Sono REM pode reduzir risco de 83 doenças, aponta estudo

Pesquisa com mais de 95 mil pessoas encontrou associação entre maior duração do sono REM, fase ligada aos sonhos, e menor risco de dezenas de doenças

30 set 2026 - 22h24
Resumo
Um estudo com mais de 95 mil participantes no Reino Unido revelou que passar mais tempo no sono REM está associado à redução do risco de 83 doenças, incluindo Parkinson, demência e insuficiência cardíaca. A fase de sono profundo também foi ligada a menores taxas de diabetes e depressão. Embora a pesquisa seja observacional e não comprove uma relação direta de causa e efeito, os resultados destacam que a qualidade e a distribuição dos ciclos do sono são tão vitais para a saúde quanto a duração total.

Quando o assunto é dormir bem, a quantidade de horas costuma receber grande parte da atenção. Para adultos, recomendações frequentemente mencionam algo em torno de sete a nove horas por noite. Mas o que acontece durante esse período de sono também pode fazer diferença para a saúde.

Estudo associa maior tempo de sono REM a menor risco de 83 doenças; entenda o que acontece nessa fase e por que a qualidade do sono importa
Estudo associa maior tempo de sono REM a menor risco de 83 doenças; entenda o que acontece nessa fase e por que a qualidade do sono importa
Foto: Reprodução: Multimedia Designs / Bons Fluidos

Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Pequim e da Capital Medical University, na China, encontrou uma associação entre passar mais tempo no chamado sono REM - fase em que os sonhos são mais frequentes e vívidos - e um risco menor de desenvolver dezenas de condições de saúde.

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A pesquisa analisou informações de 95.559 participantes do UK Biobank, grande banco de dados de saúde do Reino Unido. De acordo com os resultados, uma maior duração do sono REM esteve relacionada a menor risco de 83 doenças.

Isso não significa, porém, que sonhar mais seja capaz de prevenir doenças. A pesquisa encontrou uma relação estatística entre os fatores, mas não comprovou que um seja diretamente responsável pelo outro.

Afinal, o que é o sono REM?

Ao longo de uma noite, não permanecemos no mesmo tipo de sono. O organismo atravessa diferentes estágios, que se repetem em ciclos enquanto descansamos. O REM, sigla em inglês para rapid eye movement (ou movimento rápido dos olhos) é uma dessas etapas. É justamente nesse período que ocorre boa parte dos sonhos mais elaborados.

O primeiro episódio costuma aparecer aproximadamente 90 minutos depois de adormecer. A partir daí, os ciclos se repetem durante a noite. No total, estima-se que o REM represente cerca de 20% a 25% do período de sono, enquanto o restante é distribuído entre outras fases, incluindo sono leve e profundo.

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Existe ainda uma particularidade importante: os episódios de REM tendem a ficar mais longos na segunda metade da noite. Por isso, reduzir o tempo de sono ao acordar muito cedo pode cortar justamente uma parcela maior dessa fase.

Como os pesquisadores avaliaram o sono?

Para entender melhor a relação entre as diferentes características do descanso e a saúde, os pesquisadores acompanharam os padrões de sono dos participantes durante sete dias utilizando sensores de pulso. Foram observados fatores como duração total do descanso, tempo dedicado às diferentes fases do sono, despertares durante a noite e irregularidade nos horários.

Depois disso, os participantes foram acompanhados por aproximadamente nove anos. Nesse período, os cientistas investigaram possíveis associações entre as características do sono e mais de mil condições de saúde. Os resultados chamaram atenção especialmente quando os pesquisadores observaram o tempo passado na fase REM.

Mais sono REM foi associado a menor risco de algumas doenças

Entre os participantes que permaneceram mais tempo em sono REM, os pesquisadores identificaram associações expressivas com algumas condições. Um período adicional de aproximadamente 48 minutos de sono REM esteve relacionado a um risco 26% menor de insuficiência cardíaca, 46% menor de demência e 80% menor de doença de Parkinson.

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Ao todo, uma maior duração dessa etapa apareceu associada a um risco reduzido de 83 condições analisadas. O sono profundo também apresentou relações relevantes. Pessoas que passavam mais tempo nessa fase tiveram menor risco de sete condições, entre elas diabetes tipo 2 e depressão maior.

Por outro lado, noites mais fragmentadas ou irregulares não apresentaram o mesmo cenário. Despertares noturnos e variações frequentes nos padrões de sono foram associados a maior risco de algumas condições, incluindo ansiedade e transtornos relacionados ao uso de substâncias.

Isso significa que sonhar protege contra doenças?

Não exatamente. Essa é uma diferença importante para interpretar os resultados. O estudo é observacional, ou seja, os pesquisadores acompanharam características do sono e verificaram como elas se relacionavam com diagnósticos registrados posteriormente. Esse tipo de pesquisa consegue identificar associações, mas não comprovar uma relação de causa e efeito.

Portanto, não é possível afirmar que aumentar o sono REM fará uma pessoa ter menor risco de Parkinson, demência ou insuficiência cardíaca. Também podem existir outros fatores relacionados tanto à qualidade do sono quanto à saúde dos participantes que influenciem os resultados.

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Da mesma forma, sonhar mais não deve ser interpretado como uma estratégia de prevenção. Embora os sonhos sejam característicos do sono REM, o que foi avaliado pelos pesquisadores foi a duração dessa fase do descanso.

Dormir bem vai além de contar horas

Os resultados reforçam uma ideia que vem ganhando espaço nas pesquisas sobre o sono: avaliar o descanso apenas pela quantidade de horas pode deixar de fora informações importantes.

Uma noite adequada envolve diferentes ciclos, além de regularidade e continuidade. Dormir sete ou oito horas com inúmeros despertares, por exemplo, pode ser bastante diferente de ter um descanso contínuo que permita ao organismo passar adequadamente pelas diferentes etapas do sono.

Por enquanto, ainda são necessários novos estudos para compreender por que determinadas fases aparecem associadas a menor risco de algumas doenças e se modificar esses padrões poderia realmente trazer benefícios à saúde.

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Até lá, a pesquisa acrescenta mais uma peça ao quebra-cabeça do descanso: talvez não seja apenas quanto dormimos que importa, mas também como essas horas são distribuídas ao longo da noite.

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