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Contracepção: Quais são os riscos dos métodos hormonais?

Hormônio vilão? Por que tantas mulheres ainda têm medo dos contraceptivos hormonais? Especialista desvenda mitos e verdades

23 set 2026 - 16h31
Resumo
Especialista da FEBRASGO esclarece que o medo sobre os contraceptivos hormonais decorre de desinformação. Embora métodos com estrogênio elevem levemente o risco de trombose, a incidência é rara e inferior à da gravidez, havendo opções sem esse hormônio. Temores sobre câncer e ganho de peso têm base científica fraca, com exceção do injetável trimestral. Os métodos ainda oferecem benefícios, como alívio de cólicas e proteção contra certos cânceres, exigindo escolha individualizada com apoio médico.

Especialista da FEBRASGO explica o que considerar na escolha do método contraceptivo

Trombose, ganho de peso, câncer e infertilidade estão entre os principais receios relacionados aos anticoncepcionais hormonais. Com a grande quantidade de relatos e informações sobre o tema que circulam nas redes sociais, também aumentaram as dúvidas entre as mulheres sobre os efeitos desses métodos no organismo. Mas, afinal, onde termina o risco real e começa a desinformação?

Foto: Freepik / Revista Malu

No Dia Mundial da Contracepção, a Dra. Ilza Maria Urbano Monteiro, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia,  chama atenção para a importância de uma escolha contraceptiva baseada em informação, acompanhamento médico e nas características de cada mulher. "O medo vem principalmente do desconhecido e da desinformação. Muitas vezes, a informação que mais chega é que o anticoncepcional causa trombose, aumenta o peso ou está associado ao câncer. Esses mitos são muito difíceis de derrubar. Métodos contraceptivos hormonais são considerados seguros e podem trazer benefícios que muitas vezes são esquecidos", explica.

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Porém, a trombose é um dos principais exemplos do medo sem informação. Alguns anticoncepcionais, os chamados combinados, reúnem estrogênio e progestagênio, versões de hormônios produzidos pelo organismo que, juntos, ajudam a evitar a ovulação e a gravidez. O estrogênio, porém, pode aumentar a tendência à formação de coágulos no sangue e, por isso, esses métodos estão associados a um maior risco de tromboembolismo. Ainda assim, trata-se de um evento raro e cada paciente deve ser avaliada individualmente.

Riscos dos contraceptivos hormonais

Segundo a especialista, entre mulheres que não usam hormônios, cerca de 3 a 4 em cada 10 mil podem apresentar trombose ao longo de um ano. Entre usuárias de anticoncepcionais hormonais combinados, o número pode chegar a 16 casos em 10 mil mulheres por ano. Já na gravidez, o risco é maior e pode chegar a 25 a 30 casos em cada 10 mil mulheres por ano. No primeiro mês após o parto, a chance de trombose aumenta ainda mais. "Mas quando colocamos na balança o risco de tomar a pílula e o risco da gravidez, percebemos que o risco de trombose associado à pílula é imensamente menor", afirma a médica. Vale ressaltar que o risco de trombose associado aos contraceptivos que contêm estrogênio natural é bem menor, e que existem contraceptivos hormonais orais sem estrogênio, que não aumentam o risco desse evento adverso.

O risco também varia conforme o método. DIUs hormonais e implantes contraceptivos não contêm estrogênio e, por isso, não apresentam o mesmo aumento do risco de tromboembolismo associado aos métodos combinados. Já em relação ao câncer de mama, alguns estudos, de acordo com a médica, apontaram para um pequeno aumento do risco com o uso de contraceptivos hormonais, mas não foram suficientes para estabelecer uma relação causal. O fato de uma mulher usar anticoncepcional não significa que ela terá câncer de mama, ressalta.

Mais do que isso

Ao mesmo tempo, a discussão sobre contracepção não deve se limitar aos possíveis riscos. Os métodos hormonais também podem reduzir sangramento uterino e cólicas menstruais e estão associados à redução do risco de câncer de ovário e de endométrio. Há ainda evidências de redução do risco de câncer colorretal em mulheres que usaram contraceptivos hormonais.

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Além de conhecer os riscos, a mulher precisa saber o que esperar do método contraceptivo e ter espaço para falar sobre como seu corpo reage a ele durante a consulta. Nem todo efeito adverso significa um problema grave, mas toda queixa merece ser considerada pelo especialista. Alterações no padrão de sangramento estão entre as principais causas de insatisfação no início do uso de métodos que contêm apenas progestagênio, como alguns tipos de pílula, o implante e o anticoncepcional injetável trimestral, uma injeção aplicada a cada três meses que libera o hormônio gradualmente no organismo.

Nos primeiros meses de uso, esses métodos podem provocar sangramentos irregulares, em geral em pequena quantidade, por mais dias. Em muitas mulheres, esse padrão melhora com o tempo. Embora possa ser incômodo, a alteração não significa que o método esteja fazendo mal à saúde. Com o passar do tempo, esse transtorno se resolve espontaneamente e a redução do sangramento pode ser um grande benefício, principalmente para mulheres que apresentam fluxo menstrual intenso, cólicas importantes ou anemia.

Engorda?

O ganho de peso é outra questão que aparece com frequência entre as preocupações das pacientes. Por outro lado, segundo a ginecologista, os estudos não mostram aumento de peso associado à maioria dos métodos hormonais quando comparados ao DIU de cobre. Uma exceção é o anticoncepcional injetável trimestral, que pode provocar ganho de peso importante em parte das mulheres. "É preciso encorajar a paciente a falar sobre seus incômodos, como o ganho de peso, a perda de libido e as mudanças de humor", afirma.

Para quem tem dificuldade de manter uma rotina de medicação, métodos de longa duração, como DIUs e implante contraceptivo, podem ser alternativas. A pílula, por exemplo, precisa ser tomada todos os dias, de preferência no mesmo horário, para ser eficaz. O aconselhamento contraceptivo, portanto, não deve se resumir à indicação de um método. A conversa precisa considerar o histórico de saúde, a rotina, as expectativas e as preferências da mulher, além dos benefícios, possíveis efeitos e riscos. "O mais importante é que a mulher tenha informação para sua escolha e seja acompanhada durante o uso", conclui a médica.

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