De onde vem o coelho da Páscoa? Descubra a origem do símbolo que virou tradição

Muito além do chocolate, o coelho da Páscoa tem origens antigas e simboliza fertilidade, renovação e novos começos

6 abr 2026 - 11h27

Fofo, lúdico e presença quase obrigatória nas celebrações de Páscoa, o coelho pode até parecer apenas um personagem ligado ao chocolate e ao universo infantil. Mas por trás dessa figura tão popular existe uma história antiga e cheia de significados. Muito antes de se tornar símbolo da data cristã, o coelho já representava algo essencial: a vida que se renova.

Descubra a origem do coelho da Páscoa e por que ele se tornou símbolo da data, unindo tradições antigas, cultura e a ideia de renovação
Descubra a origem do coelho da Páscoa e por que ele se tornou símbolo da data, unindo tradições antigas, cultura e a ideia de renovação
Foto: Reprodução: Canva/Doina Tocmelea's Images / Bons Fluidos

Um símbolo que vem de muito antes da Páscoa

Antes mesmo do surgimento da Páscoa cristã, povos do hemisfério norte celebravam a chegada da primavera - um período marcado pelo fim do inverno e pelo início de um novo ciclo de abundância.

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Nesse contexto, alguns elementos da natureza ganharam destaque. Entre eles, o coelho (ou lebre), conhecido por sua grande capacidade de reprodução, passou a simbolizar fertilidade, nascimento e continuidade da vida.

Há relatos que associam esse animal a divindades ligadas à primavera, como a deusa Eostre, cultuada por povos germânicos. Embora nem todos os registros históricos sejam consensuais, muitos estudiosos apontam que festas dedicadas a essa deusa já utilizavam símbolos como ovos e lebres - elementos que, séculos depois, incorporariam à Páscoa.

Como o coelho entrou na tradição pascal

Com a expansão do cristianismo pela Europa, diversas tradições antigas não desapareceram, mas foram reinterpretadas. A celebração da ressurreição de Jesus, que também fala de renovação e vida nova, acabou se conectando com esses rituais de primavera. 

Aos poucos, símbolos como o ovo e o coelho passaram a fazer parte da cultura popular da Páscoa, especialmente em regiões germânicas. Foi na Alemanha, entre os séculos XVII e XVIII, que surgiu a tradição do coelho que esconde ovos para as crianças. Conhecido como Osterhase, ele teria a missão de deixar ovos coloridos para serem encontrados - uma prática que atravessou fronteiras e chegou a outros países, como os Estados Unidos.

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Da tradição ancestral ao personagem moderno

Com o passar do tempo, o coelho deixou de ser apenas um símbolo e ganhou um papel mais lúdico. A partir do século XIX, com a popularização dos ovos de chocolate, ele se consolidou como figura central das comemorações - especialmente entre as crianças. Essa mudança também está ligada a uma transformação cultural importante: a forma como a infância passou a ser valorizada. As celebrações se tornaram mais familiares, afetivas e voltadas para o ambiente doméstico.

O que o coelho tem a ver com a Páscoa?

Embora, à primeira vista, a relação entre o coelho e uma celebração cristã possa parecer curiosa, existe um ponto em comum que explica essa conexão: a ideia de vida nova.

Na tradição cristã, a Páscoa celebra a ressurreição de Jesus - um símbolo de superação, esperança e recomeço. Já o coelho, historicamente ligado à fertilidade, representa o nascimento e a continuidade da vida. O mesmo acontece com os ovos, que, em diferentes culturas, sempre estiveram associados ao surgimento de algo novo.

Um símbolo que atravessa culturas

A relação entre ovos e renovação aparece em diferentes civilizações ao longo da história. Povos antigos já decoravam ovos em celebrações ligadas à primavera, enquanto em tradições cristãs, especialmente no Oriente, eles também ganharam significados espirituais.

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Já o coelho, em algumas interpretações, chegou a ser associado à pureza e até à simbologia religiosa medieval, aparecendo em obras de arte e representações ligadas à espiritualidade.

Mais do que um personagem

Hoje, o coelho da Páscoa encontra-se em embalagens, decorações e brincadeiras, muitas vezes desconectado de sua origem histórica. Mas seu significado mais profundo continua presente. Ele representa ciclos, transformação e a possibilidade de recomeçar.

E talvez seja por isso que, mesmo com todas as mudanças ao longo do tempo, esse símbolo ainda faz sentido. Porque, no fundo, a Páscoa (seja pela fé ou pela cultura) fala sobre algo universal: a esperança de que sempre existe um novo começo possível.

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