O luto silencioso: Por que o fim de uma amizade dói tanto quanto um divórcio?

Psicólogos explicam por que a perda de um aliado histórico é desorientadora e como atravessar as fases desse luto invisível

20 fev 2026 - 17h06

O fim de uma amizade é, muitas vezes, uma despedida sem adeus.  Não sei se você já passou por isso. Aos  poucos, aquele amigo que, diariamente, ligava pra contar e saber das novidades, sumiu. está bem, mas sem você. Assim, sem nenhuma explicação, você entende que a amizade acabou. Ocorre em um silêncio árido e um distanciamento gradual que deixa para trás um vácuo de explicações.

O fim de uma amizade é, muitas vezes, uma despedida sem adeus
O fim de uma amizade é, muitas vezes, uma despedida sem adeus
Foto: Canva / Bons Fluidos

Contudo, a ciência e a psicologia alertam que essa dor pode ser tão profunda quanto qualquer outra perda afetiva.  As amizades são vínculos baseados em uma liberdade absoluta, sem contratos ou leis, apenas pela vontade de estar junto. Segundo a psicóloga clínica Macarena Gavric Berrios, essa espontaneidade torna o rompimento desorientador. Aos poucos, perdemos um aliado privilegiado da nossa própria história. Assim, o pilar que a cultura ensina ser eterno como "irmãos de alma" se torna, subitamente, frágil.

Publicidade

"Muitas pessoas vivenciam as amizades com uma expectativa de permanência maior do que em um relacionamento amoroso. Enquanto os relacionamentos amorosos são reconhecidos como potencialmente instáveis e suscetíveis a términos, a amizade é idealizada como um afeto seguro e duradouro. Portanto, quando o relacionamento entra em crise ou desaparece, o impacto emocional pode ser inesperado e muito desorientador, porque o que era considerado sólido e estável de repente se torna frágil e finito", afirmou a psicóloga ao jornal La Nación.

O silencioso fim de uma amizade

Esse sofrimento é raramente validado pela sociedade. Nem se fala sobre isso. A neuropsicóloga e chefe do departamento de saúde mental do Sanatório Modelo de Caseros, Cynthia Zaiatz, atribui isso ao fato de o amor romântico monopolizar o conceito de projeto de vida, deixando a amizade como um extra opcional. Assim, transforma-se a perda em algo invisível. Sem rituais de término.

Embora se imagine que grandes traições sejam os principais motivos, a maioria das amizades termina por erosão, motivada por mudanças de fase como novas carreiras e casamentos, ou por microagressões e falta de reciprocidade que desgastam a confiança. Segundo especialistas, para que ocorra uma reconciliação, é necessário mais do que saudade; demanda-se uma reforma nas bases do relacionamento com conversas honestas sobre limites. Por fim, quando o retorno não é possível, a cura deve ser unilateral. É preciso validar a própria dor e aceitar que caminhos diferentes não anulam a importância do que  se viveu.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se