Usar manteiga de cacau nos cílios é seguro? Veja o que diz a dermatologia

Nas redes sociais, o truque, usado para substituir ou complementar o rímelé divulgado como uma forma de garantir volume, brilho, hidratação e até evitar a queda dos fios

10 abr 2026 - 19h05

O novo truque de beleza viral do momento é a manteiga de cacau nos cílios. Segundo influenciadores, o método, utilizado para substituir ou complementar o rímel, garante brilho, volume e hidratação. A prática poderia até prevenir a queda e estimular o crescimento dos fios. O médico dermatologista e especialista em saúde estética Octávio Guarçoni, contudo, aponta que não há comprovação desses benefícios e contraindica a uso.

Nas redes sociais, o truque da manteiga de cacau nos cílios é divulgado como uma forma de hidratar e até evitar a queda dos fios
Nas redes sociais, o truque da manteiga de cacau nos cílios é divulgado como uma forma de hidratar e até evitar a queda dos fios
Foto: Reprodução/Instagram / Bons Fluidos

"O efeito é essencialmente cosmético e temporário. Não existe evidência científica robusta de que qualquer óleo ou manteiga aplicado topicamente estimule crescimento folicular real nos cílios", afirma em entrevista à Bons Fluidos.

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De acordo com o profissional, os fios até adquirem uma aparência mais espessa e brilhante no momento da aplicação devido à ação dos ácidos graxos, que criam uma película protetora. No entanto, o resultado some assim que a prática é interrompida. Já os riscos à saúde podem não ser passageiros.

Perigos da manteiga de cacau nos cílios

Entre os possíveis impactos do truque está a obstrução das glândulas meibomianas, estruturas sebáceas responsáveis por produzir a camada lipídica da lágrima e proteger a superfície ocular. "Isso pode pode provocar olho seco evaporativo, uma inflamação chamada blefarite, e até calázio, que é aquele nódulo doloroso que se forma dentro da pálpebra", explica o médico.

Ademais, o processo, assim como o uso de qualquer produto oleoso, cria o ambiente propria para ocasionar infecções bacterianas e a proliferação de ácaros do gênero Demodex. Se associado à má higiene da região após a aplicação, tende a desencadear ainda um terçol de repetição. Também pode causar acne cosmética, cravos e irritação local. Guarçoni ressalta que, quanto mais a pessoa repetir a aplicação sem limpar adequadamente, maior o acúmulo e o risco de complicações.

"Fique atenta se os olhos ficarem vermelhos, com sensação de areia ou corpo estranho, coceira nas pálpebras, secreção ou crostas na base dos cílios de manhã, visão levemente embaçada, especialmente ao acordar, ou se aparecer um nódulo endurecido na pálpebra. Esses sinais indicam que as glândulas podem estar comprometidas e exigem avaliação médica", orienta.

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Como cuidar do fios?

Para evitar as complicações e manter a saúde dos cílios, o dermatologista indica recorrer a séruns feitos com peptídeos, biotina ou análogos de prostaglandinas. Além disso, ele sugere cosméticos com bimatoprosta na formulação. Essas substâncias, utilizadas com orientação médica, podem ajudar no crescimento dos fios.

"Essas opções são muito mais adequadas, pois são desenvolvidos especificamente para a região ocular. Óleos com menor índice comedogênico, como o óleo de rícino (castor oil) em quantidade mínima, também são menos problemáticos, embora nenhum substitua um produto formulado para aquela área. O ideal é sempre buscar cosméticos com teste oftalmológico comprovado", aconselha Octávio Guarçoni.

*Texto feito em parceria com CriativosPR 

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