Nesta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou sobre o surgimento de uma nova variante da Mpox. Dois casos, ocorridos após dois tipos diferentes do vírus infectarem a mesma pessoa, foram confirmados no Reino Unido, em dezembro de 2025, e na Índia, em janeiro deste ano.
Entenda a nova cepa
De acordo com a instituição, o registro britânico foi identificado em um indivíduo logo após retornar de um país na área da Ásia-Pacífico. O indiano, por sua vez, teria visitado a região da Península Arábica e, posteriormente, foi diagnosticado com o vírus.
Nenhum dos infectados apresentou complicações graves e não houve registros de casos secundários. Entretanto, devido ao intervalo de semanas para o aparecimento de sintomas e pelo fato de a ocorrência envolver ao menos quatro países, a OMS acredita que a disseminação da variante seja maior do que os índices relatados.
A organização, contudo, ainda desconhece a origem exata da cepa. O que se sabe, após análises laboratoriais, é que o contato entre os clados Ib e IIb (grupos de vírus com ancestralidade em comum) possibilitou a troca de material genético e, assim, o surgimento de um novo tipo de agente responsável por desencadear a Mpox.
Cenário da Mpox no Brasil
Até o momento, o país não registrou nenhum caso provocado pela cepa recombinante, mas a doença voltou a gerar preocupação após a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre confirmar um infectado na capital gaúcha na última terça-feira (17). Além disso, o Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (Nies) notificou, até esta sexta-feira (20), 44 ocorrências no estado de São Paulo somente neste ano.
Segundo especialistas, apesar de o cenário indicar que o vírus segue em circulação no Brasil, ainda não há alerta para uma emergência sanitária. É importante, no entanto, que as autoridades permaneçam atentas. A OMS manteve o risco global moderado para homens que fazem sexo com homens com parceiros novos ou múltiplos, para profissionais do sexo ou pessoas com múltiplos parceiros ocasionais. Já entre a população geral, a chance de contágio é baixa.
A instituição recomenda que os países notifiquem rapidamente infecções suspeitas ou incomuns. Ademais, sugere que realizem o sequenciamento genético de amostras e fortaleçam a prevenção contra a doença, principalmente por meio da vacinação. As autoridades devem priorizar os grupos de risco no acesso ao imunizante. Por fim, a organização aconselha avançar na integração de serviços de HIV/IST e Mpox.