Assistir a Gilberto Gil se apresentar ao vivo é sentir uma energia leve, porém, potente. Isso porque ele canta para Deus - Oxalá, Universo, Pai Maior, ou como quiser chamar - com tamanha simplicidade, mas também poder, força e fé que sua voz emana. E o gigante da música não esconde suas crenças, até porque tem diversas músicas em sua carreira que falam sobre sua espiritualidade. Hoje, trouxemos 5 delas. Confira:
5 músicas de Gilberto Gil que falam sobre espiritualidade
Se Eu Quiser Falar com Deus
Esta canção de 1978 já deixou até suas filhas, Preta e Bela, refletindo sobre o assunto abordado, pois trechos como "Se eu quiser falar com Deus. Tenho que ficar a sós. Tenho que apagar a luz. Tenho que calar a voz. Tenho que encontrar a paz. Tenho que folgar os nós dos sapatos, da gravata, dos desejos, dos receios" são tão profundos que deixa qualquer pessoa pensando a respeito desta tamanha fé.
Veja um trecho da explicação do próprio Gil: "Sempre achei e continuo achando que o sofrimento é parte do conjunto, que constitui a vida e a existência. É intrínseco, ele está junto. A dor e o prazer, os dois aspectos da percepção sobre a vida, existência, são duas coisas complementares, estão juntas. Não existe uma sem a outra. O prazer está automaticamente associado à ideia do divino, da transcendência, do alcance, das alturas existenciais. E a dor, não, ela é vista como castigo, afastamento…O prazer é divino".
Retiros Espirituais
E enquanto na anterior, ele fala sobre se concentrar para encontrar Deus, alguns anos antes (1975), ele abordou o espiritual no cotidiano. Em Retiros Espirituais, ele brinca com o termo, pois, estes são locais que normalmente as pessoas se afastam da sociedade para conseguirem se conectar com a intuição e o eu interior, mas na realidade da música, ele comenta a respeito da meditação diária nos mais simples afazeres da rotina. Como acontece em: "Nos meus retiros espirituais, descubro certas coisas tão banais, como estar defronte de uma coisa e ficar horas à fio com ela. Bárbara, bela, tela de TV".
E, em entrevista à Folha de São Paulo, uma vez, ele também compartilhou seu ponto de vista: "É o zen-mundismo. Bené já disse algumas vezes: a finalidade é poder meditar na avenida Paulista. No mundo de hoje, não é possível meditar no mosteiro. Nosso mosteiro é a rua, a praça, são os ambientes políticos, artísticos".
A Paz
Uma década depois, Gilberto Gil fez uma composição sobre aquela quietude interior que chega como uma força avassaladora e transformadora. "A paz invadiu o meu coração. De repente me encheu de paz. Como se o vento de um tufão arrancasse meus pés do chão, onde eu já não me enterro mais", canta.
Esotérico
Já em Esotérico, Gil contou ao Correio Braziliense uma vez que trata-se de "uma tentativa de transpor a ideia do mistério divino, místico-religioso, para o campo do amor terreno; de desmistificar e humanizar a categorização do esotérico como algo inatingível, colocando-o como inerente à nossa natureza, à complexidade de nosso afeto".
Veja um trecho: "Não adianta nem me abandonar, porque mistério sempre há de pintar por aí. Pessoas até muito mais vão lhe amar. Até muito mais difíceis que eu pra você. Que eu, que dois, que dez, que dez milhões. Todos iguais".
Andar com Fé
Por fim, Andar com Fé já fala por si só, e ilustra este sentimento quase como se fosse uma amiga, mas ao mesmo tempo, algo que está em tudo, já que "tá na mulher", "na cobra coral" e "num pedaço de pão".
"A fé 'tá na maré, na lâmina de um punhal. Oh, oh. Na luz, na escuridão. Andá com fé eu vou, que a fé não costuma faiá", canta Gil.