O mel é um daqueles alimentos que a gente associa imediatamente ao cuidado: adoçar o chá, aliviar a garganta, dar um toque especial em receitas simples. O problema é que, justamente por ser tão valorizado, ele também entra na lista dos produtos mais adulterados do mercado. E aí, em vez do néctar transformado pelas abelhas, pode acabar chegando à sua casa um "mel" feito de xaropes, açúcares e misturas que entregam doçura - mas deixam os benefícios pelo caminho.
A boa notícia? Dá, sim, para aprender a reconhecer sinais de autenticidade sem precisar virar especialista. Em um vídeo que viralizou, a apicultora e criadora de conteúdo Laura, do TikTok @almadepueblo, explica que a diferença mora nos detalhes: rótulo, textura, aroma e um comportamento bem típico do mel verdadeiro, a cristalização.
Por que o mel é tão fraudado?
O mel puro exige tempo, manejo correto, colheita cuidadosa e rastreabilidade. Já o "mel fake" pode produzir-se a partir de ingredientes mais baratos e com aparência parecida, o que facilita enganar o consumidor. O resultado é um produto com menos nutrientes e praticamente sem as propriedades naturais pelas quais o mel é tão conhecido.
E tem mais: muitas adulterações deixam o alimento mais "bonito" na prateleira - líquido por muito tempo, transparente demais, uniforme - o que pode confundir quem aprendeu que "mel bom é mel lisinho".
Dicas essenciais
1. O rótulo é o seu primeiro filtro
Antes de qualquer teste, a dica mais eficaz é simples: leia com calma. Quanto mais informação objetiva, maior a chance de você estar diante de um produto sério.
- Procure transparência de origem: um bom mel costuma informar onde foi produzido, processado e embalado;
- Desconfie de descrições genéricas: quando aparece como "mistura de meis de diferentes países" sem proporções claras, você não sabe o que está comprando de verdade;
- Confira ingredientes: o puro, em geral, deveria ter um ingrediente só: mel. Se aparecerem termos como glicose, frutose, xarope ou "preparado", ligue o alerta.
2. Textura: mel puro não parece "aguado"
O segundo sinal vem na colher. O mel verdadeiro tende a ser mais encorpado, cai devagar e forma um fio firme. Já o mel adulterado costuma escorrer rápido, com cara de xarope ralo. Não é uma regra absoluta (há variações naturais por florada e temperatura), mas é uma pista importante quando somada ao rótulo.
3. Cristalização: o "defeito" que, na verdade, é um bom sinal
Se o seu mel ficou mais grosso, granuladinho ou com aspecto "açucarado", acalme-se: isso pode ser excelente. A cristalização é um processo natural em muitos méis puros, especialmente com mudanças de temperatura e dependendo da proporção de glicose. O ponto-chave é: o que passa anos totalmente líquido pode indicar que foi aquecido demais, ultrafiltrado ou até misturado com xaropes que impedem a mudança de textura. Resumo prático: cristalizou? provavelmente é um bom sinal. Nunca cristaliza, mesmo com o tempo? vale investigar melhor.
4. Aroma e sabor: o mel "tem presença"
O verdadeiro costuma ter cheiro e gosto marcantes, com nuances que mudam conforme a florada (laranjeira, eucalipto, silvestre etc.). Já versões adulteradas muitas vezes: têm aroma quase inexistente ou artificial; parecem "só açúcar" no paladar, com doçura sem profundidade; deixam uma sensação estranha ou enjoativa mais rápida.
5. Testes caseiros ajudam, mas não são infalíveis
Alguns testes populares podem dar pistas, mas não substituem a análise laboratorial. Ainda assim, se você quiser um "check" rápido:
- Teste da água: pingue uma colher de mel em um copo com água. O mel mais puro tende a ir ao fundo e demorar mais para se misturar; o adulterado se dissolve rápido;
- Teste do papel: coloque um pouco em um guardanapo. Mel verdadeiro costuma não "vazar" com facilidade; o falsificado pode deixar mancha úmida (principalmente se tiver água);
- Teste do fósforo: se o palito não acende, pode indicar excesso de umidade - mas esse teste depende de vários fatores e não é definitivo.
Como escolher um mel melhor no dia a dia
Para aumentar suas chances de acertar: priorize produtores locais, feiras e pequenos apicultores (quando possível); desconfie de preços muito abaixo do padrão; escolha marcas que informam lote, origem e processo com clareza; observe textura e, com o tempo, note se cristaliza. No fim, comprar mel vira um exercício de atenção - e também de autocuidado. Porque quando o produto é real, ele não entrega só doçura: entrega história, natureza e um tipo de alimento que faz sentido de verdade.