Conheça tecnologia brasileira que promete acelerar reabilitação de pacientes acamados no SUS

Desenvolvido com apoio da FINEP, equipamento automático de cinesioterapia combate a atrofia muscular e reduz custos de internação ao democratizar o acesso à reabilitação intensiva

24 mar 2026 - 13h09

Pesquisadores brasileiros da Universidade de Caxias do Sul (UCS), no Rio Grande do Sul, desenvolveram uma solução tecnológica que promete transformar a reabilitação de pacientes em estado crítico: o Autofisio 500. O equipamento de cinesioterapia automatiza os movimentos da caminhada em pacientes acamados. Mesmo aqueles sob sedação profunda ou totalmente imobilizados. Assim, é possível preservar a massa muscular e a circulação sanguínea durante o período mais delicado da internação.

O aparelho tem como objetivo principal auxiliar na reabilitação de pacientes em estado grave
O aparelho tem como objetivo principal auxiliar na reabilitação de pacientes em estado grave
Foto: Divulgação UCS / Bons Fluidos

O grande diferencial da invenção é o fator econômico. Assim, o custo estimado entre R$ 15 mil e R$ 20 mil, o aparelho chega a ser 10 vezes mais barato que as tecnologias importadas similares. Essa acessibilidade financeira, viabilizada com o apoio da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), posiciona o equipamento como uma alternativa viável para a adoção em larga escala no Sistema Único de Saúde (SUS).

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 "É um equipamento com conceito e propósito inéditos. Ao mesmo tempo, queríamos que tivesse um custo acessível, para que pudesse ser aproveitado integralmente no ambiente SUS", explica Matheus Parmegiani Jahn, coordenador de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Agência de Inovação da UCS.

Reabilitação de pacientes

A imobilidade prolongada em unidades de terapia intensiva causa uma deterioração física acelerada, dificultando a recuperação pós-alta e estendendo o tempo de ocupação dos leitos. O Autofisio 500 atua diretamente nesse problema ao simular o ato de caminhar de forma autônoma. Essa automação é estratégica para o cenário brasileiro, onde a escassez de fisioterapeutas nas UTIs é um desafio crônico; o dispositivo permite que os estímulos motores continuem ocorrendo sem a necessidade de supervisão humana constante.

"Hoje, muitos pacientes com lesão cerebral são idosos que ficam sozinhos em casa", diz a fisioterapeuta Fernanda Trubián, que atuou como bolsista no projeto.

A literatura médica reforça que a mobilização precoce reduz complicações respiratórias e acelera a alta hospitalar. Ao garantir essa movimentação de maneira contínua e a baixo custo, o projeto da UCS não apenas melhora o desfecho clínico do paciente. Além disso, gera uma economia significativa para o sistema público de saúde ao reduzir os dias de internação.

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Próximos passos e impacto na saúde pública

Nascido da pesquisa aplicada, o Autofisio 500 agora segue para as fases de validação clínica ampliada e certificação junto aos órgãos reguladores. Por fim, o sucesso deste protótipo demonstra que a inovação em saúde no Brasil pode florescer ao focar em soluções que unam eficácia técnica e realidade orçamentária. dessa forma, se integrado à rede pública nos próximos anos, o simulador de caminhada gaúcho poderá ser a diferença entre uma reabilitação complexa e um retorno mais rápido à vida normal para milhares de brasileiros.

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