é possível reconhecer gatilhos, melhorar o controle emocional e adotar novos hábitos.

Segundo o Dr. José Afonso Sallet, tratar apenas o sintoma não basta.

"O paciente precisa entender o que o leva a comer sem controle.

Quando ele compreende a origem, o tratamento se torna duradouro e eficaz."

Os resultados aparecem com o tempo.

Mais disposição, sono melhor e autoestima fortalecida são ganhos reais para quem busca ajuda.

Um novo olhar sobre alimentação

Começar o ano com dietas radicais raramente funciona.

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O segredo está no equilíbrio e no autoconhecimento.

Cuidar da alimentação não é sobre restrição, e sim sobre entender o corpo e as emoções.

Reconhecer quando há sinais de compulsão alimentar é o primeiro passo para mudar de forma saudável.

Com informação, paciência e apoio, é possível desenvolver uma relação leve com a comida.

E, acima de tudo, aprender a se alimentar com prazer e consciência.

Diferenças entre fome, gula e compulsão alimentar

Tipo de comportamento Características principais Como identificar O que fazer
Fome fisiológica Necessidade real de energia Surge aos poucos e melhora após comer Faça refeições equilibradas e regulares
Fome emocional (gula) Vontade de comer por prazer ou emoção Aparece de repente e pede alimentos específicos Pratique o comer consciente e controle o estresse
Compulsão alimentar Episódios intensos e repetidos de comer sem controle Envolve culpa e ingestão exagerada Busque apoio psicológico e orientação médica

Saber identificar cada tipo de fome é o primeiro passo para cuidar do corpo com mais consciência.

A chave está no equilíbrio e no respeito ao próprio ritmo.

5 atitudes simples para evitar a compulsão alimentar

  1. Beba mais água

    A sede muitas vezes é confundida com fome. Tenha sempre uma garrafinha por perto.

  2. Durma bem

    O sono regula os hormônios da fome. Dormir pouco pode aumentar o apetite.

  3. Pratique atividade física

    O movimento libera endorfinas e reduz o estresse, diminuindo a vontade de comer por emoção.

  4. Evite dietas muito restritivas

    Elas aumentam a ansiedade e favorecem episódios de compulsão. Prefira o equilíbrio.

  5. Respeite o seu ritmo

    Comer com calma, reconhecer os sinais do corpo e evitar culpa são passos importantes para uma relação saudável com a comida.

Fontes: Instituto Sallet, Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde.

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