A autossabotagem ocorre frequentemente porque o cérebro prioriza recompensas imediatas, como alívio ou prazer, em detrimento de metas de longo prazo. Para interromper esse ciclo, a especialista Marcia Fervienza orienta substituir a culpa e a autocrítica pelo acolhimento pessoal. Além disso, a estratégia envolve focar no presente, dividindo grandes objetivos em decisões diárias, já que a soma de pequenas escolhas conscientes constrói mudanças duradouras rumo aos objetivos desejados.
Você já decidiu mudar um hábito, alcançar uma meta ou sair de uma situação que fazia mal, mas acabou fazendo justamente o contrário? Esse tipo de comportamento costuma receber o nome de autossabotagem. Porém, segundo a especialista em autoconhecimento Marcia Fervienza, do Personare, essas atitudes podem esconder necessidades que nem sempre chegam à nossa consciência. Na matéria publicada pelo Personare, a autora explicou que todo comportamento tem algum propósito. Assim, mesmo quando uma escolha parece afastar a pessoa de um objetivo, ela pode oferecer algum tipo de recompensa imediata, como prazer, segurança ou alívio.
O cérebro pode preferir o benefício imediato
Imagine alguém que deseja perder peso, por exemplo. A pessoa sabe que precisa mudar alguns hábitos para alcançar esse objetivo, mas pode escolher um alimento muito calórico porque o prazer acontece naquele momento. O resultado da mudança, por outro lado, só aparece depois de algum tempo. A mesma lógica pode surgir em relacionamentos. Alguém pode reconhecer que determinada relação não atende às suas expectativas e, ainda assim, continuar nela porque encontra carinho, companhia ou conforto no presente. Por isso, compreender o que uma escolha oferece no curto prazo pode ajudar a identificar o motivo por trás de determinados padrões.
A culpa não ajuda a interromper o ciclo
Para começar a mudar esse comportamento, Marcia Fervienza defendeu uma postura mais acolhedora consigo mesmo. Em vez de transformar cada recaída em motivo para culpa, a proposta é reconhecer que escolhas pouco favoráveis fazem parte da experiência humana. Além disso, a autocrítica excessiva pode diminuir a confiança para enfrentar mudanças. Quando a pessoa entende seus comportamentos sem se punir constantemente, ela consegue observar melhor o que precisa transformar.
Pense em um dia de cada vez
Outra estratégia apresentada pela especialista consiste em dividir objetivos grandes em decisões menores. Em vez de pensar em como manter uma mudança durante meses ou anos, a pessoa pode se concentrar apenas no que fará hoje. Dessa maneira, uma decisão que parece difícil no longo prazo pode se tornar mais possível no presente. Hoje você pode escolher não repetir um determinado hábito; amanhã, poderá tomar uma nova decisão.
Pequenas escolhas constroem mudanças
Por fim, a especialista destacou que grandes períodos da vida resultam da soma de pequenas ações. Cada escolha cotidiana pode aproximar ou afastar alguém daquilo que deseja alcançar. Assim, reconhecer os padrões, entender as recompensas imediatas e mudar uma atitude por vez pode ajudar a interromper ciclos de autossabotagem. Mais do que buscar perfeição, a proposta está em construir, diariamente, escolhas que façam sentido para os próprios objetivos.