Vício em telas: por que os idosos estão passando mais tempo online que os jovens?

Pesquisas revelam que a geração 65+ dobrou o tempo de tela e já prioriza redes sociais e IA até durante jantares em família

6 abr 2026 - 11h27

O uso intenso de celulares mudou de mãos e agora os idosos são os protagonistas da Internet. Dados recentes indicam que a presença de usuários com 65 anos ou mais nas redes sociais saltou de 11% para 45% nos últimos anos. O fenômeno tem invertido os papéis dentro de casa, com filhos e netos reclamando da falta de atenção dos mais velhos. James Sullivan, de 24 anos, sentiu isso na pele ao visitar os pais na Flórida e contou ao 'Washington Post': "Eu ia lá para jantar e eles estavam no celular, rolando o Facebook, vendo memes de IA". Para o jovem, a sensação é de que o contato presencial foi substituído pelo digital.

Pesquisas indicam que idosos já passam mais tempo na internet que os jovens. Entenda por que a geração 65+ está trocando as conversas reais
Pesquisas indicam que idosos já passam mais tempo na internet que os jovens. Entenda por que a geração 65+ está trocando as conversas reais
Foto: Canva Equipes/halfpoint / Bons Fluidos

O fim do tédio na aposentadoria e o vício em IA

O isolamento da pandemia de Covid-19 foi o grande acelerador dessa mudança comportamental. Com consultas médicas e encontros familiares migrando para o vídeo, os aposentados perderam o medo das ferramentas tecnológicas. Hoje, o interesse é mais profundo: em comunidades de Maryland, as dúvidas básicas sobre como usar o aparelho deram lugar à curiosidade sobre inteligência artificial. "Gen X e boomers agora estão viciados em ChatGPT e em seus celulares", observou Brendan Moriak, de 25 anos, em entrevista ao jornal. Segundo ele, o hábito se intensificou logo após os filhos saírem de casa, deixando os pais com mais tempo livre e dispositivos à mão.

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Impacto na família e o risco do isolamento social

Especialistas alertam que o excesso de telas pode mascarar a solidão ou até substituir interações vitais com os netos. Elizabeth Santos, presidente da Associação Americana de Psiquiatria Geriátrica, explicou que o problema surge quando a tela é escolhida em vez das pessoas reais. Por outro lado, há quem veja benefícios no combate ao isolamento. Patrick Raue, da Universidade de Washington, pontuou ao veículo que a interação online pode ser significativa para quem tem poucas alternativas sociais. O desafio atual das famílias é encontrar o equilíbrio e, como diz Sullivan, lidar com a surpresa de precisar "monitorar" o tempo de tela daqueles que antes ditavam as regras.

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