O celular se tornou uma extensão do corpo. Ele está presente no trabalho, no lazer e até nos momentos de descanso. Mas o que poucos percebem é que esse hábito aparentemente inofensivo pode estar impactando diretamente a saúde vascular. De acordo com o cirurgião vascular Dr. Caio Focássio, o uso prolongado de dispositivos móveis, especialmente quando associado ao sedentarismo, está contribuindo para o surgimento de um fenômeno cada vez mais comum: a chamada "síndrome do sedentarismo digital".
"Passar horas sentado ou na mesma posição, usando o celular ou computador, reduz a circulação sanguínea nas pernas. Isso pode favorecer a estase venosa - quando o sangue 'fica parado' - aumentando o risco de formação de coágulos, como na trombose", explica o especialista.
O que é trombose venosa profunda (TVP)?
A trombose venosa profunda (TVP) ocorre quando há formação de coágulos nas veias profundas, geralmente nas pernas. O problema é que, em muitos casos, os sinais podem ser discretos ou até ignorados. Entre os principais sintomas, estão: inchaço em uma das pernas, dor ou sensação de peso, vermelhidão ou aumento da temperatura local.
Segundo Dr. Caio Focássio, o estilo de vida moderno tem intensificado esse cenário. "Hoje vemos pessoas passando horas seguidas no celular - seja trabalhando, assistindo vídeos ou navegando nas redes sociais - sem se levantar. É um comportamento semelhante ao de longas viagens, que já sabemos estar associado ao risco de trombose", alerta.
O impacto do "sedentarismo digital"
Diferente do sedentarismo clássico, o "sedentarismo digital" tem uma característica marcante: ele acontece de forma quase imperceptível. "A pessoa não percebe que ficou duas, três ou até mais horas na mesma posição. O foco na tela faz com que o corpo fique em segundo plano - e isso compromete a circulação", destaca o médico. Além disso, posturas inadequadas, como pernas dobradas por longos períodos ou uso do celular deitado, podem agravar ainda mais a compressão dos vasos sanguíneos.
Como se prevenir?
Embora qualquer pessoa possa ser afetada, alguns grupos exigem atenção redobrada: pessoas que trabalham sentadas por longos períodos; usuários intensivos de celular e computador; indivíduos com histórico de varizes ou trombose; pessoas com sobrepeso ou sedentarismo; usuários de anticoncepcionais hormonais. A boa notícia é que pequenas mudanças de hábito já fazem diferença significativa:
- Levantar-se a cada 1 hora;
- Movimentar os pés e as pernas regularmente;
- Evitar longos períodos na mesma posição;
- Ajustar a postura durante o uso do celular.
"O corpo foi feito para se movimentar. Interromper períodos longos de imobilidade é uma das formas mais simples e eficazes de prevenir problemas circulatórios", reforça Dr. Caio que afirma ainda que o uso do celular, embora indispensável, deve vir acompanhado de consciência sobre seus impactos no corpo.
"Não é o celular em si o problema, mas a forma como usamos. Quando ele nos mantém imóveis por tempo prolongado, pode se tornar um fator de risco importante para a saúde vascular", conclui o especialista.
Sobre o especialista
Dr. Caio Focássio é cirurgião vascular, formado pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Pós graduado em Cirurgia Endovascular pelo Hospiten - Tenrife (Espanha). Médico assistente da Cirurgia Vascular da Santa Casa de São Paulo.
*Fonte: Mayra Barreto Cinel - MBC Comunicação